Fundos para agro, indústria e comércio lideram estruturação de FIDCs em 2026
Levantamento do Martinelli Advogados aponta avanço de fundos especializados para financiar cadeias produtivas, substituindo modelos multicarteira.
22 de julho de 2026
O mercado de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) está passando por uma mudança em sua arquitetura de estruturação, deixando de lado o perfil generalista para focar em veículos altamente especializados. É o que aponta um levantamento realizado pelo Martinelli Advogados, um dos maiores escritórios de advocacia do Brasil, que analisou o perfil de fundos estruturados com a sua assessoria jurídica ao longo de 2025 e primeiros seis meses de 2026.
Na avaliação de Camila Rodrigues Serra Araujo, sócia da área de Mercado de Capitais do Martinelli Advogados, os números refletem um amadurecimento das empresas na busca por crédito. “Verifica-se um direcionamento para estruturas mais especializadas, indicando maior concentração em segmentos econômicos específicos”, destaca. “As empresas estão estruturando fundos que dialogam diretamente com as necessidades de suas cadeias, conectando o mercado de capitais aos setores produtivos.”
A análise do Martinelli foi realizada com base em dados de mercado compilados pelo escritório e informações da ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).
Os dados revelam que o primeiro semestre de 2026 foi marcado por uma clara predominância da classe “Agro, Indústria e Comércio”. Essa categoria esteve presente em 66,7% das operações concluídas pelo escritório no período (quatro de um total de seis fundos estruturados).
Dentre as operações estruturadas com a assessoria jurídica do Martinelli este ano, destacam-se cinco FIDCs tradicionais e a estruturação de um Fiagro-FIDC, o que, de acordo com a especialista, evidencia a ampliação da busca por veículos dedicados exclusivamente ao financiamento da cadeia agroindustrial. As demais operações do semestre dividiram-se entre “Indústria e Comércio – Recebíveis Comerciais” e “Outros – Multicarteira”, com participação de 16,7% cada.
Mercado em transformação
A análise comparativa demonstra uma virada de chave no mercado. Em 2025, ano em que o escritório concluiu a estruturação de 10 FIDCs, a predominância era da categoria “Outros – Multicarteira”, que representou metade das operações (cinco fundos). Essa classe é caracterizada por uma grande diversificação, tanto nos tipos de direitos creditórios quanto nos setores econômicos abarcados.
Os fundos relacionados aos setores do agro, indústria e comércio ficaram em segundo lugar, com 40% de participação (quatro operações), enquanto a subclasse de Fomento Mercantil respondeu por 10%.
“Apesar da mudança de foco corporativo para fundos mais segmentados em 2026, a natureza dos ativos que lastreiam essas operações segue diversificada e robusta”, comenta Camila, ao destacar que as estruturas recentes têm se apoiado em certificados de recebíveis, notas fiscais eletrônicas (NF-e), duplicatas, notas comerciais, Cédulas de Crédito Bancário (CCBs), notas promissórias e unidades de recebíveis (URs). A origem desses créditos, acrescenta, está ancorada na economia real, abrangendo a indústria de transformação, agronegócio, infraestrutura, energia, logística e transporte.
Fonte: Assessoria
