Brasil registra quase 300 mil leilões em 2025 e evidencia força do setor imobiliário
Volume elevado de ativos e avanço do ambiente digital indicam consolidação dos leilões como alternativa no mercado imobiliário
7 de maio de 2026
O mercado de leilões imobiliários no Brasil segue em expansão, impulsionado pela digitalização e pelo aumento da oferta de imóveis. Dados da plataforma SPY Leilões indicam que, ao longo de 2025, foram registrados 299.732 leilões em todo o país, evidenciando o avanço desse modelo como alternativa no setor imobiliário.
Segundo o levantamento, a maior parte dos leilões é composta por ativos extrajudiciais, que representam cerca de 68% do total, enquanto os judiciais correspondem a 27%. Entre os extrajudiciais, há forte participação de instituições financeiras, com destaque para a Caixa Econômica Federal, responsável por 38% desse volume.
O crescimento do setor também se reflete nos valores envolvidos. Em 2025, os leilões monitorados somaram aproximadamente R$ 420 bilhões em primeira praça e cerca de R$ 90 bilhões em segunda praça, indicando o peso econômico desse mercado no país.
Na prática, esses números mostram não apenas o aumento da oferta de imóveis, mas também a relevância dos leilões como canal de negociação, tanto para instituições quanto para compradores. Parte desse volume está associada a imóveis retomados por bancos, especialmente em operações de crédito imobiliário.
Outro ponto relevante é a diversidade dos ativos. Apartamentos e casas lideram a lista, mas também há presença significativa de terrenos, imóveis comerciais e áreas rurais, ampliando o perfil de oportunidades disponíveis no mercado.
Outro fator que tem impulsionado o interesse pelos leilões é a flexibilização nas condições de pagamento, que amplia o acesso de diferentes perfis de compradores. Nos leilões judiciais, por exemplo, é possível dar uma entrada de 25% e parcelar o restante em até 30 vezes sem juros, o que abre espaço tanto para quem busca o imóvel próprio quanto para investidores que pretendem utilizar a renda de aluguel para amortizar as parcelas. Já nos leilões extrajudiciais, em alguns casos, há possibilidade de financiamento em até 420 parcelas, tornando a aquisição ainda mais acessível em comparação ao mercado tradicional.
Além da compra para revenda ou moradia, o levantamento também reflete uma prática que vem ganhando força no mercado: o retrofit de imóveis arrematados em leilão. A estratégia consiste na aquisição de ativos mais antigos para reforma completa e posterior exploração, seja por meio de locação tradicional ou aluguel de curta duração.
De acordo com Luis Kurihara, fundador da SPY Leilões, o avanço dos leilões está diretamente ligado à digitalização do setor e ao aumento do acesso às informações. “Nos últimos anos, o mercado passou por uma transformação importante com a migração para o ambiente online, o que ampliou o alcance dos leilões e atraiu novos perfis de compradores. Além disso, as condições de pagamento mais flexíveis têm sido um diferencial importante para quem busca alternativas mais acessíveis no setor imobiliário”, afirma.
A mudança no comportamento do consumidor também contribui para esse cenário. Com o aumento dos preços dos imóveis, especialmente nas capitais, os leilões passaram a ser considerados uma alternativa mais acessível, tanto por investidores quanto por compradores finais.
Apesar do crescimento, o setor ainda enfrenta desafios, principalmente relacionados à complexidade das informações e à necessidade de análise jurídica e financeira dos ativos. Esse fator ainda é apontado como uma barreira para parte dos interessados.
A expectativa é que o mercado continue em expansão nos próximos anos, acompanhando a evolução tecnológica e o interesse crescente por alternativas de compra no setor imobiliário. “A tendência é de aumento na oferta e maior participação de diferentes perfis de compradores, à medida que o acesso à informação se torna mais simples”, conclui Kurihara.