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compra recorrente
Foto: Magnific

Compras internacionais viram hábito mensal para quatro em cada dez consumidores

Levantamento da CNDL e do SPC Brasil mostra média de quatro pedidos em três meses e estima que 81,2 milhões de brasileiros compraram produtos importados nos últimos 12 meses

13 de outubro de 2026

As compras em sites internacionais já fazem parte da rotina mensal de 41% dos consumidores. A frequência indica que a importação deixou de ser apenas uma alternativa utilizada em situações pontuais e passou a ocupar espaço recorrente no comportamento de compra dos brasileiros.

O dado integra a pesquisa “Comportamento de compra do consumidor em sites internacionais”, realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise.

Nos três meses anteriores ao levantamento, os consumidores realizaram, em média, quatro pedidos em sites estrangeiros. O volume representa mais de uma compra por mês e reforça a consolidação dessas plataformas na jornada de consumo.

Entre os consumidores digitais que utilizaram canais com vendedores estrangeiros, 61% compraram ao menos um produto importado nos últimos 12 meses. Isso representa aproximadamente 81,2 milhões de pessoas, crescimento de 13,1 milhões em comparação com 2025.

A frequência é favorecida pela presença de grandes plataformas que já fazem parte do cotidiano digital do brasileiro. Shopee, utilizada por 76% dos entrevistados, Mercado Livre, com 70%, e Amazon, com 45%, lideram entre os canais utilizados para compras.

Quando o recorte considera os sites específicos para importação, a Shopee permanece na primeira posição, com 73%, seguida pela Shein, com 50%. Amazon e Mercado Livre aparecem empatados, ambos com 44%.

O hábito mensal também está relacionado às categorias mais adquiridas. Roupas lideram as compras no exterior, com 45%, seguidas por acessórios de moda, com 28%, calçados e cosméticos, ambos com 25%. São segmentos com ampla variedade de produtos, renovação constante da oferta e preços que favorecem compras recorrentes.

A média de quatro pedidos em três meses não significa necessariamente gastos elevados em cada transação. O ticket médio da última compra internacional foi de R$ 188, abaixo dos R$ 225 registrados nas compras nacionais.

O valor relativamente menor pode estimular a divisão do consumo em diferentes pedidos, especialmente quando o comprador encontra promoções, novidades ou produtos específicos em momentos distintos. O PIX, utilizado por 61%, também facilita o pagamento imediato de compras de menor valor.

A recorrência aumenta a importância de fatores que vão além do preço. À medida que o consumidor repete a experiência, atendimento, prazo de entrega, segurança e facilidade de pagamento passam a influenciar a permanência nas plataformas.

Embora 81% se declarem satisfeitos ou muito satisfeitos, 37% relataram algum problema na última compra internacional. A falta de suporte ao cliente, mencionada por 12%, e a entrega fora do prazo, com 10%, lideram as ocorrências.

Para as plataformas estrangeiras, transformar uma primeira compra em hábito depende da capacidade de reduzir essas fricções. Para o varejo brasileiro, o cenário mostra que a disputa não ocorre apenas por uma venda isolada, mas pela frequência e pela construção de uma rotina de consumo.

Quatro em cada dez consumidores já compram mensalmente em sites internacionais. O dado revela que essas plataformas deixaram de ocupar uma posição periférica e passaram a concorrer de forma recorrente pelo orçamento destinado a roupas, acessórios, calçados, cosméticos e outras categorias.

Fonte: CNDL