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Múcio Fernandes: “Objetivo é sermos campeões paraibanos e termos uma boa estreia na Série D do Campeonato Brasileiro”

Múcio Fernandes: “Objetivo é sermos campeões paraibanos e termos uma boa estreia na Série D do Campeonato Brasileiro”

Confira a entrevista completa concedida ao Devotos da Cachaça

1 de abril de 2022

O São Paulo Crystal, em sua configuração atual, surgiu em 2017. E o que isso tem a ver com cachaça? Tudo! O dono do São Paulo Crystal é o Engenho São Paulo, um dos maiores produtores de cachaça do país, localizado em Cruz do Espírito Santo, município de 17 mil habitantes na Região Metropolitana de João Pessoa.

Estão no portfólio do Engenho São Paulo as marcas São Paulo, Cigana e Caipira, entre outras que disputam a liderança do mercado paraibano. E, claro, a cachaça cujo nome remete ao do clube: a São Paulo Cristal, um blend de cachaças brancas mono e bidestiladas vendido em garrafa de 355 ml e conhecido popularmente como “Gorduchinha”.

Conversamos com Múcio Fernandes, que está à frente do Engenho desde a década de 1980 e também é vice-presidente do Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac), sobre o São Paulo Crystal, o Engenho São Paulo e sobre o mercado de cachaça paraibano, onde as cachaças de engenho fazem frente às industriais em bares, restaurantes, quiosques e botecos.

Por que o Engenho São Paulo resolveu comprar um clube de futebol?

A gente sempre teve a escolinha de futebol como atividade aqui no Engenho São Paulo. Isso vinha desde 2008, por aí. Era para que os filhos do pessoal que trabalhava pudessem ter uma atividade. Durante a safra, a empresa chega a empregar 450 trabalhadores. Fizemos convênio com a Prefeitura para ter acompanhamento escolar, cuidados com saúde… Aí, em 2017, veio essa oportunidade de assumir um clube. A gente acabou pegando.

E o sucesso foi rápido.

Jogamos dois anos na Segunda Divisão e subimos em 2019. Ficamos em sexto em 2020 e chegamos à semifinal no ano passado. Agora, estamos na disputa! Temos boas chances. Nosso objetivo é sermos campeões paraibanos e depois fazermos um bom papel na Série D do Brasileiro, que vamos jogar pela primeira vez. No ano que vem, queremos estar na Série C.

O seu envolvimento com o futebol veio como desdobramento da escolinha e por sua paixão, como bom rubro-negro, pelo jogo. Para o Engenho São Paulo, existe um retorno de marketing?

É interessante. A mídia espontânea que a gente gera para nossa marca é bem expressiva. Fizemos um cálculo e concluímos que só a exposição da marca na camisa, no peito do jogador, gera mídia avaliada em R$ 460 mil/ano, considerando apenas a aparição nas afiliadas da TV Globo em João Pessoa (TV Cabo Branco) e Campina Grande (TV Paraíba). E não falamos das placas no estádio (Carneirão) e outras exposições que também geram valor para a gente.

Sem contar a ligação da marca com as mensagens positivas do esporte e a proximidade do público da cachaça e do público do futebol, a identificação.

Exatamente! E isso a gente cultiva desde o tempo da escolinha, com todo o acompanhamento educacional e de saúde que a gente faz com os garotos. É uma conexão positiva que favorece a marca.

A safra na Paraíba começa no segundo semestre. Como vai ser a desse ano?

Vai ser abaixo do ano passado. Em 2021, o auxílio emergencial ajudou muito a renda do público que mais consome nossas marcas, que é as faixas C e D. A projeção a gente só faz em julho, pelo que foi estocado. No ano passado, o estoque estava bom, respondendo a um grande boom de vendas que tivemos em 2020, no primeiro ano da pandemia. No segundo semestre, a gente já viu uma acomodação.