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Foto: Divulgação

Ampliação da mistura de etanol na gasolina reforça transição energética, avalia Sindalcool

Entidade destaca que aumento da mistura de etanol anidro de 30% para 32% acompanha a estratégia mundial de descarbonização, reduz a dependência de gasolina importada e fortalece a produção nacional de combustíveis renováveis .

15 de julho de 2026

O aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% (E32), aprovado pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), representa mais um passo na estratégia brasileira de ampliar o uso de combustíveis renováveis, reduzir as emissões de/ carbono e fortalecer a segurança energética do país. A medida integra as ações previstas no Programa Combustível do Futuro e consolida uma política pública construída ao longo de décadas, baseada na capacidade produtiva, na previsibilidade do abastecimento e na liderança brasileira em biocombustíveis.

Para o presidente-executivo do Sindalcool, Edmundo Barbosa, a mudança deve ser compreendida dentro de um movimento global de substituição gradual dos combustíveis fósseis por fontes renováveis.

“O aumento da mistura de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% (E32) não é uma medida isolada do Brasil. Faz parte da estratégia mundial de desfossilização da economia, substituindo parte dos combustíveis fósseis por combustíveis renováveis de menor intensidade de carbono. O Brasil é um dos poucos países que possui escala, tecnologia e infraestrutura para liderar essa transição”, afirma Edmundo.

E32 é tecnicamente viável para motores

Os estudos incluíram ensaios realizados pelo Instituto Mauá de Tecnologia, que avaliaram aspectos como desempenho, consumo, dirigibilidade, partida a frio e funcionamento de veículos leves e motocicletas movidos exclusivamente a gasolina. Os resultados indicaram que o E32 é tecnicamente viável, sem impactos relevantes sobre desempenho, consumo, dirigibilidade ou funcionamento dos veículos avaliados.

Os testes também contemplaram modelos movidos exclusivamente a gasolina e representativos da frota brasileira, incluindo veículos mais antigos. Nas condições avaliadas, não foram identificadas evidências de aumento do desgaste dos motores ou de componentes do sistema de alimentação, e os sistemas eletrônicos dos veículos analisados conseguiram ajustar automaticamente a relação entre ar e combustível.

Medida reduz a importação de gasolina e protege o consumidor das oscilações do mercado internacional

Além dos aspectos técnicos, a medida traz impactos positivos para a economia e para o abastecimento. A estimativa é que, com o E32, o Brasil deixe de importar cerca de 800 milhões de litros de gasolina por ano, ampliando a participação de um combustível renovável produzido no país e fortalecendo toda a cadeia sucroenergética.

O setor também possui capacidade para atender ao aumento da demanda. A necessidade adicional é estimada em aproximadamente 1 bilhão de litros de etanol anidro por ano, enquanto a produção nacional tem potencial para crescer cerca de 4 bilhões de litros nesta safra, impulsionada pela expansão das usinas de cana-de-açúcar e do etanol de milho.

Outro aspecto destacado pelo setor é o papel do etanol na proteção do consumidor diante das oscilações do mercado internacional. Durante a recente escalada das tensões no Oriente Médio, a maior participação do biocombustível no mercado brasileiro ajudou a reduzir os impactos da alta dos combustíveis. Estimativas do setor apontam que, sem a presença do etanol, os consumidores teriam arcado com um aumento de aproximadamente R$ 8 bilhões nos gastos com combustíveis apenas nos últimos três meses. Em um horizonte anual, esse impacto poderia chegar a quase R$ 32 bilhões.

Além de contribuir para a estabilidade do abastecimento, a maior utilização de um combustível produzido no Brasil reduz a exposição do país às oscilações do mercado internacional e ajuda a amortecer pressões sobre os preços dos combustíveis para os consumidores.

Fonte: Assessoria