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Foto: Divulgação

Etarismo no mercado de trabalho limita oportunidades e desperdiça talentos

Preconceito contra profissionais acima dos 40 anos reforça estereótipos e evidencia a importância de processos seletivos baseados em competências

13 de outubro de 2026

No filme “O Estagiário”, o ator Robert De Niro interpreta Ben Whittaker, um viúvo de 70 anos que decide voltar ao mercado de trabalho e se torna estagiário em uma empresa de tecnologia. Ao lado de colegas mais jovens, ele demonstra que experiência, capacidade de adaptação e disposição para aprender podem coexistir em qualquer fase da vida. Fora das telas, porém, profissionais maduros ainda enfrentam barreiras para conquistar oportunidades, permanecer em seus empregos ou avançar na carreira.

O cenário reflete o etarismo, preconceito baseado na idade que afeta principalmente profissionais mais velhos e se manifesta em processos seletivos, promoções e decisões de contratação. Mesmo com experiência acumulada e conhecimentos consolidados, pessoas acima dos 40 ou 50 anos ainda são associadas, de forma equivocada, à dificuldade de aprender, à resistência a mudanças e à falta de familiaridade com novas tecnologias.
Para a psicóloga Márcia Peixoto, especialista em Gestão de Pessoas e diretora da Roots Talent, parte desse preconceito nasce da associação entre juventude e capacidade profissional, como se a experiência perdesse valor com o passar dos anos. Dados da pesquisa Talent Trends 2025 indicam que 41% dos profissionais brasileiros já sofreram etarismo ao longo da carreira. Entre trabalhadores com mais de 50 anos, cerca de 70% enfrentam dificuldades significativas para retornar ao mercado de trabalho ou avançar profissionalmente em razão da idade.
“Um dos principais preconceitos é acreditar que o profissional perde a disposição e o ritmo de trabalho. Essa visão ignora que a idade não determina o potencial de uma pessoa nem sua capacidade de contribuir para os resultados de uma empresa”, explica Márcia.
Processos seletivos sem preconceito
O enfrentamento do etarismo passa pela revisão das práticas de recrutamento e seleção. Empresas e profissionais de Recursos Humanos precisam avaliar os candidatos com base em competências, experiências e habilidades necessárias para cada função, sem permitir que estereótipos relacionados à idade interfiram nas decisões.
A atualização profissional é uma exigência de um mercado em constante transformação, mas não está restrita a uma geração. Da mesma forma que a juventude não garante, por si só, maior capacidade de aprendizado, a maturidade não representa um impedimento ao desenvolvimento de novas habilidades.
“As pessoas acreditam que os jovens têm mais vigor e aprendem com mais rapidez, mas essa não é uma questão de idade. A capacidade de aprender, estudar e se atualizar está muito mais relacionada ao interesse e ao comportamento de cada profissional do que à faixa etária”, afirma a psicóloga.
Além de ampliar os critérios de avaliação, as organizações podem rever a linguagem utilizada nos anúncios de vagas, capacitar os recrutadores para identificar vieses inconscientes e acompanhar os resultados dos processos seletivos. Essas medidas ajudam a reduzir barreiras e a tornar as contratações mais alinhadas às competências efetivamente exigidas pelo trabalho.
Diversidade geracional fortalece equipes
A convivência entre profissionais de diferentes gerações pode ampliar o repertório das equipes e favorecer a troca de conhecimentos. Enquanto a experiência contribui para a análise de cenários, a gestão de desafios e a compreensão de processos, diferentes trajetórias profissionais também podem trazer novas perspectivas, métodos e soluções.
O benefício, no entanto, depende de ambientes que valorizem a colaboração e ofereçam oportunidades reais de participação a todos, independentemente da idade. Não se trata de atribuir características fixas a cada geração, mas de reconhecer que equipes diversas podem reunir experiências e competências complementares.
É justamente essa possibilidade que O Estagiário coloca em evidência: a relação entre Ben e seus colegas mostra que o aprendizado não precisa seguir uma única direção. Profissionais experientes também têm muito a ensinar, assim como podem aprender com pessoas mais jovens.
“Em um mercado que exige cada vez mais capacidade de adaptação, desconsiderar talentos por sua faixa etária significa desperdiçar experiências e competências que podem contribuir para os resultados das organizações”, conclui Márcia.
Combater o etarismo, portanto, vai além de ampliar o acesso de profissionais maduros ao mercado de trabalho. Significa reconhecer que potencial, aprendizado e capacidade de entrega não têm prazo de validade e que a idade, isoladamente, não deve definir o valor de um profissional.
Fonte: Vivass Comunicação