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Foto: Magnific

Preços e onda de saudabilidade: varejo alimentar tem pior desempenho do ano em agosto

Setor registrou crescimento de apenas 0,9% no faturamento e retração de 3,1% nas unidades vendidas; Limpeza (+4,7%) e Perecíveis (+3,1%) lideraram o crescimento em valor, enquanto a Inflação Scanntech acumulou alta de 3,51% em 12 meses

10 de setembro de 2026

Agosto registrou o desempenho mais fraco de 2026 para o varejo alimentar, aponta o Radar Scanntech. Considerando as mesmas lojas da série histórica, o faturamento avançou apenas 0,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior, sustentado pelo aumento de 4,2% no preço médio por unidade, enquanto as unidades vendidas caíram 3,1% e o volume recuou 2,4%. No acumulado do ano (janeiro a agosto), o faturamento cresceu 2,2%,com alta de 3,7% no preço médio e queda de – 1,4% nas unidades vendidas.

Segundo a Scanntech, a perda de consumo está concentrada na queda de 3,0% no fluxo em loja, que explica quase toda a retração de unidades do mês e tem um componente de calendário. Em agosto de 2025, o mês fechou em um domingo (31/08) e o pagamento de salários foi antecipado para a sexta-feira (29/08), fazendo a entrada de recursos coincidir com o sábado. Agosto de 2026 não repetiu esse efeito e ainda teve quatro sextas-feiras, contra cinco no ano anterior.

“A queda de unidades se aprofundou em agosto e tem causa identificada. Categorias que aumentaram preço acima da média do mercado respondem por -0,7 ponto percentual da queda de unidades do canal, contra -0,2 p.p. em julho, e os produtos afetados pela onda de saudabilidade por -2,2 p.p., contra -1,8 p.p.”, afirma Felipe Passarelli, Head de Inteligência de Mercado da Scanntech. “Juntos, os dois fatores explicam -2,9 dos -3,1 pontos percentuais de queda, com o fator saudabilidade pesando três vezes mais que o de preço.”

Considerando o total de lojas, e não apenas as mesmas lojas da série histórica, o crescimento do canal no mês vai a 2,2%.

Cestas com melhor e pior faturamento

Limpeza liderou o crescimento do faturamento no mês (+4,7%), sustentada pelo maior aumento de preço médio entre as cestas positivas (+6,2%), mesmo perdendo 1,4% em unidades. Os destaques da cesta foram Detergente Líquido, com faturamento 10,4% maior e alta de 10,1% no preço médio, e Saco para Lixo, com faturamento 20,2% maior. Perecíveis veio em seguida, com alta de 3,1% em faturamento, puxada por Bovino in natura (+13,5%), Legume (+9,3%) e Queijo (+6,5%). Bebidas cresceu 2,5%.

Perecíveis e Bebidas, no entanto, desaceleraram em relação a julho, quando cresceram 4,4% cada em faturamento, sinalizando reajustes de preços mais moderados em agosto. Na direção oposta, Mercearia Básica permaneceu como o principal detrator do mês, com queda de 7,3% no faturamento, e foi a única cesta a registrar recuo simultâneo de preço médio (-1,3%) e de unidades (-6,1%).

O resultado foi pressionado por commodities que vinham de ciclos de forte inflação entre 2020 e 2025 e agora enfrentam base de comparação elevada, com quedas de faturamento em Óleo (-31,2%), Açúcar (-27,8%) e Café (-17,9%). Em unidades, Açúcar (-9,7%) e Óleo (-8,5%) seguem entre as maiores pressões da cesta.

Mercearia também entrou no terreno negativo em valor (-0,9%), já que a alta de 3,5% no preço médio não cobriu a queda de 4,3% nas unidades, com Biscoito (-2,7%) na liderança das perdas. Na contramão, Pet foi a única cesta a crescer em unidades no mês (+4,0%), sustentando alta de 0,7% em valor mesmo com preço médio em queda (-3,1%).

Inflação

A Inflação Scanntech, indicador que mede o custo real da cesta efetivamente adquirida pelos brasileiros a partir de 100% dos tickets registrados no ponto de venda, apresentou alta de 0,05% em agosto frente a julho, revertendo a deflação do mês anterior. No acumulado de 12 meses, atingiu 3,51%, abaixo do aumento do preço médio (+4,17%) por efeito de mix de compra, e acima da inflação de FMCG (+2,67%), que isola os produtos embalados de alta rotação.

