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Foto: Divulgação

Consumidor 50+ já é grande demais para ser tratado como nicho

Com cerca de 60 milhões de brasileiros acima dos 50 anos e forte participação na economia, público maduro exige novas estratégias das empresas

17 de setembro de 2026

O Dia do Cliente, celebrado em 15 de setembro, coloca a experiência de consumo no centro das estratégias das empresas. Mas, para Marcos Eduardo Ferreira, especialista em longevidade e mercado securitário, o consumidor brasileiro envelhece rapidamente, e boa parte das empresas ainda não adaptou a forma como se relaciona com ele.

 

Os números ajudam a dimensionar a transformação. Segundo levantamento divulgado pela FecomercioSP em setembro, brasileiros com mais de 50 anos já somam cerca de 60 milhões de pessoas, aproximadamente 30% da população, e movimentam cerca de R$ 2 trilhões por ano. O grupo também apresenta tíquete médio superior ao dos consumidores mais jovens e participa de categorias como saúde, turismo, educação e mercado imobiliário.

 

“Ainda existe uma visão de que o consumidor 50+ é um público de nicho, quando os números mostram exatamente o contrário. Ele já está no centro da economia. O problema é que muitas empresas continuam desenvolvendo produtos, serviços e jornadas como se o consumidor tivesse 30 anos para sempre”, afirma Marcos, que atua como advisor, investidor e empreendedor nos mercados de longevidade e seguros.

 

A transformação não está apenas no tamanho desse público, mas na sua heterogeneidade. Um consumidor de 50 anos pode estar no auge da carreira, enquanto outro já prepara sua transição profissional; aos 60, alguns seguem trabalhando e empreendendo, enquanto outros priorizam saúde, viagens ou viver do patrimônio; aos 70 e 80, surgem novas necessidades de proteção, mobilidade, cuidado e independência. “Tratar todo esse grupo como ‘idoso’ ou oferecer uma experiência padronizada é, portanto, um erro estratégico, avalia o especialista.

 

A própria realidade do mercado de trabalho reforça essa mudança. Dados do IBGE mostram que 24,4% das pessoas com 60 anos ou mais estavam ocupadas em 2024; entre aqueles de 60 a 69 anos, o índice chegava a 36,2%. Para Marcos, isso também altera a relação entre consumo, renda e planejamento financeiro: a vida econômica não termina quando chega a aposentadoria.

 

“Longevidade não significa apenas viver mais. Significa ter mais anos de vida econômica, mais decisões financeiras e mais momentos diferentes de consumo. Uma pessoa de 60 anos hoje pode estar trabalhando, empreendendo, investindo, viajando, ajudando os filhos ou cuidando dos pais. Se a empresa olha para ela apenas pela idade, perde a oportunidade de entender o que ela realmente precisa. Mais do que a idade cronológica o que precisa ser interpretado é a idade funcional”.

 

Essa mudança é relevante para o setor financeiro e de seguros. Na avaliação de Marcos, produtos que foram desenhados para um “ciclo de vida mais curto” precisam ser repensados diante de uma população que permanece economicamente ativa por mais tempo. O desafio passa por oferecer proteção, cuidado , soluções de investimentos, previdência e serviços financeiros que acompanhem diferentes fases da longevidade, sem pressupor que todos os clientes acima de determinada idade tenham as mesmas necessidades.

 

“O melhor presente que uma empresa pode dar ao cliente não é um desconto no Dia do Cliente. É demonstrar que ela entende em que momento de vida esse cliente está. Quando falamos de longevidade, isso significa abandonar a ideia de que existe um único consumidor 50+ e começar a desenhar relações para diferentes fases da vida”, conclui.

Fonte: Assessoria