Paraíba tem duas GovTechs entre startups com contratos públicos de inovação no Brasil
Levantamento do Sebrae mapeou 3.664 GovTechs no país e identificou duas empresas paraibanas entre as que participaram de contratos pelo modelo CPSI
27 de agosto de 2026
O Brasil tem 3.664 startups que declaram atuar no modelo business-to-government (B2G) ou ter o governo como cliente, segundo mapeamento inédito do Observatório Sebrae Startups. A concentração geográfica revela protagonismo do Sudeste (32,2%) e Nordeste (31,9%), enquanto software lidera como principal produto oferecido por quase metade das empresas (49,1%).
O levantamento, baseado em dados de startups cadastradas na Plataforma Sebrae Startups e apresentado nesta quinta-feira (27) durante o Startup Summit, em Florianópolis (SC), traça o perfil do ecossistema brasileiro de GovTechs — empresas de tecnologia que desenvolvem soluções para desafios de gestão pública. Os dados mostram um setor ainda concentrado em estágios iniciais: 42,2% das startups estão em fase de validação, enquanto apenas 2,4% atingiram escala.
“O setor público brasileiro movimenta bilhões de reais em compras todos os anos e enfrenta uma demanda crescente por soluções tecnológicas”, comenta Paulo Renato Cabral, Gerente de Inovação do Sebrae Nacional. “Isso abre uma oportunidade relevante para as GovTechs. As startups precisam compreender a dinâmica das compras públicas, estruturar processos comerciais adequados e ter capacidade de entrega compatível com as exigências do poder público. Quem conseguir superar essas barreiras encontra um mercado de grande escala.”
Perfil do ecossistema: validação e software dominam
A análise de maturidade das 3.664 GovTechs mapeadas revela um ecossistema em estágio intermediário de desenvolvimento. A fase de validação — quando a startup testa seu produto no mercado real — concentra 42,2% das empresas. Em seguida aparecem tração (24,9%), quando há crescimento de receita e clientes recorrentes, e ideação (21,7%), a fase mais inicial. Apenas 9,3% das GovTechs estão em crescimento estruturado, e 2,4% atingiram escala.
Quanto ao tipo de solução, o domínio de software é absoluto: 49,1% das GovTechs desenvolvem principalmente plataformas digitais. Serviços aparecem em segundo lugar com 31,9%, seguidos por produtos físicos (10,2%), conteúdo (3,47%), hardware (3,3%) e outras categorias (2,3%). O modelo de negócio mais adotado é assinatura recorrente (SaaS), escolhido por 46,7% das startups. Vendas diretas representam 22,1%, licenciamento 9,2% e modelos transacionais 7,7%. Outros formatos somam 14,7%.
A estrutura societária é enxuta: 49,7% das GovTechs têm de dois a três sócios. Fundadores solos representam 28,1% do ecossistema, enquanto 14,5% das empresas têm de quatro a seis pessoas na sociedade. Apenas 1,6% operam com mais de seis sócios.
Segmentos e concentração geográfica
As GovTechs brasileiras concentram soluções em três grandes áreas: tecnologia da informação lidera com 15,7%, seguida por saúde e bem-estar (14,1%) e educação (13,8%). Geograficamente, o Sudeste mantém a liderança nacional com 1.180 CNPJs (32,2% do total), mas o Nordeste aparece como contraponto relevante com 1.168 CNPJs (31,9%). A região Sul concentra 656 empresas (17,9%), seguida pelo Centro-Oeste com 369 (10,1%) e Norte com 283 (7,7%).
São Paulo lidera o ranking municipal com 319 CNPJs de GovTechs. Recife aparece em segundo lugar com 148 empresas, seguida por Florianópolis (119), Rio de Janeiro (102) e Brasília (100). Fortaleza e Teresina empatam com 96 CNPJs cada. Completam o top 10: Belo Horizonte (84), Porto Alegre (79) e Natal (75).
