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Veja como empresas familiares podem aprender com clubes de futebol na gestão de negócios

Veja como empresas familiares podem aprender com clubes de futebol na gestão de negócios

Times como Palmeiras, Flamengo, Atlético Mineiro e Botafogo investem na profissionalização de sua governança para seguirem ativos no mercado

7 de março de 2022

Quando se fala atualmente em clubes brasileiros de futebol, o assunto que vem ganhando a atenção do mercado não envolve somente a performance dos times em campo — quem ganha, quem perde, quem é rebaixado ou leva a taça. Hoje essas instituições vivem um novo momento, voltado para a profissionalização na gestão de seus negócios, com foco em tornar a atividade esportiva algo rentável.

Essa realidade de busca pela profissionalização também faz parte da vida das PMEs – pequenas e médias empresas atualmente. As exigências do mercado por empresas que sejam transparentes com seus stakeholders, saudáveis financeiramente, que ofereçam produtos e serviços que não beneficiem somente o próprio bolso, mas a sociedade como um todo, e que atuem com propósito são apenas algumas das condições que devem ditar a sobrevivência das PMEs daqui em diante.

Voltando ao exemplo dos clubes de futebol. Nos últimos meses, nomes como Botafogo, Atlético, Flamengo e Palmeiras conseguiram demonstrar em campo o resultado dessa profissionalização. O time alviverde elegeu uma presidente com grande experiência no mercado corporativo — Leila Pereira é dona da Crefisa, uma das patrocinadoras do Palmeiras, que chegou no fim do ano passado promovendo uma série de mudanças visando a reestruturação do clube, incluindo a redução das dívidas, corte de custos e adequação no elenco de jogadores.

Já o Botafogo, que também vivia um momento delicado, ao ser rebaixado para a série B e acumulando dívidas na ordem de R$1,3 bilhões — também optou por trazer um executivo de fora. Para escolher o profissional que estivesse alinhado a essa missão de reerguer o clube, o alvinegro optou por contratar uma empresa de seleção de executivos.

Gestão familiar

O Brasil tem grande parte das PMEs com gestão familiar. De acordo com dados do Sebrae e do IBGE, os números apontam que as empresas familiares são responsáveis por mais de 60% do PIB e 75% dos empregos no país.

Esse perfil de gestão muitas vezes acaba sendo um empecilho para essas companhias conseguirem alçar voos maiores. E trazer um profissional de fora, com uma visão de mercado, contribui para esse caminho. No caso do Botafogo, com a ajuda da EXEC – maior consultoria brasileira na seleção e desenvolvimento de executivos e conselheiros – o clube está sob o comando do presidente executivo Jorge Braga desde o fim do ano passado. Na mala, ele traz experiências vivenciadas em grandes corporações como a Claro e a Serasa.

Enquanto Braga cuida da parte operacional e tem a missão de reerguer as finanças e a saúde do time — que já conseguiu voltar para a série A — Durcésio Mello ocupa a cadeira de presidente eleito e está à frente do trabalho mais institucional do clube. “Sócios e conselheiros vitalícios tinham poder sobre os times de futebol e a política interna acabava incentivando a chegada de presidentes pouco preparados para a gestão de uma máquina que movimenta somas estratosféricas”, afirma Lúcio Daniel, sócio da EXEC que liderou o processo de seleção de Braga.

Trazendo esse exemplo para a realidade das PMEs, é bastante comum encontrar empresas regidas por famílias que estão enfrentando dificuldades financeiras e de atuação, porém, que não conseguem abrir mão de sua influência na companhia para entregá-la nas mãos de profissionais que não tem ligação emocional com o negócio e podem encontrar novas soluções.

Para o sócio da EXEC, fazer essa transição não é um processo fácil. “Os clubes precisam abdicar da influência da política, algo que é centenário e transformar a gestão em um ambiente mais profissional. É um processo doloroso, mas podemos mostrar que com a experiência do Botafogo e de alguns clubes de fora o que se tem a ganhar com essa transformação”. 

Governança corporativa

A chegada de um profissional com uma nova mentalidade estimula o desenvolvimento da governança corporativa nas empresas — no caso dos clubes, até então era regido pelos interesses dos sócios. No caso das empresas familiares, pelo pai, mãe, tio ou filhos que estão à frente do negócio.

Porém, segundo a 4ª edição da pesquisa Retratos de Família: um panorama das práticas de governança corporativa e perspectivas das empresas familiares brasileiras, produzida pelo ACI Institute e Board Leadership da KPMG no Brasil, os empreendimentos familiares brasileiros seguem desenvolvendo de forma acelerada suas estruturas e práticas de governança corporativa.

“Hoje os clubes estão ganhando os campeonatos, equilibrando as contas, trabalhando a comunicação da marca de forma transparente com os torcedores. O Brasil ainda está engatinhando nesse movimento, porém, ainda há muito a ser feito”, enfatiza Lúcio Daniel, trazendo a questão da governança para os clubes.

Conselho independente

Após a contratação do novo presidente executivo, o Botafogo também instaurou um conselho independente, que passou a contar somente com executivos de fora, sem maioria de sócios. A partir de então tem a contribuição de profissionais de diversos segmentos do mercado que trazem novas ideias e ajudam a definir outros rumos.

O sócio da EXEC aponta ganhos importantes com essa atitude. “Isso é positivo porque o investidor de fora fica mais confortável em pisar nesse terreno para investir, pois as informações são transparentes, a gestão está profissionalizada e não tem mais intervenção dos ‘donos’. A gestão está profissionalizada e não tem mais intervenção política. Esse é o primeiro passo para a estruturação da governança, que vai ser cada vez mais uma condição de sobrevivência para o futuro”, conclui.