A cesta básica voltou a subir no acumulado de 12 meses (+1,28%), depois de registrar deflação de 0,3% em julho, puxada principalmente por bovino, feijão, leite UHT e batata. Já na variação mensal de agosto contra julho, as maiores pressões de alta vieram de Limão (+58,7%), Arroz (+5,0%) e Bovino (+0,7%), enquanto as maiores pressões deflacionárias vieram de Batata (-19,8%), Cebola (-15,9%) e Feijão (-5,7%).

Promoções fizeram a diferença

O peso promocional subiu para 26,2% dos embalados (+1,3 p.p. vs. agosto de 2025), com vigência média de 5,6 dias e desconto de 20,7%: mais itens em promoção, por mais tempo e com desconto maior. O retorno foi na direção oposta, com o uplift caindo para 56,0% (-9,6 p.p.). A perda é maior nos formatos mais promocionais, Super 10+ (-11,9 p.p.) e Atacarejo (-12,5 p.p.).

Bovino e Arroz destacaram-se como os maiores ganhadores de eficiência promocional em todos os formatos de loja, enquanto Café foi a principal categoria a perder performance.

Ruptura recua e atinge o menor patamar em nove meses

Nos indicadores operacionais e de abastecimento, a ruptura recuou para 4,7% dos itens (-1,2 p.p. vs. agosto de 2025), o menor patamar dos últimos nove meses. Em contrapartida, a não venda, itens com estoque em loja e sem venda no período, subiu para 11,4% (+2,3 p.p.), e os dias de estoque chegaram a 43 (+8 dias vs. agosto de 2025, estáveis em relação a julho).
“O produto está na loja e não sai, o que aponta oportunidade de giro, sortimento, com foco na execução de loja e não na reposição”, diz Felipe Passarelli. O movimento se repete em todas as cestas. Cinco das seis reduziram a ruptura no mês, com Mercearia à frente (-1,5 p.p.), mas em todas elas a alta da não venda superou a queda da ruptura.

Mudanças no comportamento do consumidor

Segundo a análise do Scann Shopper, o movimento mais forte de agosto foi uma substituição dentro de Mercearia: Tempero Industrializado teve a maior queda de incidência do mês entre todas as cestas (-1,34 p.p.), enquanto Tempero Natural avançou (+0,88 p.p.). Em Bebidas, a troca se dá entre alcoólicos e não alcoólicos, com Energético (+1,12 p.p.), Água (+0,76 p.p.) e Refrigerante (+0,60 p.p.) ganhando espaço, enquanto Cerveja (-0,29 p.p.) e Vinho (-0,15 p.p.) recuam.

Em paralelo, a troca de formato dentro da mesma categoria aparece em outras cestas. Em Mercearia Básica, o Café Moído perdeu 0,75 p.p. de incidência e os formatos de maior valor agregado avançaram, com Café Premium (+0,20 p.p.) e Café em Cápsula (+0,05 p.p.). Em Limpeza, Sabão em pó (-0,58 p.p.) e Sabão em pedra (-0,20 p.p.) cederam espaço para o Sabão Líquido (+0,14 p.p.).

Visão regional e por formato de loja

O padrão de crescimento modesto e queda de unidades se repetiu entre os formatos e regiões do país. O formato Super 1-4 (lojas pequenas, com um a quatro checkouts) teve o maior aumento do preço médio (+6,2%) e sofreu a maior retração em unidades (-5,5%), avançando apenas 0,3% em faturamento. Já o Atacarejo apresentou o menor aumento de preço (+3,0%) e foi o que menos perdeu unidades (-2,2%), crescendo 0,8% em valor.

Regionalmente, o Centro-Oeste liderou o avanço em faturamento (+2,9%), impulsionado pelo maior aumento de preços do país (+7,3%), apesar de registrar a maior queda de vendas unitárias (-4,1%). Por outro lado, São Paulo (+0,1%) e Sul (+0,3%) tiveram os menores crescimentos em faturamento, penalizados pela retração de consumo.

Fonte: Assessoria