No recorte estadual, São Paulo concentra 18,7% do total nacional (685 CNPJs). Pernambuco aparece em segundo lugar com 7,5% (276 CNPJs), seguido por Santa Catarina com 7,4% (271 CNPJs). Minas Gerais e Rio Grande do Sul empatam com 6,3% cada (231 e 229 CNPJs, respectivamente). Rio de Janeiro tem 4,6% (170 CNPJs) e Paraná 4,3% (156 CNPJs).
Perfil de empresas em contratos públicos de inovação
Uma segunda camada de análise, fruto de parceria entre o Observatório Sebrae Startups e o Observatório do CPSI (Contrato Público de Soluções Inovadoras), iniciativa do Núcleo de Inovação e Propriedade Intelectual da Procuradoria Geral do Estado de São Paulo (NIPI/PGE-SP), revela o perfil das empresas que já participaram efetivamente desse modelo de aquisição. O levantamento identificou 59 órgãos e entidades públicas com editais de CPSI, dos quais 44 celebraram contratos com 248 fornecedores, totalizando 223 CNPJs distintos.
Do universo de 223 empresas mapeadas nesta etapa, 80 possuem cadastro ativo na plataforma Sebrae Startups (35,9% do total). A distribuição por porte financeiro mostra predominância de empresas maiores: 57% faturam acima de R$ 4,8 milhões anuais. Microempresas (faturamento de R$ 81 mil a R$ 360 mil) representam 29,1% do total, enquanto empresas de pequeno porte (R$ 360 mil a R$ 4,8 milhões) somam 13,9%.
Quanto ao produto principal, software mantém liderança ainda mais acentuada neste recorte: 66,7% das empresas com contratos de CPSI (54 empresas) desenvolvem principalmente plataformas digitais. Serviços aparecem em segundo lugar com 24,7% (20 empresas), seguidos por hardware (6,2% ou 5 empresas) e produtos físicos (2,5% ou 2 empresas).
A análise do tempo de existência das 223 empresas que participaram de contratos públicos de inovação mostra perfil diferente do ecossistema geral. Empresas com mais de 10 anos de atuação representam 39% do total (87 empresas). Empresas que têm de 5 a 10 anos somam 37,2% (83 empresas). De 2 a 5 anos, aparecem 17,5% (39 empresas), enquanto negócios nascentes, com menos de 2 anos, representam apenas 6,3% (14 empresas).
A idade média das empresas neste universo é de 11,7 anos — significativamente superior à média do ecossistema geral de GovTechs em validação. A média de sócios é de 3,4 por empresa, totalizando 752 sócios no ecossistema. Cada startup atende em média 9 segmentos diferentes.
No universo de empresas com contratos de CPSI, São Paulo lidera com 63 sedes, seguido por Rio de Janeiro (50) e Minas Gerais (22). Em seguida vêm Pernambuco (17), Distrito Federal (6), Espírito Santo (5), Bahia (4) e Ceará (4). Alagoas tem 3 empresas, Paraíba 2, e há 2 empresas com sede no exterior. Amazonas, Amapá e Maranhão possuem 1 empresa cada.
Sobre o levantamento
Os dados da primeira parte do estudo foram extraídos da base do Observatório Sebrae Startups e referem-se a startups que se autodeclararam atuar no modelo B2G (business-to-government) ou ter o Governo como cliente na Plataforma Sebrae Startups. O universo total mapeado foi de 3.664 empresas.
A segunda parte resulta de parceria entre o Observatório do CPSI (Contrato Público de Soluções Inovadoras) e o Observatório Sebrae Startups, com objetivo de compartilhar o perfil de empresas que já participaram desse modelo de aquisição. Foram identificados 59 órgãos e entidades públicas com editais de CPSI, dos quais 44 celebraram contratos envolvendo 248 fornecedores e 233 CNPJs distintos, sendo 223 empresas analisadas em profundidade.
“O Contrato Público de Soluções Inovadoras representa uma mudança estrutural na forma como o Estado contrata tecnologia. Em vez de adquirir soluções prontas, o poder público testa e desenvolve soluções customizadas para desafios específicos”, aponta Paulo Renato Cabral. ” É um modelo ainda em fase de consolidação, mas com potencial de democratizar o acesso de startups ao mercado público.”
Fonte: ASN
