Kassuá aposta em presentes corporativos para fortalecer pequenos produtores e comunidades
Curadoria nordestina criou uma rede que transforma a compra de kits empresariais em indicador de geração de renda, valorização cultural e responsabilidade socioambiental
7 de outubro de 2026
Escolher um presente corporativo é, também, fazer uma escolha sobre consumo. Por trás de uma caixa entregue a um cliente, fornecedor ou colaborador existe uma cadeia que começa na matéria-prima, passa por quem produz e termina no destino do dinheiro movimentado pela compra. É a partir dessa perspectiva que a Kassuá, curadoria de presentes corporativos com foco em produtos de pequenos produtores e artesãos do Nordeste, criou a Rede Kassuá de Impacto Territorial.
A proposta é dar visibilidade ao que normalmente fica fora da embalagem: os efeitos econômicos, sociais, culturais e ambientais provocados por cada compra. Empresas e instituições que adquirem os kits da marca ao longo do ano passam a integrar a rede e, ao final do período, recebem um certificado que registra o impacto associado às escolhas de consumo.
Em vez de premiar o tamanho do investimento, a iniciativa considera a capacidade de cada compra de movimentar o território. O reconhecimento leva em conta fatores como geração de renda para comunidades quilombolas e agrícolas, fortalecimento de pequenos negócios, valorização de saberes tradicionais e utilização de materiais de menor impacto ambiental.
Os próprios kits refletem essa lógica. As composições podem utilizar caixas de papel biodegradável, peças em MDF pintadas à mão e embalagens reutilizáveis, além de produtos desenvolvidos por empreendedores locais. Cerca de 80% dos itens comercializados pela Kassuá são produzidos na Paraíba.
Uma iniciativa que nasceu na pandemia
A história da Kassuá começou em dezembro de 2020, em meio às restrições provocadas pela pandemia. Natural de Campina Grande, a empresária Renata Almeida percebeu naquele momento uma dificuldade que se repetia entre pequenos produtores: havia produção, mas faltavam canais de comercialização capazes de aproximar esses negócios do consumidor.
A solução foi criar uma curadoria que reunisse diferentes produtos em torno de uma mesma narrativa: a diversidade cultural e produtiva do Nordeste.
O próprio nome carrega essa origem. Kassuá faz referência ao “caçuá”, cesto de palha tradicionalmente utilizado no sertão nordestino para transportar mercadorias. A marca começou com essa conexão entre produto e território e, desde então, ampliou sua atuação. Hoje, mantém loja física no Boa Nova Center, em João Pessoa, além de atender clientes de diferentes estados por meio do site e do WhatsApp.
Segundo Renata, a empresa trabalha com a ideia de que a curadoria pode funcionar como uma ponte entre o mercado corporativo e uma rede de produtores que, muitas vezes, encontra dificuldade para acessar grandes canais de venda.
Quatro níveis de impacto
A classificação está relacionada ao impacto gerado pela compra e é organizada em quatro níveis, batizados com nomes de gemas associadas a diferentes regiões do Nordeste.
O Quartzo Sertão identifica empresas que começam a incorporar a valorização do território e dos pequenos produtores às suas escolhas.
Na categoria Opala do Piauí, entram empresas que ampliam essa relação e transformam o presente corporativo em uma experiência que também envolve cultura, economia local e identidade regional.
A Esmeralda da Bahia representa organizações que mantêm uma atuação mais contínua no fortalecimento de cadeias produtivas e comunidades locais.
No topo da classificação está a Turmalina Paraíba, destinada aos parceiros que assumem uma participação mais relevante e passam a atuar, por meio de suas escolhas de consumo, como agentes de transformação social e cultural.
“A lógica desloca o foco do preço para o percurso do produto. O que está sendo reconhecido não é simplesmente quanto uma empresa comprou, mas o que a compra ajudou a movimentar”, explica Renata.
Segundo ela, a proposta também dialoga com uma mudança no comportamento do mercado. “À medida que práticas ambientais, sociais e de governança passam a integrar a agenda das empresas, cresce a necessidade de transformar conceitos como responsabilidade socioambiental e cadeia de valor em ações que possam ser identificadas e comunicadas”, detalha a empresária.
A Rede Kassuá estabelece essa conexão por meio de seis Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas: erradicação da pobreza (ODS 1), fome zero e agricultura sustentável (ODS 2), igualdade de gênero (ODS 5), trabalho decente e crescimento econômico (ODS 8), cidades e comunidades sustentáveis (ODS 11) e consumo e produção responsáveis (ODS 12).
Na prática, a atuação da curadoria alcança diferentes elos dessa cadeia. Entre ele, estão o estímulo à agricultura familiar, o apoio a mulheres agricultoras e artesãs, a valorização do patrimônio cultural de comunidades e iniciativas relacionadas à reeducação e ressocialização de mulheres privadas de liberdade.
Ao final do ano, o certificado entregue às empresas participantes pode ser utilizado em relatórios ESG, apresentações institucionais, sites e redes sociais.
A iniciativa conta ainda com consultoria técnica de Danilo de Oliveira Aleixo, doutor em Recursos Naturais e especialista em sustentabilidade aplicada e métricas ambientais. Pesquisador, Danilo é responsável pela criação do modelo IPAI (Índice de Pegadas Ambientais Integradas), metodologia que reúne as pegadas hídrica, ecológica e de carbono em uma avaliação ambiental integrada.
