Empréstimo de nome tem 86% de adimplência entre consumidores, aponta pesquisa
Levantamento da CNDL e do SPC Brasil mostra que cartão de crédito é a modalidade mais utilizada e registra 91% de pagamentos em dia
11 de setembro de 2026
O empréstimo de nome costuma ser associado ao risco de inadimplência, prejuízo financeiro e desgaste nas relações pessoais. Os resultados da pesquisa “Empréstimo do nome a terceiros 2026”, entretanto, mostram que a realidade entre quem participa desse sistema informal é menos previsível do que a percepção inicial sugere.
Levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas, aponta que 86% dos consumidores que utilizaram o nome de outra pessoa estão em dia com as parcelas.
No cartão de crédito, principal modalidade emprestada, a taxa de pagamento chega a 91%. A adimplência também é elevada nos empréstimos pessoais, com 80%, enquanto os financiamentos registram 72%.
Os resultados não eliminam o risco para quem empresta o nome. Legalmente, a dívida permanece vinculada ao titular da operação, independentemente dos acordos informais estabelecidos entre familiares ou amigos. Ainda assim, os percentuais desafiam a ideia de que o crédito baseado em relações pessoais seja necessariamente marcado por descontrole e falta de compromisso.
Reputação pessoal funciona como garantia informal
Sem score próprio, garantias adicionais ou instrumentos formais de cobrança entre as partes, o pagamento depende principalmente da relação de confiança.
Nesse ambiente, atrasar uma parcela pode produzir consequências que vão além de multas e juros. O consumidor corre o risco de comprometer a situação financeira de alguém próximo, provocar conflitos familiares e perder a possibilidade de receber ajuda novamente no futuro.
A preservação do vínculo e da própria reputação dentro da família pode funcionar, portanto, como um mecanismo informal de disciplina. Quem utiliza o nome de outra pessoa sabe que uma quebra de confiança terá efeitos financeiros e pessoais simultaneamente.
Essa pressão ajuda a compreender por que o cartão de crédito apresenta o maior índice de pagamento em dia. Além de ser a modalidade mais utilizada, ele costuma permitir acompanhamento frequente da fatura e maior visibilidade sobre cada compra realizada.
Bons pagamentos não tornam prática livre de riscos
A alta adimplência não deve ser interpretada como prova de que emprestar o nome seja seguro. Mesmo uma parcela minoritária de atrasos pode causar negativação, comprometer limites e transferir integralmente a dívida para quem concedeu o acesso ao crédito.
O levantamento também mostra que 63% dos consumidores não aceitariam emprestar o nome a terceiros, sinal de que o medo das consequências continua elevado.
Para o mercado financeiro e o varejo, o dado mais relevante está justamente na tensão entre os dois comportamentos. A maioria evita participar, mas, entre quem participa, o pagamento tende a ser honrado.
Mais do que substituir os critérios do crédito formal, esse sistema paralelo mostra que a confiança pessoal também produz mecanismos próprios de controle. Não se trata de uma operação sem risco, mas de uma modalidade em que a relação entre as pessoas pode pesar tanto quanto as condições financeiras estabelecidas na contratação.
Fonte: CNDL
