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cultura
Foto: Divulgação

Investimentos em cultura crescem 39% e reforçam papel da economia criativa

Dados da UNESCO apontam avanço dos aportes públicos entre 2021 e 2024 e destacam a cultura como vetor de inovação e desenvolvimento

4 de agosto de 2026

Os investimentos públicos em cultura e preservação do patrimônio cresceram cerca de 39% no Brasil entre 2021 e 2024, segundo dados do programa ‘Culture 2026’, do Instituto de Estatística da UNESCO (UIS). O avanço coloca o país entre os maiores crescimentos registrados no levantamento internacional e evidencia um cenário de fortalecimento das políticas culturais como estratégia para impulsionar desenvolvimento econômico, inclusão social e preservação da identidade cultural.

Para além de um indicador orçamentário, o resultado acompanha uma transformação na forma como a cultura vem sendo compreendida mundialmente. Ao lado de setores como inovação, sustentabilidade e economia criativa, ela passa a ocupar papel cada vez mais estratégico na geração de renda e na construção de soluções para desafios sociais e ambientais, ampliando o impacto além da produção artística.

Para Liu Berman, fundadora e Presidente do Instituto Reinventando Futuros, organização que desenvolve projetos conectando cultura, sustentabilidade, economia circular e inovação social, o crescimento dos investimentos confirma uma mudança importante na percepção sobre o papel da cultura no desenvolvimento dos países.

“Quando a cultura passa a dialogar com sustentabilidade, economia circular e impacto social, ela cria soluções que permanecem nos territórios e geram benefícios duradouros. Não estamos falando apenas de financiamento para eventos culturais, mas da construção de ecossistemas capazes de transformar realidades por meio da criatividade e da colaboração”, afirma.

Os dados da UNESCO reforçam esse cenário ao mostrar que o investimento contínuo em cultura e preservação do patrimônio amplia a capacidade dos países de proteger sua memória, estimular cadeias produtivas ligadas à economia criativa e promover desenvolvimento sustentável. A valorização dos bens culturais também fortalece o turismo, incentiva a inovação e amplia oportunidades para trabalhadores, empreendedores e organizações que atuam no setor.

“A cultura deixou de ocupar um espaço periférico nas estratégias de desenvolvimento. Hoje, ela é reconhecida como um ativo capaz de movimentar economias, fortalecer comunidades, estimular inovação e contribuir diretamente para a construção de um futuro mais sustentável. Ver esse crescimento nos investimentos significa reconhecer que políticas culturais também são políticas de desenvolvimento”, destaca Liu.

Essa visão tem orientado a atuação do Instituto Reinventando Futuros. A organização desenvolve iniciativas que aproximam diferentes setores em torno de modelos econômicos regenerativos, articulando redes de inovação e desenvolvimento territorial por meio de projetos como o Maré de Mudanças, o Fórum Nordeste de Economia Circular (FNEC) e o Fórum Nacional de Economia Popular e Solidária, ampliando conexões entre poder público, empresas, universidades, organizações sociais e comunidades em diferentes regiões do país.

“Os números apresentados pela UNESCO mostram que investir em cultura é investir na capacidade das pessoas de criar, empreender, preservar suas identidades e construir soluções coletivas. Quanto mais compreendermos a cultura como infraestrutura para o desenvolvimento, maiores serão os impactos econômicos, sociais e ambientais que conseguiremos gerar para as próximas gerações”, conclui Liu Berman.

Fonte: Assessoria