Sindicato dos trabalhadores da AeC diz que ação do MPT pode prejudicar economia de Campina Grande
Empresa emprega cerca de 10 mil pessoas com carteira assinada
19 de abril de 2023
O Ministério Público do Trabalho (MPT) ingressou com uma Ação Civil Pública, em 2017, contra a empresa AeC, empresa de tecnologia e líder no mercado brasileiro em atendimento ao cliente, questionando alguns termos do Acordo Coletivo firmado à época com o Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações do Estado da Paraíba – SINTTEL-PB. Essa ação tem levantado muitas preocupações por parte do poder público e do Sindicato para a continuidade da operação da AeC em Campina Grande, onde emprega com carteira assinada cerca de 10 mil pessoas.
Jonathan Pontes, advogado do SINTTEL-PB, revelou que está acompanhando de perto a ação, onde o sindicato não figura como parte, mas entende a importância da demanda e as preocupações com todos os impactos que a decisão do MPT do ponto de vista de empregabilidade, sociais e econômicos para Campina Grande e região. A AeC é uma das maiores empregadoras da cidade e as horas extras pagas e as compensadas são consideradas fundamentais para manter o atendimento ao cliente em funcionamento. A decisão pode afetar negativamente não só os trabalhadores e suas famílias, mas também toda a economia da região, com a possível migração da empresa para outras cidades e até mesmo estados”, alerta o representante do sindicato.
O advogado lembra ainda que, além disso, existe uma jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a questão de hora extra em empresas de call center e que, na opinião do SINTTEL-PB, isso deve ser levado em consideração, pois a restrição só existirá no município de Campina Grande, não havendo em outros Estados e nem mesmo na unidade da própria AeC na cidade de João Pessoa. “Essa decisão pode causar um desequilíbrio para a empresa em relação às suas outras unidades, porém, o mais importante é ressaltar os impactos sociais e econômicos de uma decisão equivocada e que contraria determinações do STF que acumula várias decisões que corroboram o direito a hora extra”, ressaltou Pontes.
O representante do SINTTEL-PB, em seu papel de proteção aos interesses dos trabalhadores, faz voz e se junta à opinião do poder público diante da necessidade de um forte alerta sobre o que uma demissão em massa significaria para o município campinense. Jonathan relembra que a cidade de Campina Grande já está abalada com acontecimentos recentes e que causaram desemprego de dezenas de trabalhadores, como o escândalo da Brais Company, por exemplo. “Neste caso, estamos falando em 10 mil famílias que estão tensas e poderão ser afetadas diretamente e outras dezenas de milhares indiretamente com o desemprego iminente. Por isso, finaliza Jonathan Pontes, precisamos unir esforços nessa luta coletiva, ou seja, manter a empresa AeC operando normalmente e gerando mais e mais postos de trabalho formais na cidade de Campina Grande, garantindo a dignidade de milhares de paraibanos.