Brasil lidera mercado latino-americano de fusões e aquisições no primeiro semestre de 2026
País registrou 593 operações e crescimento de 15% no valor movimentado, com destaque para os setores imobiliário e de tecnologia.
6 de agosto de 2026
A Aon plc (NYSE: AON), empresa líder global em serviços profissionais, divulga o relatório do primeiro semestre de fusões e aquisições na América Latina elaborado em colaboração com a TTR Data e a Datasite, que destaca o Brasil como líder na região ao registrar 593 operações entre janeiro e junho de 2026. Embora o volume de transações tenha recuado cerca de 35% em relação ao mesmo período de 2025, o mercado movimentou US$ 32,557 bilhões, uma alta de 15% em seu valor agregado.
O mercado tradicional de Fusões e Aquisições (M&A) figura no topo somando 297 transações que movimentaram US$ 20,333 bilhões. Na sequência, o segmento de Aquisição de Ativos (Asset Acquisition) com 151 operações e um valor de US$ 4,424 bilhões. Já o setor de Capital de Risco (Venture Capital) contabilizou 106 transações com um volume financeiro de US$ 1,272 bilhão, enquanto as operações de Participações em Empresas (Private Equity) responderam por 41 transações, com valor agregado de US$ 6,528 bilhões no período.
O relatório evidencia o interesse dos investidores por ativos estratégicos de alta qualidade, com o setor de tecnologia (software e serviços de TI) ainda sendo o que mais gera negócios em quantidade (104 transações). O mercado imobiliário também foi destaque, registrando alta de 17% em volume de transações (98), seguido por serviços profissionais (37), além de bancos e investimentos (31).
“O desempenho do primeiro semestre indica um mercado brasileiro mais seletivo, porém concentrado em operações de maior porte, o que contribuiu para o aumento do capital mobilizado mesmo diante da redução no número de transações. Esse movimento demonstra que investidores continuam priorizando ativos estratégicos e negócios capazes de gerar valor no médio e longo prazo. Embora o Brasil continue sendo um mercado prioritário, os compradores internacionais seguem com cautela dado o cenário de eleições, uma vez que esse ambiente de maior incerteza tende a afetar o apetite por riscos no curto prazo, especialmente em transações mais sensíveis”, afirma André Nogueira, líder de M&A and Transaction Solutions para o Brasil na Aon.
Marcaram o período transações como a aquisição da mineradora Serra Verde pela companhia USA Rare Earth, por US$ 2,75 bilhões, e a compra da FS Bioenergia (biocombustíveis) pela Amaggi, por cerca de US$ 1 bilhão. Ambas as operações evidenciam a forte atratividade de ativos ligados à transição energética e à sustentabilidade no Brasil.
América Latina: menos operações na primeira metade do ano
A América Latina registrou uma queda de cerca de 30% no volume de transações (1.062), mas o valor total agregado (US$ 49,107 bilhões) ficou praticamente estável (diminuição de cerca de 6% em comparação ao mesmo período de 2025).
Chile aparece na segunda posição no ranking regional, logo após o Brasil, com 163 transações, uma queda de 13% em relação ao primeiro semestre de 2025. O país também registrou retração de 13% no valor agregado, que totalizou US$ 3,595 bilhões.
A Argentina ocupa o terceiro lugar, com 129 operações e movimentação de US$ 4,672 bilhões (diminuição de 5% em operações e aumento de 38% em capital mobilizado), enquanto o México aparece na sequência, com 118 transações, redução de 19% no volume de operações, mas crescimento de 21% no valor agregado (US$ 10,911 bilhões).
A Colômbia registrou 91 transações, uma diminuição de 29%, enquanto o capital mobilizado aumentou 50% (US$ 7,230 bilhões). Por fim, no Peru, foram realizadas 58 operações, com redução de 21% frente ao primeiro semestre de 2025, acompanhada por um expressivo crescimento de 313% no valor agregado, que atingiu US$ 4,337 bilhões.
No cenário global, destaca-se o forte interesse de investimento das empresas latino-americanas no exterior até o primeiro trimestre de 2026, especialmente na Europa e na América do Norte, onde foram realizadas 42 e 22 transações, respectivamente. Por sua vez, as empresas que mais realizaram transações estratégicas na América Latina são originárias da América do Norte (163), Europa (143) e Ásia (37).
“Temos observado dinâmicas diferenciadas entre os principais mercados da América Latina, refletindo tanto condições macroeconômicas como contextos regulatórios específicos. No caso do Brasil, o crescimento no capital mobilizado tem sido impulsionado de forma muito relevante por operações de maior escala, mesmo diante de um ambiente mais seletivo. Em toda a região, o perfil das transações revela uma combinação de operações lideradas por fundos de Participações em Empresas (Private Equity), investidores estratégicos e atores locais, muitas vezes sob estruturas que buscam equilibrar risco e retorno em contextos ainda voláteis. A seletividade continua elevada, com forte ênfase na qualidade dos ativos, na visibilidade de fluxos de caixa e na solidez do marco regulatório de cada jurisdição”, explica Pedro da Costa, Head de M&A and Transaction Solutions para a América Latina na Aon.
Para obter mais informações do relatório sobre fusões e aquisições na América Latina no primeiro semestre de 2026, elaborado pela Aon, TTR Data e Datasite, consulte aqui.

