Pix supera 2 bilhões de compras e avança sobre o território dos cartões de crédito
Crescimento dos pagamentos com Pix em pontos de venda mostra expansão do sistema para novas modalidades de consumo e pagamentos recorrentes
9 de setembro de 2026
O Pix entrou em uma disputa que, há poucos anos, parecia improvável. Criado para simplificar transferências, o sistema passou a disputar o próprio momento da compra e já começa a pressionar o cartão de débito, enquanto testa uma aproximação mais direta com o crédito. Em 2025, foram mais de 2 bilhões de pagamentos com Pix nos pontos de venda, alta de 54% em um ano. No mesmo período, as transações com débito recuaram 4%, enquanto as de crédito cresceram 8%, segundo a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026.
A mudança é maior do que parece. Quando foi lançado, em novembro de 2020, 85% das transações do pagamento instantâneo eram feitas entre pessoas físicas. Em 2025, 43% já eram pagamentos de pessoas físicas para empresas. O sistema passou, portanto, de ferramenta para dividir contas e transferir dinheiro para uma infraestrutura cada vez mais presente no consumo. Hoje, mais de 170 milhões de pessoas físicas usam a ferramenta, que movimentou R$ 19,8 trilhões apenas no primeiro semestre de 2026, alta de 28% sobre o mesmo período do ano anterior.
O primeiro território conquistado foi o pagamento à vista. Agora, a expansão avança para situações nas quais o cartão ainda tem vantagens claras. O Pix por aproximação tenta reproduzir a experiência de encostar o cartão na maquininha, enquanto o Pix parcelado começa a incorporar uma das principais funções do crédito. A diferença é que o financiamento pode ficar a cargo da instituição financeira, enquanto o comerciante recebe o pagamento via Pix.
A ofensiva também chegou às contas recorrentes. O Pix Automático permite autorizar previamente pagamentos de escolas, academias, condomínios, assinaturas e contas de consumo. Em dezembro de 2025, a modalidade movimentou R$ 133,2 milhões, cinco vezes mais que no mês anterior. Ainda é pouco diante da dimensão do mercado, mas aponta para uma mudança importante: o Pix não está mais apenas substituindo formas existentes de transferência. Está entrando em novas etapas da relação entre consumidor, banco e empresa.
Isso ajuda a explicar por que a discussão sobre o futuro dos pagamentos não deve ser reduzida à pergunta sobre se o Pix vai “acabar” com os cartões, explica Edson Vasconcelos, CEO e fundador da ecomm|it. “O cenário mais provável é outro. Cada meio tende a preservar aquilo que faz melhor, enquanto o Pix amplia gradualmente seu território. O débito é hoje o mais pressionado. O crédito, protegido por parcelamento, benefícios e prazo de pagamento, ainda tem barreiras maiores. Mas a fronteira entre os dois mercados está ficando cada vez menos nítida”, diz.

