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bruno cunha lima
Foto: Rondinelle de Paula/Codecom PMCG

Bruno Cunha Lima: “O Maior São João do Mundo tem dimensão para preservar sua essência e, ao mesmo tempo, acolher novas manifestações artísticas.”

Bruno Cunha Lima faz um balanço da edição de 2026 d'O Maior São João do Mundo, destacando os investimentos que fortaleceram a festa, os impactos para o turismo e a economia, além da preservação das tradições e o legado que pretende deixar para as próximas gerações

16 de julho de 2026

A cidade de Campina Grande, na Paraíba, detém o título de O Maior São João do Mundo e, todos os anos, transforma o período junino em uma grande celebração que movimenta a economia, o turismo e a cultura local por mais de 30 dias. Nesta edição, a festa aconteceu ao longo de 33 dias e celebrou os 40 anos do Parque do Povo, principal palco da programação.

Para os campinenses, esse é um período de grande impacto econômico. A festa fortalece diversos setores, gera empregos, amplia oportunidades de renda e representa uma importante fonte de receita para milhares de famílias. Sua grandiosidade ultrapassa os espaços dedicados aos festejos e influencia diretamente a rotina de quem vive na cidade.

O prefeito Bruno Cunha Lima destaca, com orgulho, esta edição histórica, marcada pelas quatro décadas do Parque do Povo e pelos investimentos em inovação e infraestrutura realizados ao longo de cinco anos e seis meses de gestão.

Na sua avaliação, quais fatores fizeram desta edição d’O Maior São João do Mundo um sucesso?

Eu diria que o sucesso desta edição é resultado de uma sequência de acertos. São decisões que, ao longo dos últimos anos, permitiram que o evento alcançasse um novo nível de qualidade, organização e estrutura. O objetivo sempre foi oferecer uma experiência cada vez melhor para quem trabalha na festa, para os campinenses e para os turistas que escolhem Campina Grande nesse período. Este ano, inclusive, registramos um recorde de turistas internacionais, o que demonstra o alcance que o São João conquistou. Também consolidamos um modelo de gestão que alia planejamento, com parceria junto à iniciativa privada. Isso torna possível realizar 33 noites de programação gratuita, com grandes atrações e uma estrutura de alto nível, sem investimento direto da Prefeitura na contratação de artistas e da estrutura do evento. Os números mostram que estamos no caminho certo e que esta é, sem dúvida, uma das maiores edições d’O Maior São João do Mundo.

O São João é um dos principais motores da economia de Campina Grande. Qual a expectativa da Prefeitura para a movimentação financeira desta edição?

Os números econômicos ainda não podem ser divulgados porque dependem da consolidação de dados oficiais. A Prefeitura não trabalha com estimativas baseadas em projeções sem comprovação. A movimentação econômica do São João é calculada a partir de informações da Secretaria de Finanças, com base na arrecadação de ISS, e da Secretaria da Fazenda do Estado, por meio do ICMS, além da circulação financeira registrada no Parque do Povo e nos demais polos da festa. No ano passado, o São João injetou R$ 742 milhões na economia de Campina Grande. Para esta edição, a expectativa anunciada na abertura do evento é superar os R$ 800 milhões, e essa projeção segue mantida. Acredito, inclusive, que possamos ultrapassar esse resultado. O impacto da festa vai muito além dos dias de programação. Mesmo após o encerramento do evento, os reflexos positivos permanecem na economia da cidade, beneficiando artistas, músicos, trabalhadores autônomos, comerciantes e prestadores de serviços.

O Parque Evaldo Cruz foi uma das grandes contribuições da sua gestão para a festa. Como o senhor avalia a receptividade do público a esse equipamento?

O Parque Evaldo Cruz é um dos projetos mais importantes da nossa gestão. Era um espaço que permaneceu sem utilização por décadas e passou a ser marcado pela insegurança. Hoje, foi transformado em um ambiente que atende ao São João, mas que também pode ser utilizado pelas famílias durante todo o ano. A integração com o Parque do Povo ampliou a experiência da festa e permitiu criar ambientes com características diferentes, capazes de atender públicos distintos. A reorganização do espaço levou a Arena de Shows Hilton Motta para a parte inferior do Parque do Povo, integrada ao novo Parque Evaldo Cruz, além da ampliação da área com cerca de 40 casas e estabelecimentos comerciais. Já a Cidade Cenográfica voltou a ocupar a parte superior do Parque do Povo, criando ambientes voltados para diferentes perfis de público. Os resultados mostram que essa mudança foi acertada. Dados preliminares apontam aprovação de 98,3% entre os turistas, que classificaram a festa como ótima ou boa. Além disso, esta edição registrou um recorde de visitantes internacionais, reforçando a projeção d’O Maior São João do Mundo e consolidando Campina Grande como um dos principais destinos turísticos do período junino.

De que forma esta edição reafirma a identidade cultural de Campina Grande como O Maior São João do Mundo?

Campina Grande sempre foi uma cidade inovadora. O São João começou em uma área conhecida como Coqueiros de Zé Rodrigues e, ao longo dos anos, evoluiu com a criação do Parque do Povo e da tradicional Pirâmide. Esse espírito de inovação acompanha a festa até hoje e explica seu crescimento contínuo. Ao mesmo tempo, buscamos preservar as nossas raízes. Valorizamos a culinária típica, com destaque para os alimentos à base de milho, fortalecemos a participação dos artistas da terra em todos os palcos e promovemos elementos que fazem parte da identidade nordestina, como o cordel, o artesanato e o forró. Nesta edição, também homenageamos os 110 anos de Luiz Gonzaga, figura fundamental para a história do São João. Preservar a tradição, no entanto, não impede que a festa dialogue com outros públicos. O Maior São João do Mundo tem dimensão para manter sua essência e, ao mesmo tempo, receber diferentes manifestações artísticas. Foi o que aconteceu com o show de Roberto Carlos, que levou muitas de pessoas ao Parque do Povo e realizou o sonho de muitos fãs que nunca tiveram a oportunidade de assistir a uma apresentação do artista. Afinal, o Parque do Povo é do povo, e a programação deve refletir os desejos de quem faz a festa acontecer.

Como pai de Luiza e Bernardo, qual é a Campina Grande que o senhor espera deixar para os seus filhos?

Como pai, penso muito no futuro dos meus filhos e na cidade que eles vão encontrar. Sempre encarei a gestão como uma missão, e cumprir essa missão exige coragem para tomar decisões, liderar mudanças e promover inovações, mesmo sabendo que toda transformação passa por um período de adaptação. Quando olho para Campina Grande hoje, vejo que estamos realizando muitos dos grandes sonhos da cidade. Eu diria que, dos 10 maiores projetos esperados pela população, cerca de 8 já estão em execução ou em fase de entrega. Entre eles estão a requalificação da Feira Central, uma obra aguardada há mais de 50 anos, a expansão do Parque do Povo com o Parque Evaldo Cruz, os projetos de desassoreamento e despoluição do Açude Velho, a urbanização do Açude Bodocongó, a reativação da linha férrea com mais de 10 estações de embarque e desembarque, além da recuperação de espaços históricos, como a Estação Nova e o Cine Capitólio. É essa Campina Grande que quero deixar para Luiza, Bernardo e para as futuras gerações: uma cidade ainda maior, com mais oportunidades, melhor para viver, trabalhar e construir uma história.

Fonte: Maria Clara Teixeira