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Foto: Secom PB

Orquestra Sinfônica da Paraíba apresenta concerto com estreia mundial e solos de clarinete e flauta

7º concerto da temporada 2026 acontece nesta quinta-feira, no Espaço Cultural, com entrada gratuita e obras de Beethoven, Debussy e compositores brasileiros

18 de setembro de 2026

O concerto da Orquestra Sinfônica da Paraíba da próxima quinta-feira, 24 de setembro, terá uma estreia mundial e vai contar com a participação de dois solistas: o clarinetista Alphonsos Silveira e a flautista Felícia Coelho. É o 7º concerto oficial da temporada 2026, que vai trazer músicas de Debussy, Beethoven e dos brasileiros Rogério Borges e Liduino Pitombeira.

Com regência do maestro Gustavo de Paco de Gea, o concerto integra a Série Eleazar de Carvalho e terá início às 20h30, na Sala de Concertos Maestro José Siqueira, no Espaço Cultural, em João Pessoa. A entrada é gratuita e aberta ao público, sem necessidade de retirada de ingresso na bilheteria.

A abertura da noite de música será com “Coriolano, Op.62”, música do compositor austríaco Ludwig van Beethoven. Em seguida, a orquestra executará “Primeira Rapsódia para Orquestra com Clarinete Solista”, do francês Claude Debussy, e a estreia mundial do “Concertino Armorial para Clarinete e Orquestra (Fantasia Nordestina, Andarilho e Frevando na Paraíba)”, obra do paraibano Rogério Borges, ambas com a participação do clarinetista Alphonsos Silveira como solista.

A flautista Felícia Coelho sobe ao palco logo depois para tocar, com a OSPB, uma composição do cearense Liduíno Pitombeira: “Três Lendas Brasileiras Opus 239”, com os movimentos Curupira, Iara e Saci-Pererê.

Sobre o repertório executado nesse concerto, o maestro Gustavo de Paco detalhou fatos da primeira música, a Abertura Coriolano, de Beethoven. “A obra foi composta em 1807 e, ao contrário do que muitas pessoas pensam, não foi inspirada diretamente na tragédia de William Shakespeare. Beethoven escreveu a abertura para a tragédia Coriolan, do dramaturgo austríaco Heinrich Joseph von Collin, que também se inspirou na história do antigo líder romano Caio Márcio Coriolano”, explicou.

“Depois teremos a participação dos solistas. O primeiro será o nosso querido clarinetista Alphonsos Silveira, que interpretará duas obras. A primeira é a Primeira Rapsódia, de Debussy, uma das obras mais importantes do repertório para clarinete do início do século XX e que apresenta uma grande variedade de temas e uma linguagem harmônica muito rica. Em seguida, teremos, com o mesmo solista, uma estreia mundial: o Concertino Armorial para Clarinete e Orquestra, do compositor Rogério Borges, que presta homenagem à cultura popular nordestina e ao Movimento Armorial”.

O maestro ressaltou que a obra é composta por três movimentos bastante distintos e procura retratar aspectos da vida e da cultura do povo nordestino. “É uma peça que reúne elementos da tradição popular e da linguagem armorial, explorando diferentes possibilidades sonoras e técnicas do instrumento”.

“Para finalizar o concerto, teremos como solista a nossa flautista Felícia Coelho, que interpretará Três Lendas Brasileiras: Concerto para flauta e orquestra, do compositor cearense Liduino Pitombeira, um dos importantes compositores brasileiros em atividade”, continuou o maestro Gustavo. “O concerto para flauta e orquestra foi dedicado à nossa solista Felícia Coelho. Será um encerramento muito especial, principalmente porque é uma obra relativamente recente e que ainda não teve muitas oportunidades de ser apresentada”, finalizou.

O clarinetista Alphonsos Silveira falou sobre as duas músicas que vai executar nesse concerto. “A Primeira Rapsódia, de Debussy é uma obra brilhante composta entre 1909 e 1910 para clarinete e piano. Sedutora, caprichosa e altamente poética, explora todos os registros e recursos expressivos do clarinete, alternando momentos de sonho e vivacidade. Foi encomendada originalmente como peça de concurso para o Conservatório de Paris, tornando-se um dos pilares fundamentais do repertório para o instrumento”, explicou.

