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Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Mesmo com avanço digital, 92% dos brasileiros ainda dependem de cartão ou dinheiro em emergências

Pesquisa da CNDL e SPC Brasil mostra que, apesar do crescimento do PIX e dos pagamentos digitais, consumidores ainda mantêm meios físicos como alternativa de segurança

10 de abril de 2026

O avanço dos meios de pagamento digitais vem transformando rapidamente o comportamento financeiro dos brasileiros. Ferramentas como PIX, carteiras digitais e pagamentos por aproximação ganharam espaço no cotidiano e já fazem parte da rotina de milhões de consumidores. Ainda assim, a transição para um ambiente totalmente digital está longe de ser completa.

De acordo com a Pesquisa Meios de Pagamento no Brasil 2026, realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise Pesquisas, 92% dos brasileiros ainda dependem de meios físicos, como cartão ou dinheiro, em situações de emergência, como quando o celular fica sem bateria ou há falhas de conexão.

O dado revela que, mesmo em um cenário de forte digitalização, os consumidores continuam adotando estratégias de segurança para evitar ficar sem acesso ao dinheiro.

PIX lidera pagamentos, mas não substitui totalmente o cartão

A pesquisa mostra que o PIX já se consolidou como o principal meio de pagamento no país, utilizado por 80% dos consumidores. A ferramenta domina diferentes situações de pagamento, desde transferências entre pessoas até compras no varejo e pagamento de contas.

Nas lojas físicas, por exemplo, o PIX aparece como o meio mais utilizado (41%), seguido pelo cartão de débito (24%) e pelo cartão de crédito (23%). Já no comércio eletrônico, o sistema também lidera, sendo responsável por 55% das transações, enquanto o cartão de crédito responde por 27%.

Mesmo com essa liderança, o comportamento do consumidor brasileiro continua híbrido, combinando pagamentos digitais e físicos para garantir maior segurança nas transações.

Digitalização avança, mas limitações tecnológicas ainda pesam

A dependência de meios físicos em emergências evidencia alguns limites práticos da digitalização financeira. Entre os fatores que ajudam a explicar esse comportamento estão:

  • dependência do celular para pagamentos digitais
  • risco de ficar sem bateria ou sem conexão à internet
  • instabilidade de aplicativos bancários
  • preocupação com golpes e fraudes financeiras

Esse cenário mostra que, apesar do avanço das tecnologias de pagamento, a confiança plena no ambiente digital ainda está em construção.

Brasil tem alto nível de bancarização

Mesmo com essas cautelas, o Brasil apresenta um nível elevado de inclusão financeira. A pesquisa mostra que 97% dos entrevistados possuem conta bancária, um índice que demonstra a ampla integração da população ao sistema financeiro.

Outro dado relevante é o crescimento das soluções digitais: as contas exclusivamente digitais já representam 23%, superando as contas exclusivamente físicas (20%). Ainda assim, o modelo predominante continua sendo o híbrido, com 55% dos consumidores utilizando bancos físicos e digitais ao mesmo tempo.

Varejo precisa oferecer múltiplas opções de pagamento

Para o varejo, os dados indicam que a experiência de pagamento precisa acompanhar esse comportamento híbrido do consumidor. Embora os pagamentos digitais avancem rapidamente, os clientes ainda valorizam ter alternativas em caso de imprevistos.

Na prática, isso significa que oferecer diferentes meios de pagamento continua sendo essencial para garantir conveniência, segurança e flexibilidade na jornada de compra.

A tendência é que o sistema financeiro continue avançando em direção à digitalização, mas mantendo, ao menos no curto prazo, um equilíbrio entre o mundo digital e o físico.

Fonte: CNDL