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Conversão ainda depende de confiança, clareza e experiência.
6 de abril de 2026
O anúncio surge no meio do feed quase como distração. Um vídeo curto, uma oferta chamativa, um produto que parece resolver um problema cotidiano. O clique vem por curiosidade, mas, para uma parcela relevante dos consumidores, ele termina em compra.
De acordo com a pesquisa “Compras por aplicativos e redes sociais — 2025”, realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas, 71% dos consumidores afirmam clicar em anúncios de ofertas nas redes sociais. Desse grupo, 11% finalizam a compra na maioria das vezes, enquanto outros 28% compram ocasionalmente após clicar.
Os números mostram que as redes sociais deixaram de ser apenas vitrines de inspiração e passaram a atuar como canal efetivo de conversão. Ainda assim, o caminho entre o clique e o carrinho segue cheio de barreiras.
O clique é fácil; a decisão, nem tanto
O alto índice de cliques revela um consumidor aberto à descoberta. Stories, reels e vídeos curtos criaram um ambiente propício à experimentação: o usuário vê, se interessa e clica quase automaticamente. O problema surge na etapa seguinte.
Apesar do interesse inicial, 19% dos consumidores raramente compram após clicar em anúncios, e 13% nunca finalizam a compra. A diferença entre curiosidade e conversão está menos no anúncio em si e mais no que acontece depois dele.
Páginas confusas, falta de informações claras, preços diferentes do anunciado, frete elevado ou sensação de insegurança interrompem a jornada. O clique gera expectativa e qualquer fricção derruba a decisão.
Preço e praticidade puxam o gatilho
Entre os motivos que levam o consumidor a comprar pelas redes sociais, destacam-se rapidez e praticidade (35%), melhores preços e ofertas (31%) e acesso a novidades (26%). Ou seja, o anúncio funciona quando entrega exatamente o que promete: conveniência e vantagem econômica.
Esse comportamento reforça a lógica do consumo digital atual: o consumidor não busca apenas produtos, mas atalhos. Quanto menor o esforço entre ver e comprar, maior a chance de conversão.
A confiança ainda é o ponto crítico
A pesquisa também ajuda a entender por que apenas 1 em cada 10 consumidores compra com frequência após clicar em anúncios. O ambiente das redes sociais, embora atrativo, ainda carrega uma percepção de risco. Golpes, perfis falsos e anúncios enganosos tornam o consumidor mais cauteloso.
Não por acaso, comentários de outros consumidores, avaliações e fotos reais do produto aparecem entre os fatores mais buscados durante a pesquisa nas redes. Antes de comprar, o usuário quer validação social. Ele confia menos no anúncio e mais na experiência de quem já comprou.
O desafio das marcas: transformar atenção em confiança
O dado de que 71% clicam, mas poucos concluem, revela uma oportunidade clara para o varejo. O desafio não está em gerar tráfego, isso os anúncios já fazem, mas em construir credibilidade no pós-clique.
Marcas que investem em páginas claras, comunicação transparente, provas sociais visíveis e políticas de troca simples tendem a converter mais. Já aquelas que tratam o anúncio como fim, e não como começo da jornada, perdem o consumidor no caminho.
Do feed ao carrinho, sem ruído
As redes sociais se consolidaram como o novo início da jornada de compra. Elas despertam desejo, apresentam novidades e impulsionam a curiosidade. Mas o consumidor brasileiro segue criterioso: ele clica, avalia e só compra quando sente segurança.
No fim, o anúncio não vende sozinho. Ele abre a porta. Quem decide se a compra acontece, ou não, é a experiência que vem depois.
Fonte: ASN