Fim das bets pode devolver R$ 65 bilhões por ano à economia, aponta Sebrae
Rodrigo Soares afirma que recursos destinados às apostas deixaram de circular no comércio e nos serviços e destaca apoio do Sebrae durante a transição tributária
1 de outubro de 2026
O impacto das apostas eletrônicas sobre a circulação de recursos na economia e os desafios enfrentados pelos pequenos negócios durante a transição para a Reforma Tributária foram destacados pelo presidente nacional do Sebrae, Rodrigo Soares. Segundo ele, o avanço das bets tem provocado efeitos no comércio, nos serviços e em outros setores da economia, enquanto a entidade atua para orientar os empreendedores diante das mudanças no sistema tributário.
De acordo com Rodrigo, o Sebrae estima que cerca de R$ 65 bilhões por ano deixaram de circular em setores como comércio e serviços em razão dos recursos destinados às apostas. Para ele, a restrição às bets pode contribuir para que parte desse dinheiro volte a movimentar a economia.
“Nos pequenos negócios, a gente tem percebido que deixou de ter movimentações, varejo, comércio, serviço, entre outros setores, de cerca de R$ 65 bilhões por ano, com a perda que foi pra essa questão das apostas”, afirmou.
O presidente do Sebrae também citou os impactos sociais relacionados às apostas e afirmou que a entidade acompanha o tema por meio de um comitê de estudos. Segundo os dados apresentados por ele, os gastos do Sistema Único de Saúde (SUS) com saúde mental teriam aumentado 140% entre 2018 e 2025, chegando a R$ 30 bilhões anuais.
“De fato, é uma questão de saúde pública. Várias associações a gente tem dialogado sobre isso, preocupados. Atinge milhões de brasileiros, de famílias brasileiras, tem um custo social e mental muito alto”, declarou.
Na avaliação apresentada por Rodrigo, o encerramento das atividades das bets pode representar uma oportunidade para a retomada da circulação desses recursos em setores tradicionais da economia. “A gente percebe que pode ter um incremento com o fim das bets, e esse dinheiro voltar pra economia, que também é uma ação que a gente vai ver que será importante mais na frente”, acrescentou.
Reforma Tributária – Paralelamente, o Sebrae tem atuado em conjunto com a Receita Federal, o Conselho Federal de Contabilidade e empresas de contabilidade para orientar micro e pequenos empreendedores sobre as mudanças provocadas pela Reforma Tributária.
Rodrigo destacou que a mobilização contribuiu para a ampliação do prazo para adesão ao Simples Nacional, que passou a ter como novo limite o dia 30 de outubro. Segundo ele, a entidade continuará oferecendo atendimento aos empreendedores durante esse período.
“Até lá, a gente vai continuar com toda a nossa rede de atendimento, a central nossa funcionando 24 horas, sete dias por semana, pra intensificar esse processo”, afirmou.
Segundo o presidente do Sebrae, cerca de 10 milhões de micro e pequenas empresas poderão avaliar a opção pelo regime tributário mais adequado. A entidade também disponibilizou um simulador para auxiliar os empresários na comparação entre as alternativas, considerando informações como faturamento, atividade econômica e custos da empresa.
A ferramenta está disponível desde 25 de agosto e permite que o empreendedor faça uma estimativa sobre a alternativa mais adequada para o negócio diante das mudanças previstas pela Reforma Tributária.
Fonte: ASN