Mercado imobiliário de luxo amplia presença no Brasil e impulsiona novos polos de desenvolvimento
Levantamento da Abrainc mostra crescimento do segmento em cidades além das grandes capitais, com destaque para o litoral catarinense, interior paulista e Nordeste
22 de julho de 2026
Durante décadas, o mercado imobiliário de luxo se limitava à imóveis de maior metragem e localização privilegiada nas grandes capitais. Esse mapa começou a mudar. Nos últimos anos, cidades do litoral catarinense, do interior paulista e de outras regiões do país passaram a atrair empreendimentos de alto padrão, ampliando a presença do segmento e consolidando novos polos de desenvolvimento econômico e urbano. É o que mostra levantamento apresentado pela ABRAINC – Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias. Grande parte desse crescimento se deve a criação de novos produtos por parte das incorporadoras, que passaram a atender uma demanda reprimida do mercado.
Os números ajudam a explicar esse movimento. Em 2025, imóveis de luxo e superluxo responderam por 28% de todo o Valor Geral de Vendas (VGV) lançado no Brasil, representando 4% das unidades comercializadas. O desempenho evidencia a capacidade do segmento de concentrar valor e reforça sua importância para a dinâmica econômica da incorporação imobiliária.
Nos últimos cinco anos, o mercado manteve um ritmo de expansão superior ao restante da indústria. O VGV dos lançamentos de imóveis de luxo e superluxo registrou crescimento médio anual de 34%, alcançando quase R$ 100 bilhões em 2025. Mesmo com uma acomodação no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano passado, o segmento permanece em um patamar muito superior ao observado no início da década, com crescimento de 692% no VGV de lançamentos e de 302% nas vendas na comparação com o primeiro trimestre de 2020.
“O mercado imobiliário de luxo alcançou um novo estágio de maturidade no Brasil. Hoje, seu impacto vai além da incorporação de empreendimentos de alto padrão. O segmento impulsiona investimentos, fortalece economias locais e amplia o desenvolvimento urbano de diferentes regiões do país. Esse movimento reflete a evolução da demanda e demonstra a capacidade da incorporação imobiliária de acompanhar as transformações do mercado e da sociedade”, explica Luiz França, presidente da ABRAINC.
Novos polos ampliam o mapa do alto padrão
São Paulo segue como principal mercado do país em número de empreendimentos e volume financeiro, mas a expansão do segmento já ultrapassa os limites dos destinos tradicionalmente consolidados. O litoral norte de Santa Catarina desponta como um dos principais vetores desse crescimento, com Balneário Camboriú, Itapema, Porto Belo e Itajaí entre os maiores mercados nacionais do alto padrão. O movimento também alcança Campinas, Sorocaba, Ribeirão Preto e a Baixada Santista, além de regiões metropolitanas do Nordeste, como Recife e João Pessoa.
Ao todo, 253 incorporadoras atuaram no mercado de luxo em 2025. São Paulo liderou o ranking nacional em número de empreendimentos, com 62 lançamentos, seguida por Curitiba, com 20, Balneário Camboriú, com 19, Itapema, com 16, e Porto Belo, com 13. No recorte por ticket médio, a capital paulista aparece na primeira posição, com R$ 10,05 milhões, à frente de Rio de Janeiro, com R$ 7,7 milhões, Fortaleza, com R$ 6,44 milhões, e Balneário Camboriú, com R$ 5,65 milhões.
A expansão é sustentada por fatores estruturais. Um deles é economico: que se sustenta no o crescimento da população de alta renda e a formação de patrimônio em setores como agronegócio e tecnologia. Outro ponto é a sofisticação dos produtos imobiliários que elevaram o padrão dos empreendimentos. Atributos como Wellness, serviços personalizados, infraestrutura esportiva e parcerias com marcas internacionais passaram a figurar em boa parte dos lançamentos.
Esse avanço também se reflete na valorização dos ativos. Entre 2021 e 2025, os imóveis de luxo tiveram alta de 29% no preço médio em São Paulo e de 39% no Rio de Janeiro, acima da valorização registrada pelo mercado geral nas duas capitais, de 19% e 28%, respectivamente. O desempenho reforça o papel do segmento como instrumento de preservação patrimonial no longo prazo.
