Serviço do HULW oferece tratamento gratuito para fissuras labiopalatinas pelo SUS na Paraíba
Ambulatório do Hospital Universitário Lauro Wanderley acompanha pacientes desde o nascimento até a vida adulta com atendimento gratuito e multiprofissional
17 de agosto de 2026
Muitas famílias só descobrem a existência de um serviço especializado quando o bebê nasce com uma fissura no lábio, no céu da boca ou em ambos. Embora o tratamento esteja disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), no Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW-UFPB), em João Pessoa, o desconhecimento ainda faz com que muitos pacientes cheguem tardiamente ao atendimento especializado.
As fissuras labiopalatinas são malformações congênitas que ocorrem ainda durante a gestação e provocam uma abertura no lábio, no palato (céu da boca) ou nas duas estruturas simultaneamente. Dependendo do tipo, podem dificultar a alimentação do bebê, interferir na fala, na audição, no desenvolvimento dos dentes e da face, além de gerar impactos emocionais e sociais ao longo da vida.
Na Paraíba, o tratamento especializado é oferecido pelo Ambulatório de Fissuras Labiopalatinas do Hospital Universitário Lauro Wanderley, referência estadual para esse tipo de atendimento pelo SUS. Há mais de 30 anos, o serviço acompanha pacientes de todas as regiões do estado, desde os primeiros meses de vida até a fase adulta, oferecendo tratamento contínuo e integral. Um estudo desenvolvido pelo próprio serviço analisou 2.417 pacientes atendidos entre 1991 e 2020 e apontou a necessidade de ampliar as campanhas de esclarecimento e divulgação para que mais famílias tenham acesso ao atendimento especializado.
Segundo Rosa Helena Wanderley Lacerda, ortodontista do Serviço de Fissuras Labiopalatinas do HULW, a informação ainda é uma das principais aliadas para garantir que o tratamento comece no momento adequado.
“A informação é uma das grandes aliadas, sim. O tratamento da fissura deve ser iniciado ainda nos primeiros 30 dias de vida para que possa trazer o mínimo de sequelas e ter mais chance de resultados excelentes. A prova é que no dia 22 de junho foi lançada no Senado a campanha ‘30 dias mudam 20 anos’ ” , disse Rosa fazendo referência à campanha campanha 30 Dias Mudam 20 anos. O movimento luta pela criação de regulamentação federal que garanta que bebês com a malformação sejam encaminhados para tratamento especializado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) nesse prazo máximo de um mês.
O tratamento vai muito além da cirurgia. O ambulatório reúne profissionais de diversas áreas, como cirurgia, odontologia, ortodontia, fonoaudiologia, psicologia, enfermagem, nutrição, assistência social e outras especialidades que acompanham o paciente conforme suas necessidades durante todo o processo de desenvolvimento.
Além da necessidade de acompanhamento ao longo dos anos, a fissura labiopalatina pode interferir em funções essenciais e trazer reflexos para diferentes aspectos da vida do paciente.
“ Quanto à qualidade de vida, sem dúvida a fissura impacta significativamente. Funções como alimentação, fala, mastigação além do impacto psicossocial ”, finalizou a profissional.
Com mais de três décadas de atuação, o Serviço de Fissuras Labiopalatinas do HULW foi fundado em setembro de 1991 pelo médico e cirurgião pediátrico paraibano Paulo Germano Cavalcanti Furtado. Desde então, o especialista também integra a assistência aos pacientes como coordenador e cirurgião, contribuindo para a trajetória do serviço especializado no atendimento a pessoas com fissuras labiopalatinas na Paraíba.
Entenda os tipos de fissura
As fissuras podem se apresentar de diferentes formas:
* Fissura labial : é uma abertura apenas no lábio superior, podendo ocorrer de um lado ou dos dois lados.
• Fissura palatina : ocorre somente no palato (céu da boca), podendo comprometer a alimentação, a fala e a audição.
* Fissura labiopalatina: é quando a abertura atinge o lábio e também o palato, exigindo, na maioria dos casos, um tratamento mais longo e multidisciplinar.
O Ambulatório de Fissuras Labiopalatinas atende pacientes de toda a Paraíba pelo SUS. O acompanhamento é individualizado e realizado conforme a fase de desenvolvimento de cada pessoa, desde o nascimento até a vida adulta.
Sindalcool apoia visibilidade da causa
A mobilização para ampliar o conhecimento sobre o atendimento às pessoas com fissuras labiopalatinas também conta com o apoio do Sindicato da Indústria de Fabricação de Álcool no Estado da Paraíba (Sindalcool), entidade que representa a indústria da bioenergia no estado, setor tradicionalmente conhecido como sucroenergético ou sucroalcooleiro.
Desde o ano passado, o Sindalcool tem apoiado iniciativas relacionadas à primeira infância e passa a somar esforços também à causa das fissuras labiopalatinas.
“ Valorizamos as equipes dos serviços públicos que executam as políticas públicas. Queremos colaborar para que todas as crianças sejam assistidas, sabemos que na população da Paraíba há ainda mais de três mil pessoas que deixaram de receber tratamento por desinformação. A indústria que produz o etanol também tem solidariedade social ”, disse Edmundo Barbosa, presidente-executivo do Sindalcool.
Fonte: Assessoria
