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Foto: Divulgação

Antes mesmo da NR1: programa da Afrafep trabalha saúde mental dos trabalhadores há cinco anos

Programa "Cuidar e Cativar" oferece acompanhamento psicológico e ações de bem-estar desde 2021, antecipando exigências da legislação

4 de junho de 2026

Desde o último dia 26 de maio, a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) passou a ser obrigatória para todas as empresas brasileiras, tornando a gestão de riscos psicossociais no trabalho uma exigência legal. Na Associação dos Auditores Fiscais do Estado da Paraíba (Afrafep), no entanto, esse já era um compromisso assumido há cinco anos. Enquanto muitas organizações correm agora para se adequar, a entidade já colhe resultados de um programa que cuida da saúde mental dos seus colaboradores desde antes de a norma existir.

O programa “Cuidar e Cativar” oferece acompanhamento psicológico, encontros temáticos e atividades voltadas ao bem-estar dos colaboradores. Os resultados acumulados ao longo desse período falam por si: ambiente de trabalho mais equilibrado, relações mais saudáveis e colaboradores que se sentem genuinamente acolhidos. Em 2025, a iniciativa deu mais um passo e foi ampliada para incluir também a diretoria da instituição.

“Essa ampliação foi muito significativa. Quando a liderança também participa, muda a cultura do ambiente. As pessoas se sentem mais à vontade para falar sobre o que estão sentindo, e isso faz toda a diferença nos resultados do programa”, destaca Veridiana Barbosa, gerente de gestão de pessoas da Afrafep. “Quem já fazia isso sai na frente, mas agora a norma deixa claro que cuidar da saúde mental dos trabalhadores é uma obrigação, não uma gentileza. Esperamos que mais empresas e entidades sigam esse caminho”, complementa

Para o psicólogo Suelliton Jackson, que acompanha o programa na entidade, a trajetória do Cuidar e Cativar mostra que o cuidado com a saúde mental precisa anteceder qualquer obrigação legal. “O programa nasceu de uma escuta real das necessidades dos nossos colaboradores. Ao longo desses anos, vimos pessoas retomarem o equilíbrio emocional, melhorarem seus relacionamentos no trabalho e se sentirem mais valorizadas. São resultados concretos que nos mostram que o caminho escolhido foi o certo”, afirma.

A entrada em vigor da NR-1, há menos de uma semana, vem confirmar o que a prática já demonstrava. A norma determina que empresas identifiquem, avaliem e adotem medidas para prevenir riscos psicossociais no ambiente de trabalho, como estresse ocupacional, jornadas excessivas, assédio moral e síndrome de burnout.

Para Suelliton, trata-se de um reconhecimento formal e necessário. “Durante muito tempo, as discussões sobre segurança no trabalho estiveram concentradas nos riscos físicos. A norma amplia esse olhar ao reconhecer que fatores emocionais e relacionais também comprometem a saúde e a capacidade de trabalho das pessoas. O burnout não surge de repente, ele é resultado de um processo contínuo de desgaste que, quando não identificado a tempo, cobra um preço alto do trabalhador e da organização”, explica.

Para o psicólogo, porém, conformidade legal é apenas o ponto de partida. “Cumprir a NR-1 não é apenas preencher um checklist. É construir ambientes onde o respeito seja a base e onde os sinais de sofrimento sejam reconhecidos antes de se tornarem crise. Cuidar da saúde mental não é uma questão individual, é uma responsabilidade compartilhada entre trabalhadores, lideranças e instituições”, conclui Suelliton Jackson.

Fonte: Assessoria