Compradores intensivos quase dobram e criam novo desafio para o varejo digital, revela pesquisa
Pesquisa da CNDL e do SPC Brasil aponta avanço nas compras recorrentes e aumento de problemas relatados pelos consumidores
8 de outubro de 2026
O consumidor online brasileiro está comprando com maior frequência. Pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise Pesquisas, aponta que a parcela que realizou entre 11 e 20 compras no mês anterior ao levantamento passou de 7% para 12%.
O avanço de 5 pontos percentuais representa um crescimento proporcional superior a 70% e aproxima o grupo do dobro da participação observada no ano anterior. Ao mesmo tempo, a parcela que fez de uma a três compras recuou 7 pontos percentuais.
A média geral também aumentou, passando de 4,6 para 5,1 pedidos mensais. Os dados mostram que o comércio eletrônico deixa de ser utilizado apenas para aquisições pontuais e se incorpora a diferentes situações do cotidiano.
As categorias mais compradas reforçam essa transformação. Vestuário lidera, com 48%, seguido por delivery de comida, com 42%; remédios e produtos de saúde, com 36%; cosméticos, com 33%; e artigos para casa, com 30%.
A presença de alimentos preparados, medicamentos, beleza e itens domésticos contribui para elevar a frequência, pois envolve necessidades recorrentes e produtos de reposição. O consumidor pode distribuir seus pedidos ao longo do mês em vez de concentrar todas as aquisições em um único carrinho.
Para o varejo, o comprador intensivo representa uma oportunidade de ampliar receita, relacionamento e conhecimento sobre hábitos de consumo. Um histórico maior de interações permite aprimorar recomendações, personalizar ofertas e identificar ciclos de reposição.
A frequência elevada, porém, também aumenta a exposição a falhas. Quanto mais pedidos uma pessoa realiza, maior é o número de ocasiões em que atrasos, avarias, indisponibilidade de produtos ou problemas no atendimento podem ocorrer.
Essa pressão já aparece nos resultados da pesquisa. A proporção de consumidores que enfrentou algum problema na última compra subiu de 20% para 27%. Entrega fora do prazo, produto diferente do anunciado e item danificado foram as ocorrências mais frequentes.
O desafio do varejo não será apenas conquistar novos compradores, mas sustentar uma operação capaz de atender quem retorna várias vezes no mesmo mês. Para esse público, uma experiência positiva isolada pode não ser suficiente. A confiança depende da repetição do bom desempenho.
Programas de fidelização, assinaturas, recompensas e ofertas personalizadas podem ganhar relevância, especialmente em categorias recorrentes. No entanto, esses recursos dificilmente compensam falhas em preço, estoque, prazo ou qualidade.
O crescimento dos compradores intensivos mostra que o comércio eletrônico entrou em uma fase na qual a recorrência pesa tanto quanto a aquisição. A vantagem estará com as empresas capazes de reconhecer esse consumidor e manter o padrão de atendimento pedido após pedido.
Fonte: CNDL
