Mercado pet cresce com avanço da alimentação para gatos, vestuário e suplementos
Dados da Scanntech mostram que a participação da alimentação para gatos subiu de 28,4% para 31% em 2026, enquanto vestuário pet teve alta de 102,2% no faturamento
13 de outubro de 2026
O mercado pet no varejo alimentar avança em 2026, impulsionado pela maior demanda por produtos para gatos, comportamento crescente desde a pandemia de Covid-19, em 2020. Segundo levantamento da Scanntech, empresa de inteligência de dados para o varejo e a indústria de bens de consumo, a alimentação para cães continua sendo a principal categoria do segmento, mas sua participação caiu de 56,2% para 54,1% no acumulado deste ano. No mesmo período, a alimentação para gatos passou de 28,4% para 31,0%.
“Esse movimento vem se consolidando nos últimos anos e acompanha uma mudança estrutural no perfil das famílias. Segundo o Censo do IBGE, os lares unipessoais passaram de 10% para 19% entre 2010 e 2022, e os casais sem filhos, de 20,2% para 24,1%. Em residências menores e com menos moradores, o gato tende a ganhar espaço pelo porte e pela independência. E o crescimento vem da quantidade comprada, não de aumento de preço: o consumidor está, de fato, levando mais produtos para gatos”, afirma Felipe Passarelli, Head de Inteligência de Mercado da Scanntech.
Vestuário e suplementos, categorias com participação ainda reduzida no mercado pet, também se destacam entre os segmentos com maior crescimento no período. De acordo com os dados da empresa, coletados diretamente dos cupons fiscais de venda, vestuário pet apresentou crescimento de 102,2% em faturamento e alta de 35,7% nas unidades vendidas. Já os suplementos registraram alta de 42,2% em faturamento e de 32,6% nas unidades.
Em higiene, o crescimento foi puxado principalmente por preço. A areia higiênica avançou 7,6% em faturamento, com unidades estáveis (+0,1%), e os produtos antipulgas e carrapatos cresceram 12,4% em faturamento e 0,9% em unidades. O tapete higiênico teve alta de 5,1% em faturamento e 2,1% em unidades.
Nem todas as categorias acompanharam esse ritmo. Os acessórios recuaram 10,9% em faturamento e 13,6% em unidades, e os produtos para banho caíram 4,4% em faturamento e 9,9% em unidades.
Fora da alimentação, os movimentos são bem diferentes entre si. Em vestuário e suplementos, o faturamento cresce junto com as unidades, sinal de demanda. Em itens de higiene como areia e antipulgas, o faturamento sobe com unidades praticamente estáveis, ou seja, o que move a categoria é o preço. Já em acessórios e banho, a queda aparece nas duas métricas. Entender se o motor de cada categoria é demanda, preço ou mix é o que permite à indústria e ao varejo enxergar onde estão as oportunidades, afirma Felipe Passareli.
Rações úmidas e petiscos para gatos crescem acima da ração seca
Dentro da alimentação para gatos, o crescimento é generalizado. A ração seca, que responde por 17,5% das vendas da cesta pet, cresceu 12,4% em faturamento e 14,6% em unidades. A ração úmida registrou alta de 11,9% em faturamento e 9,9% em unidades. O maior destaque, porém, são os petiscos, que avançaram 26,1% em faturamento e 23,1% em unidades e ampliaram sua participação de 1,8% para 2,2% das vendas pet.
Entre os produtos para cães, o desempenho foi mais heterogêneo. A ração seca, principal item da categoria, recuou 1,3% em faturamento, mesmo com alta de 2,1% nas unidades vendidas. A ração úmida, por outro lado, cresceu 4,9% em faturamento e 3,1% em unidades.
Assim como na alimentação das próprias famílias, vemos um consumidor que busca mais experiência e palatabilidade para o animal de estimação. Nos cães, a ração úmida avança enquanto a seca recua; nos gatos, os petiscos crescem mais de 20% em faturamento e em unidades, afirma Passareli.
