Fórum discute implementação do mercado regulado de carbono no Brasil
Evento reuniu governo, empresas e especialistas para debater a infraestrutura e os próximos passos do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões.
2 de julho de 2026
A implementação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) entrou definitivamente na pauta das discussões sobre competitividade, investimentos e desenvolvimento sustentável no Brasil. Esse foi o principal debate do evento realizado nesta terça-feira, 1º de julho, pela Vale, como representante da C.A.S.E. (Climate Action Solution & Engagement), e pela IETA, em parceria com a B3.
O encontro, na sede da bolsa do Brasil, reuniu representantes do governo federal, empresas, instituições financeiras e especialistas para discutir os próximos passos da regulamentação do mercado regulado de carbono brasileiro, com foco na construção da infraestrutura necessária para garantir integridade, rastreabilidade, transparência e segurança às futuras operações.
Na abertura do evento, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, destacou o papel estratégico do SBCE dentro da política climática brasileira e reforçou que a implementação do sistema faz parte de uma agenda mais ampla de desenvolvimento sustentável, voltada à redução de emissões, à conservação ambiental e à atração de investimentos para a transição para uma economia de baixo carbono.
Ao longo dos três painéis, os especialistas apontaram que o desafio agora deixa de ser a criação do mercado regulado de carbono e passa a ser sua implementação prática. Entre os principais temas debatidos estiveram a construção de regras claras e previsíveis; o desenvolvimento de mecanismos robustos de monitoramento, relato e verificação (MRV); a integração entre mercados, o fortalecimento da infraestrutura de registro e negociação dos ativos ambientais e o alinhamento do modelo brasileiro às melhores práticas internacionais.
Outro consenso foi a necessidade de aproveitar estruturas já consolidadas no mercado financeiro brasileiro para dar suporte ao novo sistema, garantindo eficiência operacional, segurança tecnológica e credibilidade ao mercado desde sua implantação. Também foi ressaltada a importância de que a regulamentação seja construída de forma colaborativa entre governo e setor privado, assegurando competitividade para as empresas brasileiras e criando um ambiente capaz de atrair investimentos de longo prazo para projetos de descarbonização.
“O Brasil reúne condições únicas para liderar a economia de baixo carbono. Temos ativos ambientais estratégicos, uma matriz energética predominantemente renovável e experiência na operação deste mercado. O desenvolvimento do SBCE representa uma oportunidade de conectar essas vantagens a uma infraestrutura sólida, capaz de oferecer segurança, transparência e confiança para investidores e participantes do mercado. Na B3, acreditamos que podemos contribuir colocando nossa experiência em infraestrutura de mercado a serviço desse novo ecossistema e apoiando a construção de um mercado de carbono robusto, íntegro e alinhado às melhores práticas internacionais”, afirma Ana Buchaim, VP de Sustentabilidade da B3.
Durante o encontro, também foi destacado a importância de se considerar a janela de oportunidade para o engajamento com o Artigo 6 do Acordo de Paris e do papel fundamental que o mercado regulado de carbono deve desempenhar na mobilização de recursos para acelerar a transição climática, estimular inovação, ampliar investimentos em tecnologias de baixo carbono e fortalecer soluções baseadas na natureza, contribuindo para o cumprimento das metas climáticas brasileiras.
“O mercado de carbono é um dos principais instrumentos para viabilizar a transição para uma economia de baixo carbono. Além de criar sinais econômicos claros para direcionar investimentos, ele fortalece a competitividade do Brasil em uma agenda cada vez mais estratégica para o desenvolvimento global. Construir um mercado robusto, confiável e alinhado às melhores práticas internacionais é essencial para transformar o potencial brasileiro em oportunidades concretas de desenvolvimento sustentável”, destaca Camilla Lott, diretora de Sustentabilidade Corporativa, Clima e Natureza da Vale.
Ao reunir representantes dos setores público e privado, o fórum reforçou a importância do diálogo contínuo para a construção de um mercado regulado de carbono capaz de promover segurança jurídica, integridade ambiental e eficiência operacional, consolidando o Brasil como um dos protagonistas da agenda global de descarbonização.
Fonte: Assessoria
