Empresas incentivadas pela Sudene mantêm ou criam mais de 35 mil empregos no Nordeste
133 empreendimentos tiveram incentivos fiscais aprovados no primeiro semestre e informaram investimentos de R$ 6 bilhões na região
18 de agosto de 2026
As 133 empresas que tiveram pedidos de incentivos fiscais aprovados pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) informaram a manutenção ou criação de 35.317 postos de trabalho em 11 estados da área de atuação da Autarquia entre janeiro e junho de 2026. Do total, 27.017 são empregos diretos e 8.300, terceirizados.
Os processos analisados no primeiro semestre reúnem informações sobre empreendimentos que, em conjunto, declararam investimentos de R$ 6 bilhões. Os valores correspondem aos investimentos previstos pelas empresas em seus projetos e não representam recursos concedidos pela Sudene por meio dos incentivos fiscais.
Foram atendidos pleitos de 11 estados da área de atuação da Sudene. A Bahia teve o maior número de solicitações aprovadas, com 35. Ceará (24), Espírito Santo (18) e Maranhão (16) aparecem na sequência. Pernambuco teve 12 aprovações; Paraíba, 11; e Rio Grande do Norte, 10. Também houve aprovações em Alagoas, Minas Gerais, Piauí e Sergipe.
Quando se considera o valor dos investimentos informados, a ordem muda. Minas Gerais concentra R$ 2,1 bilhões em sete solicitações aprovadas. A Bahia aparece em seguida, com R$ 1,9 bilhão. Pernambuco soma R$ 626,9 milhões; Rio Grande do Norte, R$ 441,7 milhões; e Ceará, R$ 345,8 milhões.
A diferença entre o número de solicitações e o volume de recursos está relacionada ao porte dos empreendimentos. Em Minas Gerais, por exemplo, uma única iniciativa representa R$ 2 bilhões dos investimentos previstos no estado – a implantação de uma filial da Eurofarma Laboratórios S.A., em Montes Claros.
Na Bahia, o maior investimento relatado no semestre chega a R$ 869,8 milhões e corresponde à implantação de uma linha de transmissão de energia. O empreendimento da Asa Branca Transmissora de Energia S.A. alcança Bahia, Espírito Santo e Minas Gerais e prevê 908,52 quilômetros de linhas dentro da área de atuação da Sudene.
Energia e indústria farmacêutica
A distribuição dos incentivos concedidos por setores mostra uma concentração dos investimentos relatados pelas empresas em infraestrutura e indústria farmacêutica. O primeiro reúne R$ 2,1 bilhões, dos quais R$ 2 bilhões correspondem a projetos de energia. A indústria farmacêutica soma R$ 2 bilhões.
Também aparecem entre os principais setores a fabricação de produtos químicos, com R$ 532,1 milhões, e alimentos e bebidas, com R$ 507,9 milhões. Juntos, os quatro segmentos representam 79,4% dos investimentos das empresas beneficiadas no semestre.
Os incentivos aprovados incluem iniciativas de implantação e de modernização. Em João Pessoa (PB), por exemplo, um investimento de R$ 211,2 milhões será destinado à modernização de uma fábrica do setor têxtil. Em Pernambuco, R$ 496,4 milhões estão previstos para a implantação de uma planta de produção de biometano.
No Rio Grande do Norte, a modernização do Parque Eólico Boa Esperança I, no município de Jardim de Angicos, representa R$ 384,6 milhões. O parque tem 14 aerogeradores e capacidade instalada de 30,8 MW. Esse foi o primeiro incentivo registrado no município.
Novos empreendimentos
Dos 133 pedidos de incentivos fiscais aprovados no semestre, 59 correspondem à implantação de novos empreendimentos. Esses projetos somam R$ 5,1 bilhões em investimentos, a maior parcela do volume registrado no período.
Outros R$ 821 milhões estão relacionados à modernização total de empreendimentos. Os projetos de reinvestimento do IRPJ somaram R$ 72,3 milhões, enquanto os de diversificação chegaram a R$ 53,1 milhões.
Os novos empreendimentos estão relacionados a 5.031 novos postos de trabalho, sendo 3.694 diretos e 1.337 terceirizados. Considerando o total de empregos, Pernambuco teve o maior número de vagas criadas ou mantidas, com 7.680. Ceará registrou 6.398; Bahia, 5.698; Paraíba, 4.999; e Espírito Santo, 4.977.
Mudanças na legislação
A aprovação desses incentivos fiscais ocorre em um cenário de mudança na legislação fiscal. A Lei Complementar nº 224, de dezembro de 2025, reduziu em 10% os percentuais dos benefícios administrados pela Sudene. A redução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), que era de 75%, passou para 67,5%. No reinvestimento, o percentual caiu de 30% para 27%.
As novas regras já se aplicam às aprovações realizadas neste ano. Das 133 solicitações aprovadas no primeiro semestre, 105 correspondem à redução de 67,5% do IRPJ e adicionais. Outras 28 tratam do reinvestimento de 27% do imposto.
Fonte: Sudene
