Economia criativa une biodiversidade cultural e bioeconomia como estratégia de desenvolvimento sustentável
Economia criativa une biodiversidade cultural e bioeconomia como estratégia de desenvolvimento sustentável
20 de abril de 2026
A economia criativa deve ser compreendida como um dos caminhos para criar valores e dar sentido aos negócios inovadores. É uma estratégia de desenvolvimento que envolve e prioriza o patrimônio cultural e a biodiversidade, contribui para a sustentabilidade ambiental, cultural, social, econômica e política, além de atrair divisas para os territórios. Quando misturada com a economia da cultura e a economia do lazer, torna-se um dos vetores mais dinâmicos para a economia do turismo.
Turismo criativo, de experiência e turismo esportivo estão entre as tendências que favorecem o crescimento das viagens internas e impulsionam a economia. É fato que, no turismo como em qualquer atividade econômica, a busca por conhecimento é imprescindível. Amplia a capacidade empresarial de identificar oportunidades e desafios, que outros não estão percebendo.
A biodiversidade cultural aproxima e economia criativa da bioeconomia, um modelo econômico sustentável que utiliza recursos biológicos renováveis (plantas, animais, microrganismos e resíduos orgânicos) e conhecimento científico para produzir alimentos, energia, materiais e produtos.
Também une a economia criativa à economia circular, à economia verde, ao consumo consciente e caracteriza a forma como as comunidades usam os territórios, os biomas e os ecossistemas. O turismo de base comunitária é exemplo de comunidades que lutam pela biodiversidade cultural e se conectam em rede para promover ajuda comunitária entre elas. Atuar em rede significa ter capacidade de encontrar soluções para os seus próprios problemas.
Muitos produtos artesanais só poderão sobreviver se houver equilíbrio nas relações entre patrimônio natural e cultural, que constituem os maiores ativos da biodiversidade cultural brasileira. A UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, tem contribuído para ampliar os significados da cultura para o desenvolvimento dos países, com a proteção do patrimônio cultural dos povos. O direito à cultura está no artigo 1º da Declaração dos Princípios da Cooperação Cultural Internacional da UNESCO: “toda cultura possui dignidade e valor que devem ser respeitados e protegidos” (1966).
A economia criativa contribui para uma governança territorial com engajamento, envolvimento e colaboração, estimula novas práticas econômicas e reconhece o papel estratégico das comunidades tradicionais e ancestrais com suas práticas culturais.
Em cada negócio bem-sucedido há uma visão que vai além do lugar comum ou do convencional, capaz de enfrentar os medos e os obstáculos. Quem reconhece os desafios, também é capaz de superar as dificuldades e transformá-las em oportunidades.
Ter hábitos culturais saudáveis constitui-se em um desafio essencial para produção, distribuição e consumo sustentáveis de bens e serviços criativos. O grande desafio das comunidades atuais é o de valorizar a cultura do território e eleger novos patrimônios com base nos princípios do bem comum e do bem viver. Como princípio da economia criativa, o bem viver privilegia sentimentos de afetividade e experiências de felicidade, para o corpo e a alma. Quando associada ao bem comum, o bem viver estimula vínculos e consolida culturas participativas, através de novas economias: criativa, colaborativa, circular, compartilhada, que contribuem para o desenvolvimento dos territórios criativos, com novas experiências, novos conhecimentos, a vontade de aprender e a capacidade de compreender a realidade e os desejos.
Nos territórios, as artes, a cultura e a criatividade são essenciais para fortalecer o sentimento de pertença, a cidadania e os novos modos de observar, experimentar e aprender. Territórios criativos são aqueles que reconhecem a cultura e a criatividade como recursos para o desenvolvimento sustentável e protegem dos bens comuns. Inserir a cultura no centro das políticas de desenvolvimento é focar no ser humano, de forma inclusiva e equitativa. Como parte do desenvolvimento sustentável a cultura é mediadora dos conflitos e demandas entre os diversos grupos sociais, que se caracterizam por seus valores e formas de viver.

Foto: Linkedin
Sobre Regina Amorim
É gestora de Turismo e Economia Criativa do Sebrae/PB. Formada em Economia pela UFPB, 1980, com Especialização em Gestão e Marketing do Turismo pela UNB – Universidade de Brasília e com Mestrado em Visão Territorial para o Desenvolvimento Sustentável, pela Universidade de Valência – Espanha e Universidade Corporativa SEBRAE.
Fonte: Regina Amorim