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Foto: Freepik

Autopresente no Dia das Mães reflete nova relação feminina com consumo e independência 

Impulsionado por maior autonomia financeira, movimento de mulheres que compram seus próprios presentes cresce no Brasil e redefine o simbolismo das joias

7 de maio de 2026

O Dia das Mães, uma das datas mais relevantes para o varejo brasileiro, vem passando por uma transformação silenciosa, porém consistente. Tradicionalmente associado à compra de presentes por filhos e familiares, o período tem registrado o avanço de um novo comportamento de consumo: o autopresente. Cada vez mais mulheres, inclusive mães, têm optado por comprar seus próprios itens na data, movimento que reflete não apenas mudanças culturais, mas também o avanço da autonomia financeira feminina no país.
Dados recentes reforçam essa tendência. Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, indicam que o Dia das Mães segue entre as datas com maior volume de vendas no primeiro semestre, mas com mudanças no perfil do consumidor, incluindo maior protagonismo feminino nas decisões de compra. Em paralelo, pesquisas de comportamento conduzidas por empresas como a NielsenIQ mostram que mulheres têm ampliado seu poder de decisão nas compras, especialmente em categorias ligadas a bem-estar, moda e itens de valor simbólico.
Nesse contexto, o setor de joias observa uma ressignificação do produto. Mais do que um presente recebido, as peças passam a representar conquistas individuais, marcos pessoais e momentos de autocuidado. O valor emocional, historicamente associado à joia como símbolo de afeto, agora também se conecta à ideia de independência e reconhecimento próprio.
Para o CEO da Roma Joias, Henrique Lima, essa mudança de comportamento dialoga diretamente com sua própria história de vida. Filho de uma vendedora autônoma, ele cresceu acompanhando de perto a rotina da mãe, que atuava como sacoleira para sustentar a família. “Eu cresci vendo minha mãe vender de porta em porta, enfrentando sol, chuva e preconceito, mas sempre com muita dignidade. Foi com ela que aprendi não só a vender, mas principalmente a entender o valor da independência feminina e da conquista diária”, afirma.
Segundo o executivo, o avanço do autopresente é uma consequência natural dessa transformação social. “Hoje, muitas mulheres não esperam mais uma data ou alguém para presenteá-las. Elas têm renda, autonomia e, principalmente, consciência do próprio valor. Quando uma mulher compra uma joia para si, ela não está apenas consumindo, está celebrando uma conquista, um momento, uma fase da vida”, diz.
Ele destaca ainda que o movimento impõe uma revisão na forma como as marcas se comunicam com o público. “Durante muito tempo, o discurso foi centrado no presente ‘para a mãe’. Agora, a lógica muda: é sobre a mulher que escolhe, que decide e que se reconhece. As marcas que não entenderem essa virada correm o risco de ficar desconectadas dessa nova consumidora”, afirma.
Além da dimensão simbólica, o fenômeno também reflete mudanças estruturais na economia brasileira. O aumento da escolaridade feminina, a maior inserção no mercado de trabalho e o crescimento de lares chefiados por mulheres têm ampliado o poder de compra desse público. Segundo o IBGE, mais de 48% dos lares brasileiros já são chefiados por mulheres, o que reforça o protagonismo feminino não apenas no consumo, mas também na organização financeira das famílias.
Para o CEO, há um componente emocional que conecta passado e presente nesse movimento. “Minha mãe vendia para mulheres que, muitas vezes, dependiam financeiramente de outras pessoas para consumir. Hoje, vemos uma geração que compra por escolha própria, que se presenteia e que reconhece o próprio esforço. Isso é uma evolução enorme, e para mim, tem um significado muito especial”, conclui.

Fonte: Assessoria