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Foto: Magnific

Juros altos no Brasil também refletem fatores externos, diz ministro da Fazenda

Dario Durigan defende revisão de despesas obrigatórias, redução de benefícios tributários e combate a privilégios para melhorar o cenário fiscal

16 de setembro de 2026

A alta taxa de juros no Brasil reflete a situação fiscal do país, mas responde também a fatores como tensões geopolíticas, guerras, inflação internacional e políticas monetárias mais restritivas em grandes economias. A avaliação é do ministro da Fazenda, Dario Durigan, que participou nesta segunda, 14, da 4ª edição do Seminário Brasil Hoje, da Esfera Brasil. Para o ministro, o governo deve concentrar seus esforços nas variáveis sob seu controle, como rever despesas obrigatórias e reduzir benefícios tributários.

 

“É claro que o fiscal tem importância na definição da taxa de juros, e é também por esse motivo que temos melhorado o fiscal”, disse Durigan, que participou por videoconferência do seminário, realizado na Casa Fasano, na capital paulista. “Agora, é só ler os jornais para que se perceba que tanto os Estados Unidos como Alemanha, Reino Unido, Japão, todos estão pagando taxas de juros para rolar suas dívidas em patamares que não se via há alguns anos”, afirmou Durigan.

 

No painel, o titular da pasta da Fazenda defendeu ajuste fiscal, racionalização da estrutura do Estado, transparência aos benefícios tributários e combater a privilégios de servidores públicos e de setores do empresariado. Durigan ainda destacou a implementação da reforma tributária como uma das prioridades para os próximos anos.
Já o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, afirmou que, qualquer que seja o presidente eleito neste ano, terá de cortar despesas. “Se você gastar mais – aliás, muito mais – do que você arrecada, que é o que está acontecendo, obviamente isso vai ter um colapso do ponto de vista financeiro. Você tem que ter as contas equilibradas, e essas passam necessariamente por um gasto de acordo com a receita”, afirmou. Nunes destacou ainda o emprego de IA com câmeras de reconhecimento facial na área da segurança pública, no sistema Smart Sampa, da prefeitura. “Temos já 6.500 pessoas presas em flagrante, estamos chegando quase à marca de 10 mil prisões, só nesse período do Smart Sampa”, afirmou. “O uso da tecnologia é absolutamente fundamental para reduzir a criminalidade.”

 

Durante sua exposição, o presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Aloizio Mercadante, destacou que não é papel do BNDES substituir o mercado de capitais, mas incentivar investimentos em setores a princípio pouco rentáveis. “Não tem inovação se o Estado não correr risco, porque o setor privado não sabe se vai chegar no final do processo. [A empresa], para tirar do bolso e investir em inovação, para reduzir custo ou para fazer um novo produto, precisa da parceria do Estado. A nossa linha de inovação tem subsídio, mas é o subsídio no lugar certo”, disse.

 

O chairman do BTG Pactual, André Esteves, afirmou em sua participação no seminário que o Brasil se encontra com inflação mais controlada, reservas cambiais elevadas, mercado de capitais ativo e baixo desemprego, e o principal passo para consolidar a estabilidade macroeconômica do país é chegar a taxas de juros que definiu como “civilizatórias”. “Existe um último passo a ser dado na consolidação da estabilidade econômica brasileira: chegar a juros civilizatórios”, afirmou. “Isso vale muito mais do que qualquer programa social, do que qualquer política de governo, do que aumentar um pouquinho o investimento. O juro sair de 14% para 7% é uma transformação nesse Brasil, que brigamos tanto para andar na direção certa.”

 

Já a coordenadora do programa econômico de Flávio Bolsonaro (PL), Daniella Marques, afirmou durante o evento que os juros elevados resultam do descontrole das contas públicas e do crescimento da dívida. “Se não houver um ajuste rápido, eu acho que o cenário de inadimplência e de explosão de balanço, não só do Governo Federal, mas das empresas e das famílias, vai ser muito drástico”, observou. “Quem não cuida das contas, não cuida das pessoas.”

 

No painel sobre saneamento, a secretária estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, defendeu regulação bem desenhada para fortalecer a governança do setor e solucionar problemas históricos de abastecimento de água e esgoto no país, o que inclui a restauração e manutenção da rede. “Precisamos de uma regulação adequada para o setor de saneamento. Precisamos discutir mais isso. Não adianta só repassar recurso”, afirmou. “E, por mais que doa, precisamos olhar as redes envelhecidas. Por mais que atrapalhe o trânsito e atrapalhe a vida das pessoas.”

 

O Seminário também contou com painel com os candidatos ao Senado Guilherme Derrite (PP) e Ricardo Salles (Novo), que defenderam impeachment de ministros do STF. Para Derrite, a Corte ainda deve passar por reformas estruturais, como adoção de mandatos com prazo determinado, idade mínima para nomeação e restrições à indicação de pessoas com vínculos político-partidários recentes. Para Salles, qualquer autoridade que cometa crime deve responder dentro do devido processo legal. “Pode ser ladrão de galinha, dono de carrinho de pipoca ou ministro do Supremo. Se a pessoa cometer um crime e existe devido processo legal, ampla defesa e contraditório, e ao fim e ao cabo tiver sido concluído que praticou crime, pune”, afirmou o candidato e ex-ministro do Meio Ambiente.

 

Durante a fala de abertura, a CEO da Esfera Brasil, Camila Funaro Camargo Dantas, afirmou que o brasileiro espera que o Estado seja propulsor do desenvolvimento econômico e social. “O brasileiro espera do Estado aquilo que só ele pode assegurar: segurança, educação, saúde, estabilidade e regras claras”, afirmou. “A incerteza custa caro. Posterga investimentos, dificulta planejamento e reduz a confiança. Mas cobra também um preço ainda maior: quando a política e as instituições gastam energia demais administrando suas próprias crises, o país gasta energia de menos enfrentando seus problemas reais.”

Fonte: Assessoria