Mulheres da Vez, por Marcela Fujiy: Como eu posso usar a minha voz quando sei tão pouco sobre LGBTQIA+
31 de maio de 2022
Quando me proponho a usar a minha voz, eu tenho de olhar para a minha realidade e entender acima de tudo meu padrão de comportamento, o que me cabe, como ser coerente, como aprender e ensinar sendo permeável. Se não fizer isso, tudo vira discurso e, se tem uma coisa que a gente não precisa, é de mais retórica.
Pois bem, dentro do meu universo eu tinha pouco contato com pessoas da comunidade LGBTQIA+.
Acreditava que minha melhor contribuição era ser ouvida, no que diz respeito à criação dos meus filhos. Falo da educação deles porque, por mais que eu e Christian, meu marido, estejamos muito atentos, criá-los em uma sociedade com um preconceito tão estruturado, inclusive contra pessoas LGBTQIA+, por vezes velado, não é fácil. É na real PUNK.
Certamente a nossa experiência na Suécia contribuiu para a naturalidade do assunto. Meus filhos hoje têm 16 e 13 anos e lembro de ler livros para Yuri e Yasmin sobre literatura sueca, mostrando os vários tipos de famílias existentes há dez, doze anos.
A Suécia é um dos países mais seguros para essa comunidade no mundo, de acordo com o LGBTQ+ Danger Index 2019.
Porém, foi apenas aqui no Brasil que eles foram ficando cientes das relações. E, não apenas pelo diálogo que travamos em casa, mas por suas percepções sensíveis da realidade.
Lembro que quando estava assistindo à série Once Upon a Time com Yasmin, naquele então com 8 anos e percebi que quão ela ficou surpresa com um beijo entre duas princesas. Meu papel naquele momento foi explicar as formas de relacionamento de uma forma bem tranquila, sem alardes.
Aliás esse sempre foi um assunto que tratamos de formar orgânica em casa, às vezes provoco discussões saudáveis ou eles mesmos trazem algum acontecimento do dia a dia, mas falamos abertamente das diversas formas de relacionamento, respeito e opiniões sobre esse tema.
Em diversas situações, consigo enxergar que ser voz é trazer a discussão para a mesa do almoço, ler e sugerir livros que mostram a diversidade, assistir juntos filmes com representatividade (Yuri, por exemplo, amou Love Simon).
Ser e ter voz é poder falar mesmo quando nos sentimos desconfortáveis, quando acharmos que vamos ser julgados. Dar voz é reconhecer a existência do outro, permitir seu lugar de fala, e cabemos todos nesse mundo, a diversidade é muito bem-vinda!
Trazer essas discussões para a minha realidade é essencial, por que, afinal, o mundo é feito disso tudo. Entender como meus filhos estão inseridos nesse tema, provocar e apoiá-los em debates saudáveis é onde crio espaço, acolho =, escuto e troco. Faço da minha voz um vozeirão e da minha escuta uma possibilidade, é quando assumo que o assunto é LGBTQIA+ faz parte do que somos, e somos todos diversos!
Sobre Marcela Fujiy
Marcela é graduada em Direito e pós-graduada em Administração de Empresas. Com mais de 15 anos imersa no meio empreendedor, a paraibana coleciona conquistas, cases de sucesso e muito aprendizado à frente das franquias Kopenhagen Manaíra e Cabo Branco, da aceleradora de negócios femininos BeLabs e da sua mais nova sociedade, a padaria artesanal “Farina In Natura”, também no Cabo Branco. Marcela já morou na Suécia e ministra palestra em diversos lugares do Brasil sobre empoderamento e empreendedorismo feminino.