Setor de bioenergia da Paraíba inicia safra de olho no mercado de etanol
Sete usinas associadas ao Sindalcool iniciam moagem nos próximos dias e projetam safra dentro da normalidade, apesar da pressão nos preços e dos custos elevados
3 de agosto de 2026
Sete usinas associadas ao Sindalcool iniciam a safra 2026/2027 nos próximos dias. Setor projeta uma safra agrícola dentro da normalidade, mas enfrenta um cenário econômico desafiador, com preços pressionados e custos elevados
O setor de bioenergia da Paraíba, tradicionalmente conhecido como setor sucroenergético ou sucroalcooleiro, dará início à moagem da cana-de-açúcar da safra 2026/2027. As sete usinas associadas ao Sindicato da Indústria de Fabricação de Álcool no Estado da Paraíba (Sindalcool) iniciam mais um ciclo produtivo com expectativa de uma safra agrícola dentro da normalidade, com possibilidade de desempenho ligeiramente superior ao da temporada anterior em parte das unidades.
Ao mesmo tempo, o setor se prepara para enfrentar um cenário econômico desafiador, marcado pela pressão sobre os preços do etanol e do açúcar, aumento dos custos de produção e incertezas relacionadas às condições climáticas previstas para os próximos meses devido ao El Niño.
Abastecimento de etanol segue garantido
Para esta safra, a expectativa é que a Paraíba mantenha sua capacidade de abastecimento do mercado de etanol, garantindo a oferta tanto do etanol anidro, utilizado na mistura obrigatória à gasolina, quanto do etanol hidratado, comercializado diretamente nos postos de combustíveis.
O aumento da mistura obrigatória do etanol anidro para 32% representa um avanço importante para o fortalecimento do biocombustível e para a segurança energética do país. No entanto, o setor avalia que a elevada oferta nacional de etanol deverá manter o mercado sob forte pressão de preços ao longo da safra.
O etanol hidratado continuará desempenhando papel estratégico na descarbonização da mobilidade, oferecendo uma alternativa renovável de menor emissão de gases de efeito estufa em comparação aos combustíveis fósseis.
Mercado do açúcar exige cautela
No segmento do açúcar, as usinas também iniciam a safra em um ambiente de cautela. Embora haja investimentos para ampliar a competitividade industrial e agregar valor à produção, o mercado nacional e internacional apresenta elevada oferta, fator que tende a limitar a recuperação dos preços durante esta temporada.
Diante desse cenário, o mix de produção entre açúcar e etanol deverá ser ajustado pelas usinas conforme as condições de mercado ao longo da safra.
Competitividade passa pela logística
Entre as prioridades do setor permanece o fortalecimento da infraestrutura logística para exportação da produção de açúcar. O objetivo é consolidar o Porto de Cabedelo como um importante hub para o escoamento do açúcar produzido na Paraíba, ampliando a competitividade das usinas, reduzindo custos logísticos e criando novas oportunidades de negócios para toda a cadeia produtiva.
Setor mantém investimentos e confiança
Segundo o presidente-executivo do Sindalcool, Edmundo Barbosa, a nova safra reforça a importância estratégica da bioenergia para o desenvolvimento econômico da Paraíba, mesmo diante de um ambiente de mercado mais desafiador.
“Iniciamos mais uma safra com uma perspectiva agrícola positiva, favorecida pelas condições climáticas registradas até o momento. No entanto, o setor também enfrenta um ambiente econômico bastante desafiador, com preços pressionados tanto para o etanol quanto para o açúcar, aumento dos custos de produção e incertezas sobre o comportamento do clima ao longo da safra. Ainda assim, as usinas seguem investindo em eficiência, inovação e competitividade para garantir o abastecimento do mercado, fortalecer a produção paraibana e continuar contribuindo para a geração de emprego”, finalizou Edmundo.
Safra 2025/2026 em números
Cana moída: 6.471.561 toneladas
Produção de açúcar: 216.603 toneladas
Produção total de etanol: 352,226 milhões de litros
Etanol anidro: 176,672 milhões de litros
Etanol hidratado: 175,554 milhões de litros
Sete usinas associadas ao Sindalcool
Cerca de 20 mil empregos diretos
Presença em 26 municípios paraibanos
