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Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Pix já pode ser usado em oito países e avança como alternativa ao cartão de crédito em viagens internacionais

Pagamento por QR Code já pode ser utilizado em estabelecimentos de destinos como Estados Unidos, Portugal e Argentina por meio de empresas especializadas em câmbio e pagamentos.

31 de julho de 2026

Turistas brasileiros já conseguem utilizar o Pix para pagar compras e serviços diretamente em estabelecimentos de oito países da América do Sul, América do Norte e Europa. Atualmente, a modalidade está disponível em pontos comerciais do Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai, Estados Unidos, Portugal, Espanha e França, resultado de parcerias entre fintechs brasileiras, instituições financeiras, empresas de câmbio e credenciadoras internacionais de maquininhas de pagamento.

Embora seja cada vez mais comum encontrar a opção de pagamento por Pix no exterior, o Banco Central esclarece que ainda não existe um “Pix internacional” oficial. As transações são viabilizadas por empresas especializadas em pagamentos internacionais e operações de câmbio, conhecidas como eFX (Electronic Foreign Exchange), que fazem a conversão do valor em tempo real e realizam a liquidação da operação entre os dois países.

Como o Pix funciona no exterior

Na prática, a experiência para o consumidor é muito semelhante à de um pagamento realizado no Brasil.

Ao registrar uma compra, o comerciante digita o valor na moeda local — seja em pesos argentinos, dólares americanos ou euros, por exemplo — e a maquininha gera um QR Code. O cliente escaneia esse código utilizando o aplicativo do próprio banco brasileiro, que imediatamente apresenta o valor final da compra convertido para reais, já com impostos e encargos incluídos.

Após a confirmação por senha ou biometria, a instituição intermediária realiza toda a operação de câmbio e transfere o pagamento ao estabelecimento na moeda local.

Essa dinâmica elimina uma das principais incertezas das compras internacionais realizadas no cartão de crédito: a variação cambial entre a data da compra e o fechamento da fatura. No Pix, o consumidor conhece exatamente quanto está pagando no momento da transação.

Não é um Pix internacional

Apesar da praticidade, o Banco Central reforça que o sistema continua sendo doméstico.

O Pix, oficialmente, permite apenas transferências entre contas participantes do sistema brasileiro. Nas operações realizadas no exterior, ele é utilizado apenas em uma etapa da transação.

Funciona da seguinte maneira: o consumidor faz um Pix para uma empresa autorizada a operar remessas internacionais. Essa empresa realiza a conversão da moeda e envia o pagamento ao estabelecimento comercial localizado em outro país, praticamente em tempo real.

É justamente esse modelo que permitiu a rápida expansão da tecnologia sem que fosse necessária a criação de um sistema internacional próprio do Banco Central.

Onde já é possível pagar com Pix

A aceitação do Pix ainda depende das empresas responsáveis pelas maquininhas utilizadas pelos estabelecimentos comerciais de cada país.

Hoje, o pagamento já pode ser encontrado em diversos pontos turísticos e regiões com grande circulação de brasileiros, especialmente em:

Chile;
Argentina;
Uruguai;
Paraguai;
Estados Unidos;
Portugal;
Espanha;
França.

Nos países sul-americanos, o serviço está presente em hotéis, restaurantes, lojas de departamento, centros comerciais, feiras, lojas de fronteira e outros estabelecimentos voltados ao turismo.

Nos Estados Unidos, a expansão acontece principalmente em destinos como Miami, Orlando e Nova York. Na Europa, a modalidade já aparece em cidades como Lisboa, Madri e Paris.

A expectativa do setor é que a aceitação continue crescendo à medida que mais credenciadoras internacionais integrem o sistema às suas redes.

Expansão depende das fintechs

A disseminação do Pix fora do Brasil não é conduzida diretamente pelo Banco Central, mas por empresas privadas especializadas em pagamentos digitais.

No Chile, por exemplo, a PagBrasil opera em parceria com a credenciadora VirtualPOS para disponibilizar pagamentos por QR Code em milhares de terminais.

Na Argentina, o Banco do Brasil firmou parceria com o Banco Patagonia para ampliar a aceitação do Pix em milhares de estabelecimentos comerciais.

Já nos Estados Unidos, a PagBrasil anunciou uma integração com a Verifone, considerada uma das maiores credenciadoras do país, responsável pelo processamento de pagamentos de grandes redes varejistas. A iniciativa busca atender ao crescente fluxo de turistas brasileiros, que movimentam bilhões de dólares anualmente na economia norte-americana.

Outras instituições financeiras e plataformas de câmbio, como o BS2 e a Remessa Online, também oferecem soluções que utilizam o Pix para abastecer contas internacionais e realizar pagamentos em diferentes moedas.

Outra forma de usar o Pix durante viagens

Além dos pagamentos diretos em estabelecimentos comerciais, muitos brasileiros utilizam o Pix para enviar dinheiro a contas internacionais oferecidas por plataformas multimoeda.

Nesse modelo, o usuário transfere recursos via Pix para sua conta digital, converte imediatamente o saldo para moedas como dólar ou euro utilizando o câmbio comercial e passa a utilizar um cartão de débito internacional físico ou virtual para realizar compras durante a viagem.

A modalidade substitui a necessidade de comprar moeda em espécie antes do embarque e oferece maior praticidade para controlar os gastos.

Economia em relação ao cartão de crédito

Um dos principais fatores que impulsionam a adoção do Pix em viagens internacionais é a redução dos custos.

Enquanto compras realizadas no cartão de crédito internacional estão sujeitas à cobrança de IOF de 5,38%, além da conversão pela cotação utilizada pela operadora do cartão na data de fechamento da fatura, os pagamentos feitos por meio das plataformas que utilizam Pix costumam trabalhar com câmbio comercial e tributação reduzida, permitindo maior previsibilidade do valor final.

Outro benefício é evitar o transporte de dinheiro em espécie e diminuir a dependência de casas de câmbio.

Um sistema que continua crescendo

Criado pelo Banco Central em 2020, o Pix tornou-se o principal meio de pagamento utilizado pelos brasileiros.

Hoje, cerca de 170 milhões de usuários utilizam o sistema, que responde por quase metade de todas as transações de pagamento realizadas no país, superando cartões de crédito, débito e boletos em volume de operações.

Esse elevado nível de adoção desperta o interesse de empresas internacionais que enxergam no turista brasileiro um público estratégico, especialmente em destinos que recebem milhões de visitantes todos os anos.

Segundo empresas do setor, o volume de pagamentos realizados por brasileiros via Pix no exterior cresce, em média, mais de 20% ao mês.

O futuro do Pix internacional

Embora o Banco Central não tenha planos de criar, no curto prazo, um Pix internacional oficial, estudos avançam para integrar o sistema brasileiro ao Nexus, plataforma desenvolvida pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS).

A proposta é conectar sistemas nacionais de pagamentos instantâneos de diferentes países, permitindo transferências internacionais rápidas, seguras e de baixo custo, sem a necessidade dos atuais intermediários.

Enquanto essa integração não ocorre, o avanço do Pix no exterior continuará sendo impulsionado por acordos entre fintechs, bancos, empresas de câmbio e credenciadoras internacionais, ampliando gradualmente o número de países e estabelecimentos que aceitam o método de pagamento criado no Brasil.

Fonte: Redação com Agência Brasil e ICL Notícias