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e-commerce, consumo, prime day, domínios falsos
Foto: Freepik

Pesquisa: compras por impulso no e-commerce levam 35% dos brasileiros ao endividamento

Promoções, frete grátis e facilidade de pagamento estimulam gastos não planejados e comprometem o orçamento de milhões de consumidores.

14 de maio de 2026

As compras por impulso, apenas pelo prazer de comprar algo “só porque estava em promoção” ou “porque o frete era grátis” está custando caro para muitos brasileiros. O avanço do consumo digital e a facilidade de pagamento via cartão e PIX transformaram o e-commerce em um espaço de tentações constantes e as consequências já aparecem no bolso dos consumidores.

De acordo com a pesquisa “Compras por Impulso”, realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise Pesquisas, 35% dos entrevistados afirmam ter se endividado ou deixado de pagar contas por causa de compras feitas por impulso, e 40% reconhecem que já gastaram mais do que podiam nesse tipo de consumo.

Os dados mostram que, embora o comportamento impulsivo seja comum, suas consequências financeiras são mais graves do que parecem, especialmente quando somadas aos efeitos psicológicos, como culpa, arrependimento e medo de endividamento.

Cartão de crédito: vilão ou facilitador?

Entre os consumidores que se endividaram, 20% apontam o cartão de crédito como o principal responsável pelas dívidas. Outras contas afetadas foram despesas domésticas e serviços essenciais (10%) e pagamentos de internet (6%).

O crédito, que deveria ser um aliado da conveniência, acaba se tornando um gatilho para o descontrole financeiro quando usado de forma impulsiva. A compra parcelada, especialmente em pequenas quantias, dá a falsa sensação de que o gasto é “inofensivo”, mas, somadas, essas parcelas podem comprometer o orçamento mensal.

Esse comportamento é reforçado por estratégias de venda baseadas em urgência, como descontos limitados, promoções relâmpago e notificações personalizadas. Segundo o levantamento, 54% dos consumidores são atraídos por promoções, e 45% declaram que o frete grátis é um incentivo decisivo para fechar a compra.

Emoção, impulso e arrependimento

A linha entre o prazer e o arrependimento é tênue. A pesquisa aponta que, após comprar por impulso, 28% sentem satisfação ou felicidade, mas 15% relatam arrependimento e 15% sentem medo de dívidas. Esse ciclo emocional, conhecido como “efeito boomerang” do consumo digital, mistura a euforia da compra com a culpa que vem logo depois, especialmente quando há impacto no orçamento familiar.

Ainda assim, a normalização desse comportamento é alta: 62% dos entrevistados acreditam ter um consumo equilibrado, mesmo que boa parte deles tenha admitido gastos não planejados. Isso indica uma percepção distorcida sobre o que é de fato um consumo saudável.

O estudo também revela que 72% dos consumidores já tentaram reduzir as compras por impulso online, e 57% conseguiram. Isso mostra que, com planejamento e autoconhecimento emocional, é possível frear o comportamento impulsivo.

Entender os próprios gatilhos como tédio, ansiedade ou vontade de se recompensar, é o primeiro passo para quebrar o ciclo de consumo irracional. E, no ambiente digital, onde cada clique é pensado para estimular a compra, a consciência se torna a principal ferramenta de defesa.

O desafio não é apenas conter o impulso de comprar, mas promover educação financeira acessível e contínua, especialmente entre os consumidores mais jovens. O uso consciente do crédito e o entendimento do impacto das pequenas compras parceladas são fundamentais para evitar o endividamento e fortalecer o equilíbrio financeiro das famílias brasileiras. No fim das contas, o clique que gera prazer imediato pode custar caro no mês seguinte e a melhor oferta é sempre aquela que cabe no orçamento.

Fonte: CNDL