Brasil sobe taxa Selic para 13,75%: isto vai causar mais dor no mercado financeiro?
Só neste ano, a Selic subiu em 4,5 pontos porcentuais
27 de outubro de 2022
Em linha com grande parte do mercado, o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), resolveu elevar – por decisão unânime – a Selic em 0,50 ponto porcentual no mês de agosto e confirmou o décimo segundo aumento consecutivo na taxa básica de juros da economia brasileira.
Olhando para o mercado financeiro, os investidores seguem atentos ao Fibonacci Trader para traçar melhor as suas estratégias, identificando pontos de tendência do mercado – já que as taxas de juros altas e as eleições podem mudar os cenários ao longo do tempo. Continue lendo para entender mais!
Os ajustes de 2022
Desde março de 2021, quando a taxa apresentava um valor fixado em 2%, os reajustes apresentaram aumentos contínuos. Só neste ano, a Selic subiu em 4,5 pontos porcentuais; a estimativa prevê, agora, uma manutenção do valor para o final do ano. Confiraosajustesrealizados no ano de 2022 peloCopom:
- fevereiro de 2022 – de 9,25% para 10,75% (+1,5 p.p.);
- março de 2022 – de 10,75% para 11,75% (+1 p.p.);
- maio de 2022 – de 11,75% para 12,75% (+1 p.p.);
- junho de 2022 – de 12,75% para 13,25% (+0,5 p.p.).
- agosto de 2022 – de 13,25% para 13,75% (+0,5 p.p.)
Neste cenário, o país apresenta projeções de um crescimento de até 1,97% do PIB neste ano. Como consequência, os juros reais no Brasil devem despontar para uma taxa de 8,52% até agosto de 2023, de acordo com cálculos da gestora de recursos InfinityAsset.
Perspectivas para o mercado financeiro com a taxa a 13,75% em 2022
Com o novo patamar de juros estabelecido na economia, as carteiras em alta ganham um novo perfil e, segundo especialistas, os papéis prefixados se tornam tendência. O recuo nos preços das commodities deve fazer com que o dólar não avance a ponto de prejudicar ainda mais a inflação e, assim, os juros devem sofrer ajustes mínimos até o final do ano.
Para este atual mês de setembro, nos Estados Unidos, a previsão é de uma elevação de meio ponto percentual na taxa de juros do país. Este ajuste deve reforçar a previsão de investimentos da maior parte dos especialistas em mercado financeiro do Brasil.
Diante de uma perspectiva de manutenção no porcentual de 13,75% na taxa básica de juros (Selic) no país, os prefixados tendem a responder de maneira mais efetiva no mercado e sua exposição está se tornando cada vez maior.
Ativos que envolvem crédito privado como, por exemplo, os Certificados de Depósito Bancário (CDB), são preferidos por grande parte dos investidores. Conforme Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, tais CDBs são capazes de equilibrar melhor o risco, gerando prazos menores e taxas mais atrativas.
Além dos CDBs, o Tesouro Selic e as letras de crédito do agronegócio (LCA) e imobiliário (LCI) são tratadas como boas opções no mercado de investimentos e apresentam taxas bastante atrativas em prefixados para os investidores.
Prefixados de curto prazo e os riscos com as eleições
De maneira prática, os prefixados costumam valorizar quando as taxas de juros apresentam uma tendência de queda. No entanto, essa dinâmica também funciona para um cenário reverso, como vem acontecendo nos últimos 16 meses.
Perfis mais conservadores dentro do mercado de investimentos tendem a alocar até 15% do portfólio em prefixados nesse último trimestre deste ano, enquanto investidores mais ofensivos chegam a colocar 10% da carteira.
Prefixados de longos prazos são tratados com cautela neste momento. Afinal, eleições presidenciais traduzem um cenário de incertezas dentro da economia brasileira para os próximos meses, visto que a curva mais longa de juros tem influência direta do risco-país. Neste cenário, especialistas do mercado definem que, em 2022, a curva deve variar de acordo com as novidades propostas – e impostas – pelos futuros gestores fiscais do Brasil.