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Foto: Banco de Imagens

Agosto Dourado ressalta importância de cuidar da saúde da mulher durante a amamentação

Professora da Afya Paraíba alerta para mudanças hormonais, físicas e emocionais no pós-parto e destaca que o bem-estar da mãe é fundamental para o sucesso do aleitamento materno

10 de agosto de 2026

Além de nutrir o bebê, a amamentação provoca importantes mudanças hormonais, físicas e emocionais na vida da mulher durante o pós-parto. Em alusão ao Agosto Dourado, campanha de conscientização sobre o aleitamento materno, a professora da Afya Paraíba, Carla Nunes, destaca que cuidar da saúde da mãe é fundamental para garantir uma experiência mais saudável para ela e o bebê.

Criada em 1992 pela WABA, em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Unicef, a campanha incentiva a conscientização sobre a importância da amamentação e o fortalecimento das redes de apoio às mulheres. Em 2026, a Semana Mundial do Aleitamento Materno (1º a 7 de agosto) traz como tema “Amamentação para um começo de vida sustentável: fortalecer o que funciona”.

Mudanças no corpo da mulher durante a amamentação

De acordo com a ginecologista e obstetra Carla Nunes, pós-graduada em Ginecologia Endócrina e professora da Afya Paraíba, o organismo feminino passa por uma verdadeira reorganização após o parto. A queda dos hormônios estrogênio e progesterona, associada ao aumento da prolactina e da ocitocina, permite a produção e a ejeção do leite materno, além de favorecer a recuperação do útero.
“Essas alterações também explicam sintomas comuns, como ressecamento vaginal, diminuição da libido e desconforto durante as relações sexuais. Somam-se a isso o cansaço, a privação de sono e toda a adaptação à maternidade, fatores que influenciam diretamente o bem-estar da mulher”, explica.
Outra mudança frequente é a queda de cabelo no pós-parto. Segundo a especialista, o problema não está relacionado à amamentação, mas às alterações hormonais que ocorrem após a gestação. O quadro costuma surgir entre o terceiro e o quarto mês depois do parto e tende a desaparecer espontaneamente ao longo do primeiro ano.
A saúde emocional também merece atenção. A médica explica que é comum o chamado blues puerperal, caracterizado por maior sensibilidade, irritabilidade e choro fácil nos primeiros dias após o nascimento do bebê. No entanto, quando esses sintomas persistem por mais de duas semanas ou comprometem os cuidados com o bebê e consigo mesma, é fundamental investigar um possível quadro de depressão pós-parto.
Além dos benefícios já conhecidos para o desenvolvimento infantil, a amamentação também promove ganhos importantes para a saúde da mulher. Entre eles estão a recuperação mais rápida do útero, maior gasto energético, redução gradual do peso adquirido durante a gestação e menor risco de desenvolver câncer de mama, câncer de ovário, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.
“O contato pele a pele e a liberação de ocitocina fortalecem o vínculo entre mãe e bebê e contribuem para a sensação de bem-estar. Mas é importante lembrar que amamentar nem sempre é um processo simples. Muitas mulheres precisam de orientação, acolhimento e apoio para superar as dificuldades iniciais”, destaca a ginecologista.

Cuidados e informações importantes para a saúde da mãe

Durante a amamentação, alimentação equilibrada, hidratação, descanso e cuidados com a saúde mental são essenciais. A especialista também recomenda acompanhamento médico no pós-parto para avaliar a necessidade de suplementação e definir o método contraceptivo mais adequado, já que a ovulação pode retornar antes da primeira menstruação.
Outro alerta importante diz respeito aos mitos que ainda cercam a amamentação. Entre os mais comuns está a ideia de que existe “leite fraco”, que mulheres com seios pequenos produzem menos leite ou que determinados alimentos aumentam obrigatoriamente a produção. Segundo a médica, nenhuma dessas afirmações possui respaldo científico.
“Também é incorreto acreditar que a amamentação impede completamente uma nova gravidez. Embora o aleitamento exclusivo reduza as chances de ovulação nos primeiros meses, esse efeito depende de critérios específicos e não deve ser considerado um método contraceptivo sem orientação médica”, afirma.
Carla Nunes ressalta ainda que alguns sinais exigem avaliação médica imediata, como febre, dor intensa nas mamas, vermelhidão, endurecimento persistente, fissuras importantes nos mamilos, dificuldade na amamentação e sintomas emocionais persistentes, como tristeza intensa, ansiedade, isolamento e sensação de incapacidade.
“A mãe não precisa enfrentar esse período sozinha. Informação de qualidade, acompanhamento profissional e uma rede de apoio fazem toda a diferença. Cuidar da saúde da mulher é também cuidar da saúde do bebê”.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, o aleitamento materno deve ser iniciado na primeira hora de vida, ser exclusivo até os seis meses de idade e continuar de forma complementar até os dois anos ou mais, proporcionando benefícios duradouros para a saúde da criança e da mãe.
Fonte: Vivass Comunicação