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Foto: Banco de Imagens

“Farmácia do vizinho”: hábito comum entre brasileiros pode trazer riscos graves à saúde

Especialista da Afya Paraíba alerta para os perigos da automedicação e do compartilhamento de medicamentos sem orientação médica

27 de maio de 2026

Tomar medicação sem orientação médica, indicado por amigos, familiares ou vizinhos ainda é um hábito comum entre muitos brasileiros. Conhecida popularmente como “farmácia do vizinho”, a prática parece inofensiva, mas pode trazer consequências sérias para a saúde, desde reações alérgicas, comprometimento de um ou mais orgãos, intoxicações e agravamento de doenças de base, como Hipertensão Arterial, Diabetes, dentre outras.

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o uso indiscriminado de medicamentos, especialmente antibióticos, contribui diretamente para o aumento da resistência bacteriana, fenômeno que preocupa autoridades de saúde em todo o mundo.

De acordo com o coordenador interino do curso de Medicina da Afya Paraíba, Givaldo de Lima, o hábito representa um risco silencioso e muitas vezes subestimado pela população.

“O medicamento que funciona para uma pessoa pode ser extremamente perigoso para outra. Cada organismo reage de uma forma, e até sintomas parecidos podem ter causas completamente diferentes”, explica.

Entre os medicamentos mais compartilhados estão antibióticos, anti-inflamatórios, analgésicos e medicações para ansiedade e insônia. O problema, segundo o especialista, é que o uso indevido pode não só mascarar doenças, mas também dificultar diagnósticos e provocar complicações.

“Muita gente acredita que, por já ter tomado aquela medicação antes ou algum familiar ou conhecido já ter feito uso e ter melhorado dos sintomas, não há perigo em repetir o uso ou indicar para alguém próximo. Porém, isso pode esconder sintomas importantes e atrasar a identificação de doenças mais graves”, alerta Givaldo de Lima.

A Anvisa também destaca que o uso incorreto de antibióticos favorece o surgimento das chamadas “superbactérias”, tornando infecções mais difíceis de tratar e aumentando o risco de internações e complicações mais sérias.

“O uso inadequado de antibióticos é uma das maiores preocupações da saúde pública atualmente. Quando esses medicamentos são utilizados sem necessidade ou da forma errada, as bactérias podem se tornar resistentes, reduzindo a eficácia dos tratamentos”, destaca o coordenador.

Além dos antibióticos, medicamentos aparentemente comuns podem causar efeitos colaterais importantes quando utilizados sem controle. Os Anti-inflamatórios, por exemplo, podem afetar função renal, alterações no fígado, no estômago como hemorragia digestiva alta, além de aumentar riscos das doenças cardiovasculares, especialmente em pessoas com doenças crônicas.

Outro fator que contribui para a automedicação é a tentativa de aliviar sintomas rapidamente sem procurar atendimento médico. Porém, especialistas alertam que dores persistentes, febre recorrente ou sintomas contínuos nunca devem ser tratados apenas com orientações informais.

“Buscar orientação médica é fundamental para garantir um tratamento seguro e adequado. Saúde não deve ser baseada em indicações informais ou experiências de terceiros”, conclui Givaldo Lima.

Fonte: Vivass Comunicação