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Foto: Divulgação

Artesanato brasileiro cresce 26% em dez anos e reúne 1,3 milhão de pessoas, aponta estudo do Crab

Dados inéditos mostram que 60,7% dos artesãos são mulheres; Sebrae lança novo portal e anuncia 6ª edição do Prêmio Top 100

26 de março de 2026

Um grande evento realizado pelo Sebrae em homenagem ao Dia do Artesão 2026 (19/3), no Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro (Crab), no Rio de Janeiro, reuniu artesãos, gestores do setor, autoridades públicas e pesquisadores da área. Foram dois dias, terça-feira (24/3) e quarta-feira (25/3) passadas, de uma programação voltada para valorizar a força, a diversidade e o impacto do artesanato brasileiro na economia do país.
O diretor de Desenvolvimento do Sebrae Rio, Sérgio Malta, ressaltou o simbolismo da data: “Celebrar o Dia do Artesão é muito mais do que marcar uma data no calendário. É reconhecer pessoas, histórias de vida, mãos que criam, resistem, cuidam e transformam, sustentando famílias inteiras com talento, sensibilidade e coragem”, disse Sergio Malta, que também é membro do Comitê Nacional de Governança do Crab.
Representando o Ministério da Cultura, a secretária nacional de Economia Criativa, Claudia Souza Leitão, destacou a importância das políticas públicas para o fortalecimento do setor. “Somos trabalhadores protagonistas de uma história construída com as próprias mãos. Precisamos de regulamentação para garantir nossos direitos e fortalecer políticas públicas que atendam artesãos em todo o país”, reforçou a presidente da Confederação Nacional dos Artesãos do Brasil (Cnarts), Márcia Oliveira.
Encerrando a abertura, a gerente-adjunta da Unidade de Competitividade do Sebrae Nacional, Patrícia Maiana, destacou os desafios da profissionalização do setor. “É preciso ter organização, pensar na comercialização e no preço justo de cada peça. Também enfrentamos desafios logísticos importantes. Nosso papel é oferecer suporte para que os artesãos possam se estruturar melhor e brilhar ainda mais no mercado”, finalizou.
Patricia Maiana também anunciou a 6ª edição do Prêmio Top 100, o mais importante do artesanato brasileiro (em breve as inscrições serão abertas). A premiação busca identificar as melhores práticas no artesanato do país. Podem se inscrever microempreendedores individuais (MEIs), micro e pequenas empresas (MPEs), cooperativas e associações. Além do reconhecimento nacional, os 100 artesãos selecionados vão ter o direito de usar o selo Prêmio Sebrae Top 100 de Artesanato, que se torna um diferencial no mercado.

Crescimento do setor

O segmento do artesanato cresceu 26% nos últimos dez anos e, segundo a Pnad, reúne cerca de 1,3 milhão de pessoas em ocupações ligadas ao artesanato. O avanço acompanha o surgimento de uma nova economia artesanal, impulsionada por consumidores que buscam autenticidade, sustentabilidade e conexão cultural.
Em uma das palestras pesquisadores da Unisinos apresentaram dados inéditos do setor de Artesanato. O estudo econômico Artesanato no Brasil. A pesquisa aponta o comportamento do consumidor de artesanato no Brasil e analisa perfis, hábitos de compra e percepções sobre diferentes tipos de produção artesanal.
Os dados da Unisinos revelaram ainda que a distribuição dos artesãos no Brasil acompanha, em grande medida, a concentração populacional do país, com destaque para a região Sudeste, que reúne a maior participação, com 43,3% do total. Entre os estados, sobressaem o Ceará (7,0%) e Pernambuco (3,6%).
Em relação ao nível de instrução, predomina o ensino médio completo ou equivalente, representando 39,5% dos artesãos, seguido pelo ensino fundamental incompleto, com 25,7%. Ao todo, 86,6% possuem até o nível médio completo, enquanto apenas 8,8% têm ensino superior completo, percentual inferior à média nacional de trabalhadores com esse nível de escolaridade, que é de cerca de 23%. No recorte etário, o maior grupo está entre 50 e 64 anos, concentrando 34% dos artesãos, e aproximadamente 88% têm mais de 30 anos, evidenciando um perfil mais maduro da atividade.
Já na estrutura demográfica, as mulheres são maioria expressiva, correspondendo a 60,7% (798.457 artesãs), enquanto os homens representam 39,3% (517.226). Em termos de cor ou raça, observa-se predominância de pessoas pretas e pardas entre as mulheres (33,7%) e também entre os homens (21,3%), seguidas por pessoas brancas, além de participações menores de indígenas, amarelos e não informados. Esses dados reforçam o caráter diverso, tradicional e socialmente relevante do artesanato no Brasil.
A coordenadora do Crab, Natalia Lorenzetti, explica a importância do estudo inédito encomendado pelo Sebrae sobre artesanato brasileiro à universidade gaúcha Unisinos. “Com os conceitos internacionais e as disponibilidades de bases estatísticas oficiais do Brasil, a análise vai cruzar os levantamentos cadastrais de artesãos regionalizados para estimar o número de artesãos no país”, explicou Natalia Lorenzetti.
Marc Diaz, gerente do Crab, deu as boas-vindas ao público no segundo dia do evento, quarta-feira (25/3), anunciando a estreia do novo portal do Crab. “Nosso novo portal vai mostrar a força do setor do artesanato brasileiro, mostrar onde estão as oportunidades e promover novos entrantes no setor. Queremos com essa plataforma mostrar a força do nosso artesanato, que impacta a cultura, a economia e até o turismo”, explicou Marc.
“Nosso portal novo tem por objetivo posicionar o Crab como um Polo estratégico do Artesanato”, explica Lorenzetti, que está à frente do projeto. As analistas do Crab Natalia Laurindo, Laura Landau e Betina Monnerat mostraram à platéia todas as funcionalidades e a navegação do novo site.
O portal do Crab apresentará um mapeamento interativo do setor, pesquisas econômicas, de perfil de consumidor e sustentabilidade, notícias e programação atual, artigos sobre temas relevantes e estudos científicos, assim como diversos outros conteúdos de referência.

Painéis temáticos
A programação incluiu ainda a apresentação de pesquisa sobre o comportamento do consumidor de artesanato no Brasil, que analisa perfis, hábitos de compra e percepções sobre diferentes tipos de produção artesanal. Já os painéis temáticos aprofundaram os debates relevantes para o futuro do setor.
No painel “Do Festival ao Futuro – Parintins Criativo” discutiu-se a inovação e a economia circular no artesanato, a partir da vivência do festival amazônico, com participação de Lilian Simões, do Sebrae Amazonas; do designer Sergio Mattos, da artesã Irian Butel Silva (Boi Caprichoso) e da artesã Lucivone (Boi Garantido). Já o painel “Artesanato, Educação e Território em Diálogo” abordou o artesanato como ferramenta pedagógica e de desenvolvimento territorial, com a participação da analista do Crab Bruna Pelegrino e do artesão Augusto Ribeiro.
Encerrando a programação, o painel “Momento Artesão – inovação e tradição” abordou o diálogo entre saberes tradicionais e novas tecnologias, com a participação do artesão Joel Silva; do professor Walter Junior; e do arquiteto Luis Guedes, com mediação da analista do Crab Laura Landau. O encontro mostrou o papel do artesanato como expressão cultural, campo de inovação e motor da economia criativa no Brasil.

Fonte: ASN