Chuvas no Nordeste afetaram operação de supermercados e abastecimento, aponta levantamento
Levantamento mapeou os efeitos das fortes chuvas do início de maio de 2026 sobre a operação do varejo alimentar em Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte
19 de maio de 2026
Um levantamento da Scanntech, empresa líder em inteligência de dados para o varejo e a indústria de bens de consumo, identificou impactos operacionais expressivos sobre o varejo alimentar do Nordeste durante as fortes chuvas do início de maio de 2026 em Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Entre o fim de abril e os primeiros dias de maio, 10% das lojas nas regiões mais afetadas pelas tempestades tiveram problemas operacionais.
A Scanntech está conectada a lojas que representam 85% das vendas do varejo alimentar brasileiro e considerou no levantamento os comércios que tiveram problemas no envio dos dados ao longo do período, possivelmente por problemas de conectividade ou diretamente de operação. O estado de Pernambuco foi o mais impactado, com municípios da zona de emergência chegando a mais de 35 pontos percentuais das lojas com deficiência operacional.
“Quando uma alta quantidade de lojas deixa de realizar o envio de seus dados continuamente, para enviar intermitentemente, temos a indicação de que fatores externos estão interferindo no funcionamento do canal e consequentemente no abastecimento da população. Observamos situação semelhante nas enchentes que assolaram o Rio Grande do Sul entre abril e maio de 2024, por exemplo”, diz Priscila Ariani, diretora de Marketing e responsável pelos estudos de mercado da Scanntech.
A Paraíba também apresentou desvios expressivos, entre 21 e 35 pontos percentuais nas cidades declaradas em emergência. O Rio Grande do Norte registrou impacto mais moderado, porém também acima da média histórica. Os dados mostram, ainda, avanço gradual do impacto ao longo dos dias monitorados, com agravamento expressivo à medida que as chuvas se intensificaram. Ao todo, 23 cidades registraram aumento em problemas operacionais.
No recorte por município, os maiores desvios foram registrados nas zonas de emergência decretadas em Pernambuco e Paraíba, com concentração especialmente no litoral. Recife, João Pessoa e Natal concentraram parte relevante dos registros, combinando maior intensidade dos desvios observados e alta representatividade do varejo local. Além dessas, municípios como Jaboatão dos Guararapes, Parnamirim e Olinda também apresentaram impacto relevante durante o período monitorado.
“Durante eventos climáticos extremos, as pessoas perdem os seus bens, inclusive os alimentos e produtos de limpeza que estavam armazenados em seus lares, gerando necessidade de abastecimento adicional para garantir sua alimentação, higiene e a retomada de suas rotinas o mais rápido possível. Por isso, é fundamental compreender os problemas de funcionamento do setor supermercadista para garantir o funcionamento do setor, que abastece os lares dos brasileiros”, afirma Priscila.
O levantamento reforça o papel da inteligência de dados como ferramenta de leitura rápida de crises operacionais no varejo, oferecendo insumos concretos para a tomada de decisão em contextos de emergência climática.
Metodologia
O levantamento foi realizado pelo time de Operações da Scanntech com base no monitoramento de lojas do varejo alimentar em Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte durante as chuvas do início de maio de 2026. A análise utilizou indicadores relacionados ao envio de dados e movimentação das lojas.