“O Concertino Armorial para Clarinete e Orquestra Sinfônica, de Rogério Borges, foi composto em 2019 e contém três andamentos: Fantasia Nordestina, Andarilho e Frevando na Paraíba. Essa obra nasce do encontro entre a tradição da música de concerto e a música popular nordestina. Suas melodias, ritmos, danças e referências aos folguedos populares são recriados dentro de uma linguagem sinfônica, levando para a sala de concerto elementos que fazem parte da identidade cultural do povo nordestino. A obra transforma gestos, sonoridades e imaginários do Nordeste em matéria musical para o clarinete solista e a orquestra sinfônica”, continuou Alphonsos.

“Para mim é sempre uma honra poder solar à frente da Orquestra Sinfônica da Paraíba, a qual faço parte. Isso mostra o reconhecimento do maestro sobre o trabalho que tenho feito como instrumentista. Tocar Debussy é sempre um desafio, assim como interpretar sensações e sentimentos através do som. Estou muito feliz também por fazer a estreia mundial interpretando a obra do compositor Rogério Borges”, comemorou.

“Participar deste concerto como solista da Orquestra Sinfônica da Paraíba tem um significado muito especial para mim, pois minha trajetória musical está profundamente ligada a ela e a muitos dos músicos com quem estarei no palco”, disse a flautista Felícia Coelho.

“O maestro Gustavo de Paco, por exemplo, foi preparador dos sopros quando integrei a Orquestra Infantil da Paraíba e, posteriormente, meu professor durante o Bacharelado em Música na UFPB. Também fiz parte da Orquestra Sinfônica Jovem da Paraíba e, por diversas ocasiões, participei de concertos da OSPB como musicista convidada”.

Felícia Coelho destacou a importância da obra que vai interpretar. “Três Lendas Brasileiras é um concerto para flauta e orquestra de Liduíno Pitombeira, um dos nomes de destaque da música de concerto brasileira contemporânea. O concerto foi composto em 2019, e tive a grande honra e o privilégio de recebê-lo em dedicatória. Seus três movimentos são inspirados em personagens muito presentes no imaginário brasileiro: Curupira, Iara e Saci-Pererê”.

De acordo com a flautista, a obra revela uma forte brasilidade, tanto pelas personagens que lhe servem de inspiração quanto pelos elementos musicais que incorpora. “Ao longo da peça aparecem referências a ritmos brasileiros, como o baião e o maracatu cearense, além de citações de cantos de tradição afro-brasileira e de fragmentos transformados de obras de Villa-Lobos”, continuou.

“Esta apresentação será ainda mais significativa por marcar a estreia nordestina do concerto. Além da relação pessoal que tenho com a obra, ela dialoga diretamente com a pesquisa que desenvolvo atualmente no doutorado em Música da UNIRIO, dedicada aos mitos e lendas como referenciais associativos na música de concerto brasileira para flauta”.

“Por tudo isso, estou muito animada para o dia 24. Espero que o público também possa se envolver com esse universo tão brasileiro e com a maneira tão particular como essas três personagens ganham vida por meio da música”, destacou.

O regente
Gustavo de Paco de Gea é natural de Buenos Aires, formou-se no Conservatório Juan José Castro. Atuou como flautista e docente em orquestras argentinas até 1978, quando passou a lecionar Flauta Transversal na Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Fundou o Quinteto Latinoamericano de Sopros da UFPB, com apresentações no Brasil e no exterior.

Desde 1980, é primeiro flautista da Orquestra Sinfônica da Paraíba, destacando-se na promoção da música nordestina. Em 1985, assumiu o mesmo posto na Orquestra Sinfônica do Recife e no respectivo quinteto de sopros. Foi professor convidado do Centro de Criatividade Musical de Recife (1996–1997) e preparador da Orquestra Infantil da Paraíba.

Iniciou-se como maestro em 2001, fundando a Orquestra de Câmara Municipal de João Pessoa, onde atuou até 2010. Em 2012, tornou-se maestro da Orquestra Criança Cidadã e, em 2014, maestro assistente da Orquestra Sinfônica Municipal de João Pessoa. Rege a Orquestra Sinfônica da UFPB desde 2013 e, em 2022, assumiu a regência da Orquestra Sinfônica da Paraíba. Em 2025, foi convidado a dirigir a Orquestra Filarmónica de Río Negro, na Argentina.

