Inflação: serviços e itens consumidos no Carnaval ficaram até 37,36% mais caros este ano, veja lista
Inflação: serviços e itens consumidos no Carnaval ficaram até 37,36% mais caros este ano, veja lista!
17 de fevereiro de 2026
O Carnaval é um dos eventos mais esperados do ano no Brasil. A estimativa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) é que, em 2026, o evento movimentará R$ 14,48 bilhões em receitas no Brasil. Já a estimativa da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (Setur) é de R$ 7,3 bilhões de movimentação direta, que inclui os gastos com hospedagem, alimentação, transporte, compras e serviços turísticos. Na capital paulista, de acordo com a Prefeitura, a expectativa é de que o Carnaval injete R$ 3,4 bilhões na economia.
“Os dias que compõem as festividades são marcados por um maior consumo de bens e serviços relacionados. Em alguns casos, o aumento no consumo começa antes, com o Pré-Carnaval, e segue alguns dias depois, com o Pós Carnaval”, diz Jobson Monteiro de Souza, do Centro de Estudos em Conjuntura Econômica (CECON) da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP).
Com base no IPCA, divulgado pelo IBGE, a inflação acumulada nos últimos 12 meses na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) foi de 4,92%. Contudo, os preços dos produtos relacionados ao Carnaval tiveram um comportamento diferente no período.
“Observar os preços desses produtos nos ajuda a fazer escolhas melhores para aproveitar a festa ao menor custo, ou nos prepara financeiramente melhor para os seus gastos. Dos 27 produtos considerados neste levantamento, 12 apresentaram aumento de preços acima da inflação”, destaca o pesquisador da FECAP.
IPCA acumulado dos últimos 12 meses (geral e por subitem)
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Fonte: IBGE. Elaboração: CECON – FECAP.
A seguir, o docente da FECAP detalha a inflação dos serviços e itens mais consumidos na época da folia.
Transporte: a escolha de qual transporte utilizar no Carnaval é limitada, pois depende do local de origem e destino. Como se trata de um feriado, é difícil também ter liberdade para escolher dias e horários muito diferentes para economizar. Em alguns casos, a única opção viável é ir de avião. O lado bom é que os preços das passagens aéreas caíram 8,16% nos últimos 12 meses.
Se não for viajar tão longe, é possível o folião ir de ônibus e, nesse caso, vale observar que o custo da passagem interestadual aumentou 8,63%, enquanto a intermunicipal subiu 4,60%. Na média do Brasil, o valor dos tickets de ônibus interestadual cresceu apenas 3,87%.
Se optar por ir de carro, o viajante deve levar em conta que a gasolina aumentou 2,31% e o etanol 9,35%. Deve-se avaliar também o consumo do veículo com cada combustível e fazer a conta para saber qual vale mais a pena. Além disso, tenha em mente que os pedágios no período tiveram uma queda de 4,56%.
Se for ficar na cidade, inclua no custo o transporte por aplicativo, já que é comum que as pessoas consumam bebidas alcoólicas nestas festas. O custo com transporte por aplicativo aumentou 27,61%, um crescimento menor do que o observado no Brasil (+37,36%).
Hospedagem e pacotes turísticos: no caso da hospedagem, o aumento dos preços foi de 5,94% nos últimos 12 meses, ante alta de 7,93% registrada no Brasil. Neste caso, as opções estão relacionadas ao tipo de hospedagem: resort, hotel, pousada, hostel, camping e aluguel por temporada. Os jovens sem filhos em viagem com a “turma”, em média, têm muito mais liberdade, e disposição, para escolherem alternativas mais em conta. Já se a escolha for pelas facilidades do pacote turístico, os preços acumularam alta de 9,53%.
Alimentos e bebidas: se for aproveitar o Carnaval na sua cidade ou viajar, lembre-se de que comer e beber na rua já é normalmente mais caro, mas piora ainda mais por conta do feriado. Nos últimos 12 meses, a alimentação fora do domicílio aumentou 6,89%.
Uma opção é juntar a família e os amigos e preparar a refeição. E, neste caso, a “mistura” tem um peso relevante. Dentre as opções disponíveis, no período, o preço das carnes aumentou 1,62% e de aves e ovos 4,73%, em contraste com a diminuição de 2,52% no dos pescados. A queda nos valores dos pescados foi maior em São Paulo, mas o aumento nos preços das aves e ovos foi maior, quando comparado a média do País.
Se for fazer um churrasco, dentre os itens comuns, a alcatra aumentou 3,19%, o contrafilé 0,19% e a linguiça 1,90%, enquanto a costela diminuiu 1,32%. No Brasil, o preço da picanha cresceu 1,36%.
Em relação às bebidas, refrigerante e água mineral aumentaram 4,31%. Para quem “bebe”, a cerveja aumentou 4,62%. No Brasil, os preços das outras bebidas alcoólicas caíram 1,80%.
Outras despesas: além dos blocos de rua, existem outras formas de “pular o Carnaval”, como salões ou festas temáticas. Mas vale ponderar que os preços das casas noturnas aumentaram 10,05% nos últimos 12 meses.
Para a produção visual, vale considerar a variação nos preços de alguns itens, como os artigos de maquiagem (+7,56%) e o cabeleireiro e barbeiro (+7,26%). No Brasil, os preços das bijuterias aumentaram 11,14%.
E é bom evitar, mas para depois da festa, talvez seja o caso de levar em conta que os preços do analgésico e antitérmico e do gastroprotetor aumentaram 5,41% e 7,61%, respectivamente.