Economia criativa: cultura local como alma de territórios e experiências transformadoras
Regina Amorim reflete sobre como Catolé do Rocha e Brejo do Cruz destacam liderança, inventividade e o legado de Chico César e Zé Ramalho
27 de abril de 2026
Nos destinos turísticos e criativos os visitantes querem ser surpreendidos com experiências de valor inesperado e imensurável, que geram vantagens competitivas. O talento empreendedor como base do desenvolvimento de territórios turísticos, requer a transformação urbana, econômica e social.
A transformação urbana implica em infraestrutura de atividades culturais, lazer e bem-estar. A transformação econômica consiste em selecionar uma atividade econômica, a exemplo o turismo, para criar, desenvolver, atrair e reter talentos, contribuindo assim para a transformação social.
Como disse o economista Celso Furtado em 1997, “duas qualidades são necessárias às novas gerações em tempos desafiadores: coragem e inventividade”. Nesse contexto, é fundamental construir alternativas para o desenvolvimento socioeconômico sustentável e ambientalmente responsável. O turismo é uma das alternativas – econômica, social, cultural e ambiental – para a redenção da Paraíba. Construir as bases do desenvolvimento econômico “capaz de fazer do homem um elemento transformador, passível de agir tanto sobre a sociedade, como sobre a si mesmo, e realizar suas potencialidades” (Furtado).
Não é possível ser cidade turística e criativa se não tiver imaginação coletiva. Ambiente criativo e atrativo deve ser um daqueles que todos gostariam de trabalhar e visitar. É importante cuidar dos ambientes criativos e das pessoas que o compõem. Precisamos estar cercados de indivíduos que nos inspirem e nos motivem alcançar o melhor de nós mesmos.
No turismo é importante selecionar colaboradores que compartilhem dos mesmos valores e estejam alinhados aos objetivos de projetos inovadores, facilitando a formação de uma equipe engajada e motivada a fazer mais que o esperado.
O turismo é bom para um território quando atrai e retém talentos certos, enquanto afasta aqueles profissionais que não se encaixam nos desafios e não compartilham dos mesmos valores. Essa seleção natural tanto contribui para o sucesso dos negócios, quanto promove um ambiente mais harmonioso e motivador para todos os envolvidos. Importante destacar que a cultura local é a alma de um território turístico e criativo, que o diferencia de outros lugares.
Essas foram algumas reflexões que fiz ao vivenciar as experiências turísticas nos municípios paraibanos de Catolé do Rocha e Brejo do Cruz, que compõem o roteiro turístico “Caminhos do Béradêro Sertanejo”, nome inspirado na música Béradêro, do cantor e compositor Chico César, filho de Catolé do Rocha. O artista reconhecido em nível nacional e internacional, também é idealizador do Instituto Cultural Casa do Béradêro (ICCB), um excelente projeto de responsabilidade social, que utiliza a música como ferramenta para a formação cidadã de crianças e jovens carentes.
Essa experiência proporciona aos turistas sentir a cultura viva com bem-estar, enquanto visitantes, desfrutando de oficinas de violão, de regência de orquestra, de luthieria. Também conhecer o museu de Chico César e fazer compras na loja colaborativa com as primeiras peças de souvenir. Mas o ponto alto da visita foi assistir a “Camerata Béradêra”, com repertório de Chico César. Visitar a rua onde o cantor morou e regravou o clipe de “Mama África” nos fez enquanto visitantes, reproduzir e reviver esse momento afetivo e simbólico.
Em Brejo do Cruz tivemos a experiência de conhecer o Acervo de Zé Ramalho, iniciativa privada do ativista cultural Aurílio Santos. O Parque Municipal da cidade é um espaço de lazer e bem-estar que recebe mais de dez mil pessoas por mês. Depois subir a Pedra da Turmalina e sonhar de forma coletiva com o Terreiro da Usina transformado em um Distrito Criativo, que certamente dará mais visibilidade ao destino turístico. Sempre é possível estabelecer uma meta ousada, acreditar na mentalidade de sucesso e ter diferencial competitivo.
Enfim, territórios criativos precisam de líderes, responsáveis por criar e manter atitudes positivas e produtivas. Líderes que sejam exemplos a serem seguidos, demonstrando integridade, ética e comprometimento com os resultados coletivos e colaborativos. Esse é o caminho do futuro do turismo criativo e colaborativo.

Foto: Linkedin
Sobre Regina Amorim
É gestora de Turismo e Economia Criativa do Sebrae/PB. Formada em Economia pela UFPB, 1980, com Especialização em Gestão e Marketing do Turismo pela UNB – Universidade de Brasília e com Mestrado em Visão Territorial para o Desenvolvimento Sustentável, pela Universidade de Valência – Espanha e Universidade Corporativa SEBRAE.
Fonte: Regina Amorim