Alimentação na gravidez influencia a saúde da criança ao longo da vida, alerta nutrólogo da Afya
Renan Moreira alerta que alimentação equilibrada e acompanhamento profissional são fundamentais para a saúde da mãe e do bebê
22 de maio de 2026
A alimentação durante a gestação tem impacto direto no desenvolvimento do bebê e na saúde da mãe. Mais do que “comer por dois”, especialistas reforçam que o período exige equilíbrio nutricional, acompanhamento médico e escolhas alimentares conscientes para evitar complicações durante a gravidez e no pós-parto.
Dados recentes apontam que a inadequação nutricional entre gestantes brasileiras ainda é uma preocupação. Um estudo publicado pela Universidade Federal do Paraná mostrou que a deficiência de micronutrientes em grávidas continua frequente no país, especialmente de ferro, cálcio, ácido fólico e iodo, nutrientes fundamentais para a formação do bebê e para a prevenção de complicações gestacionais.
Além disso, pesquisas nacionais também indicam aumento do consumo de alimentos ultraprocessados durante a gravidez, o que pode comprometer a qualidade nutricional da dieta das gestantes.
Segundo Renan Moreira, médico nutrólogo e coordenador de pós-graduação em Nutrologia da Afya Educação Médica, a alimentação adequada deve ser encarada como parte essencial do pré-natal.
“A alimentação adequada durante a gravidez vai muito além de fornecer energia para a mãe e o bebê. Ela participa diretamente da formação dos órgãos, do cérebro, do sistema imunológico e do metabolismo da criança, além de ajudar a gestante a manter um ganho de peso saudável e reduzir riscos como anemia, diabetes gestacional e hipertensão”, explica.
O especialista destaca ainda que os cuidados nutricionais durante a gravidez têm efeitos duradouros na saúde da criança.
“Hoje sabemos, pela teoria dos Primeiros 1.000 Dias — período que vai da gestação até aproximadamente os dois anos de vida — que a nutrição nessa fase pode influenciar a saúde ao longo de toda a vida. Esse conceito está ligado ao chamado imprinting metabólico, ou programação metabólica, mostrando que estímulos nutricionais precoces podem influenciar o risco futuro de obesidade, diabetes e hipertensão”, afirma.
Nutrientes que merecem atenção na gravidez
De acordo com Renan Moreira Silva, a gestação saudável depende não apenas da ingestão de vitaminas e minerais, mas também de uma alimentação equilibrada em macronutrientes.
Carboidratos
Responsáveis por fornecer energia para mãe e bebê e garantir o funcionamento adequado do organismo.
Proteínas
Essenciais para formação dos tecidos, músculos, placenta e crescimento fetal.
Gorduras saudáveis
Importantes para o desenvolvimento cerebral e visual do bebê.
Além disso, nutrientes como ácido fólico, ferro, cálcio e ômega-3 merecem atenção especial durante toda a gestação.
“O ácido fólico é essencial já nas primeiras semanas para prevenir malformações do tubo neural. Já o ferro é indispensável para evitar anemia materna, condição muito comum entre gestantes”, destaca o médico.
Em fevereiro de 2025, o Ministério da Saúde anunciou a ampliação da suplementação de cálcio para todas as gestantes atendidas na Atenção Primária, como estratégia para reduzir casos de pré-eclâmpsia — uma das principais causas de mortalidade materna no Brasil. Segundo a pasta, a suplementação pode reduzir em até 55% o risco da condição.
Hábitos alimentares que podem trazer riscos
O especialista alerta que alguns comportamentos comuns podem comprometer a saúde da mãe e do bebê durante a gravidez.
Entre os principais riscos estão:
- dietas muito restritivas sem acompanhamento;
- jejuns prolongados;
- baixo consumo de proteínas, frutas, verduras e legumes;
- excesso de alimentos ultraprocessados;
- consumo exagerado de cafeína;
- ingestão de álcool;
- alimentos crus ou mal higienizados;
- suplementação sem orientação médica.
“Cada gestante tem necessidades individuais de energia e proteína, que variam conforme peso antes da gravidez, rotina física, idade e condições de saúde. Por isso, dietas muito restritivas e tentativas de emagrecimento sem acompanhamento podem comprometer a oferta de nutrientes importantes para o bebê”, explica.
Renan Moreira Silva também reforça que álcool, cigarro e drogas ilícitas devem ser evitados completamente durante a gestação.
“Essas substâncias podem prejudicar a formação do bebê e aumentar o risco de parto prematuro, restrição de crescimento fetal e alterações neurológicas e comportamentais”, ressalta.
Pequenas mudanças fazem diferença
Segundo o médico, mudanças simples na rotina alimentar já podem trazer benefícios importantes durante a gravidez.
Algumas orientações incluem:
- incluir feijão, ovos, leite e derivados na alimentação;
- aumentar o consumo de frutas e vegetais verde-escuros;
- consumir castanhas e peixes seguros;
- manter boa hidratação;
- trocar ultraprocessados por comida de verdade;
- organizar horários das refeições;
- seguir corretamente a suplementação prescrita no pré-natal.
“Na prática, cuidar da alimentação na gravidez é uma forma simples e poderosa de proteger a saúde da mãe hoje e contribuir para o desenvolvimento futuro da criança”, alerta o coordenador da Afya Educação Médica.