Os solistas
Alphonsos Silveira (clarinete) – Natural de Belo Horizonte (MG), é bacharel em Clarinete pela Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), título obtido em 2006, e mestre em Interpretação/Clarinete pela Universidade de Évora, Portugal, concluído em 2021. Atualmente, é doutorando em Performance/Clarinete pela Universidade de Aveiro, em Portugal, e atua como clarinetista da Orquestra Sinfônica da Paraíba.

É Artista Selmer Paris, Artista MarcaReeds França Palhetas e Artista Pro Team Silverstein Abraçadeiras. Ao longo de sua trajetória, atuou como solista junto a orquestras como Orquestra Sinfônica da Paraíba, Orquestra Sinfônica da UFPB, Orquestra Filarmônica Río Negro (Argentina), Orquestra Sinfônica Del Chaco (Argentina), Orquestra Popular de Xalapa (México), Orquestra Sinfônica da Universidade de Minas Gerais, Banda Lira da Paz de Ravena (MG) e Banda José Siqueira da UFPB.

Como recitalista, participou de importantes eventos dedicados ao clarinete, entre eles, o Encontro Internacional de Clarinetistas de Belém (PA), o Encontro Potiguar de Clarinetistas (RN), o Tenerife ClarinetFest e o XIV Encontro Brasileiro de Clarinetistas, em Brasília. Ministrou master classes de clarinete em Portugal, no México, em Minas Gerais, em Pernambuco e em Brasília.

Também realizou estágios de clarinete junto à Banda Filarmônica Castanheirense e a Banda Filarmônica Euterpe de Portalegre, ambas em Portugal. No Brasil, ministrou curso de bandas pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e curso de apoio a bandas promovido pelo Governo de Minas Gerais. É ainda criador do canal no YouTube “Clarinete Simples Assim”, onde desenvolve um programa de aulas de clarinete, auxiliando aqueles que não têm acesso a um professor.

Felícia Coelho (flauta) – Natural de João Pessoa (PB), iniciou seus estudos musicais na Escola Estadual de Música Anthenor Navarro. Graduou-se em Música, com habilitação em Flauta, pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e deu continuidade à sua formação no exterior, obtendo o título de mestre em Música (Flauta/Performance) pela Louisiana State University, o Artist Certificate pela Azusa Pacific University e o Diplôme Supérieur de Concertiste pela École Normale de Musique de Paris.

Como solista, apresentou-se junto à Orquestra Sinfônica da Paraíba, Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas, Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte, Orquestra de Câmara da Cidade de João Pessoa e APU Symphony Orchestra, entre outras. Sua atuação camerística inclui participações em importantes festivais, a exemplo do Festival International de Musique Universitaire de Belfort, Festival Internacional de Música Clássica de João Pessoa e Festival Internacional de Música de Câmara do PPGM-UFPB. Em Paris, realizou recitais na prestigiada Salle Cortot, na Galerie d’Honneur da Embaixada do Brasil e na Maison du Brésil.

Sua experiência orquestral inclui a atuação como primeira flauta na Orquestra Sinfônica da UFPB, na Sinfonieta UFPE, na Orquestra Sinfônica Municipal de João Pessoa, na APU Symphony Orchestra, na LSU Symphony Orchestra e na Orquestra Sinfônica Jovem da Paraíba. Como intérprete, foi laureada em concursos nacionais e internacionais, destacando-se o Gran Premio de Santiago – Primer Concurso Internacional de Flauta de Chile, o Azusa Pacific University Concerto Competition e o VII Concurso de Música de Câmara do 55º Festival Villa-Lobos.

Desenvolve também atividade pedagógica, com experiência docente no Brasil, na França e nos Estados Unidos. Desde 2018, é professora de flauta transversa do Departamento de Música da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e atualmente cursa o doutorado em Música pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (Unirio).

Serviço
Orquestra Sinfônica da Paraíba
7º Concerto Oficial da Temporada 2026 – Série Eleazar de Carvalho
Regência: Maestro Gustavo de Paco de Gea
Solistas: Alphonsos Silveira (clarinete) e Felícia Coelho (flauta)
Dia: 24 de setembro (quinta-feira)
Hora: 20h30
Local: Sala de Concertos Maestro José Siqueira, no Espaço Cultural
Entrada: Gratuita. Não será necessária a retirada de ingressos na bilheteria

Fonte: Secom PB