Imóvel parado à venda: veja o que pode dificultar a negociação e como mudar a estratégia
Especialista da Núcleo Imobiliária explica como precificação, conservação e divulgação influenciam o tempo de venda
18 de setembro de 2026
Colocar um imóvel à venda e passar meses sem encontrar comprador é uma situação comum no mercado imobiliário. Segundo dados da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), o tempo médio para concluir a venda de um imóvel no Brasil é de 16 meses.
Para o especialista Ivan Rocha, sócio da Núcleo Imobiliária, a precificação está entre os principais fatores que podem prolongar esse período. Segundo ele, é comum que proprietários definam o valor do imóvel a partir da própria expectativa, sem considerar uma avaliação do preço praticado na região e as características do bem. “Muitos imóveis são colocados à venda com base na expectativa do proprietário, sem um estudo ou análise de preço”, explica.
O valor, no entanto, não é o único elemento considerado por quem está em busca de um imóvel. Características como localização, posição solar e estado de conservação também podem influenciar a procura e, consequentemente, o ritmo da negociação.
Quando é hora de rever a estratégia
Não existe um período fixo que determine quando um ativo imobiliário está há tempo demais no mercado. A quantidade de interessados e de visitas, porém, pode servir como um termômetro para avaliar se o anúncio e o preço estão adequados.“Tudo depende da possibilidade de aguardar pela venda. Quando o vendedor está com pressa, é possível avaliar reduções de valor a cada 30 dias, com base na quantidade de visitas realizadas ao imóvel”, pondera Ivan.
Nesse cenário, a análise pode envolver desde o preço anunciado até a forma como o imóvel está sendo apresentado nos portais e canais de divulgação. Isto porque antes mesmo de visitar um imóvel, o comprador costuma ter o primeiro contato com o bem por meio de fotos e informações disponíveis no anúncio. Dessa forma, a apresentação pode fazer diferença na decisão de conhecer o espaço pessoalmente.
“O ideal é preparar o imóvel antes de iniciar a divulgação e visitas. Ambientes organizados, com menos móveis e objetos pessoais, favorecem a visualização dos espaços. A iluminação natural também pode contribuir para fotos mais fiéis ao imóvel”, recomenda.
Ivan ressalta cozinha e banheiro como áreas bastante observadas pelos compradores e que merecem atenção especial. Além de pequenos problemas de manutenção, como pintura desgastada, infiltrações aparentes ou portas com dificuldade de fechamento, que podem ser resolvidos antes das visitas.
Intermediação também envolve segurança
Outro ponto levantado pelo especialista é a condução das visitas. “Um grande risco, para quem vende o imóvel onde ainda mora, é abrir a residência para possíveis compradores sem nenhuma análise ou cadastro prévio, diferente de uma imobiliária, que coleta dados do interessado antes de agendar a visita”, alerta.
Além da segurança, a intermediação profissional pode ampliar os canais utilizados para divulgar o imóvel. “As imobiliárias têm acesso ao cadastro de imóveis em diversos portais de abrangência nacional que não permitem anúncios diretamente por proprietários”, afirma.
Ivan também conta que em alguns casos, como na Núcleo Imobiliária, também é promovida a venda por meio de divulgação em redes sociais, com todos os custos assumidos pela imobiliária. Na prática, isso coloca o imóvel em vitrines que o proprietário não alcançaria sozinho, sem custo adicional para quem vende.

