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Mulheres da Vez, por Marcela Fujiy: Mulher não está mais no banco do passageiro

Mulheres da Vez, por Marcela Fujiy: Mulher não está mais no banco do passageiro

22 de março de 2022

Foto: m-imagephotography

Mulher não está mais no banco do passageiro nem pegando carona, é sim condutora da sua própria história; há quem ainda esteja olhando só pelo retrovisor. 

No mês em que aumentamos a visibilidade para a mulher por conta do 8/3, tivemos dois acontecimentos muito importantes para a representatividade feminina. 

O primeiro foi o anúncio de que a atriz Bruna Marquezine irá compor o elenco do filme Besouro Azul, sendo a primeira latina a participar das produções da DC.

O segundo foi o de que a cantora Anitta, que ao lançar seu solo Envolver, se tornou a primeira brasileira a estar no TOP 5 das músicas mais tocadas no mundo.

A minha alegria em ter duas brasileiras sendo reconhecidas mundialmente de uma forma tão expressiva, afinal Hollywood e TOP 5 Global no Spotify não é para qualquer uma – durou apenas alguns dias. 

Não demorou para que eu me deparasse na internet com ‘suspeitas’ de que Neymar, estrela do futebol e ex-namorado de Marquezine, havia ‘contribuído’ –  leia-se $$$$$ – para que Bruna fosse convidada a compor o elenco.

Dias depois, escuto um depoimento de Anitta,  relatando a opinião de muitos  à sua volta, sugerindo à ela compor a música em parceria – leia-se um homem –  pois ela ainda  não era forte o suficiente para conseguir estar no TOP 50 Global, sozinha. 

Anitta não só foi lá e lançou o single sozinha, mas também conseguiu estar não no TOP 50 mas no TOP 10 das músicas mais tocadas no mundo.

Marquezine, por sua vez, se dedica desde 2017 à sua carreira internacional, silenciosamente. Não foi algo da noite para o dia, como muitos podem pensar. 

Infelizmente, a associação do sucesso dessas duas mulheres à condição de ter um homem por trás não me surpreende.  O ano é 2022, porém os resquícios de uma sociedade machista e patriarcal ainda seguem enraizados  em todas as esferas da vida da mulher. 

Outro dia mesmo, eu escutei – em tom de brincadeira, claro, que o fato de meu pai ser um empreendedor de sucesso, e de meu marido trabalhar , na época em que nos casamos, na Europa – teriam sido fundamentais para o meu sucesso profissional. 

Memória é poder estranho, já dizia Rubens Alves, ela guarda coisas nas gavetas, coisas que nem sabemos que existem. Elas só abrem quando querem.

Pois bem, ao escrever esse texto, me lembro das várias ocasiões que, ainda morando na Suécia, e com uma carreira sólida e em crescimento em multinacionais, eu era invisível nas conversas em que as pessoas perguntavam apenas com o que Christian – meu marido – trabalhava na Suécia. Na lógica machista e patriarcal que vivemos, não há motivo para perguntar à esposa do homem que mora na Europa com que ela trabalha – ela obviamente é uma dona-de-casa. 

Há alguns anos, procurando um imóvel para alugar, o corretor que de alguma forma já sabia que tínhamos uma franquia, me pergunta se meu marido só trabalha com aquilo – a franquia é minha.

Fato que é tudo isso é resquício de uma sociedade em que a mulher era propriedade e moeda de troca. 

Poderia dizer aqui que muito se conquistou nos últimos 150 anos, porém nosso progresso tem sido lento. Poderia dizer ainda, como escrevi em meu último texto, que não haverá um futuro sustentável se não alcançarmos a igualdade de gênero. Poderia por fim discorrer sobre as medidas a serem tomadas para que isso aconteça com mais celeridade. 

Mas não o farei. O que eu irei fazer é dizer: Homens aceitem que dói menos. Nosso sucesso não depende em nada de vocês. Parem, apenas parem, e aceitem de que we girls run the world.

Sobre Marcela Fujiy

Marcela é graduada em Direito e pós-graduada em Administração de Empresas. Com mais de 15 anos imersa no meio empreendedor, a paraibana coleciona conquistas, cases de sucesso e muito aprendizado à frente das franquias Kopenhagen Manaíra e Cabo Branco, da aceleradora de negócios femininos BeLabs e da sua mais nova sociedade, a padaria artesanal “Farina In Natura”, também no Cabo Branco. Marcela já morou na Suécia e ministra palestra em diversos lugares do Brasil sobre empoderamento e empreendedorismo feminino.