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Foto: Divulgação

Ônibus de João Pessoa circulam com campanha que alerta sobre feminicídio

Ação tem o apoio do Sintur-JP em parceria com MPF-PB, MPT-PB, MPPB e MPC-PB

17 de março de 2026

O transporte coletivo de João Pessoa está circulando com uma campanha de alerta sobre o feminicídio. A ação utiliza busdoors em ônibus da capital com a mensagem do projeto “Banco Vermelho”, que traz os dizeres “aqui poderia ter uma passageira, mas foi vítima de feminicídio”, além de divulgar os números de denúncia para esses casos: 180, 190 e 197.

A divulgação da campanha é promovida pelo Sintur-JP, sindicato que representa as empresas concessionárias do transporte coletivo da capital, em parceria com órgãos públicos como MPF-PB, MPT-PB, MPPB e MPC-PB.

Ao todo, 20 veículos de diferentes linhas já estão circulando pela cidade com a campanha durante todo o mês de março, período em que diversas ações de conscientização são realizadas em todo o país para alertar sobre o feminicídio e a violência contra a mulher.

“ Temos plena consciência da nossa responsabilidade social e a importância de ações como essa, por isso, fazemos questão de sermos parceiros, de contribuir com a divulgação de mais uma campanha contra o feminicídio, disponibilizando anúncios em ônibus que já estão circulando em todas as áreas da cidade, proporcionando plena visibilidade, objetivando o engajamento da população ”, afirmou Isaac Júnior Moreira, diretor de relações institucionais do Sintur-JP.

Representantes das instituições parceiras visitaram garagem para acompanhar lançamento da campanha

Na manhã da última segunda-feira (16), representantes dos órgãos parceiros estiveram na garagem da empresa Transnacional, localizada na zona sul de João Pessoa, para acompanhar de perto a campanha estampada nos ônibus.

Estiveram presentes Elvira Samara, procuradora do MPC-PB; Dannielle de Lucena, procuradora do Trabalho e chefe do Ministério Público do Trabalho na Paraíba (MPT-PB); Raulino Maracajá, procurador do Trabalho do MPT-PB; Rhomeika Porto, promotora do MPPB; e Janaina Andrade, procuradora do MPF-PB.

As autoridades foram recebidas por Isaac Jr. Moreira, que explicou como a campanha circula pela capital. Alberto Nascimento, presidente do Sintur-JP, também esteve presente.

A Paraíba registrou 32 vítimas de feminicídio em 2025, segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O número representa um aumento de 23% em relação a 2024, quando foram contabilizadas 26 mortes de mulheres em razão do gênero.

Para Janaina, procuradora do MPF-PB, “ essa campanha vem para alertar o feminicídio não como a primeira violência contra a mulher, mas como o ápice. O ponto final da relação da vítima e agressão. Esse projeto visa sentar, refletir e agir. A ideia, também, é levar pelas ruas da cidade com o apoio das empresas do transporte coletivo, já que o número de passageiros que entram nos ônibus é muito grande e isso dará ainda mais visibilidade à causa ”, disse a procuradora.

Raulino Maracajá, do MPT-PB, também endossou a questão da importância da visibilidade desse tema. “ A ideia da campanha é cada vez mais publicizar para a sociedade, sobre todos os malefícios de casos de agressões a mulheres, meninas e trabalhadoras. A gente consegue fazer através dos busdoors com que as pessoas, os passageiros e toda a sociedade consiga visualizar e denunciar os casos, é importante não se calar ”.

Rhomeika Porto, do MPPB, destacou que o Ministério Público tem uma grande satisfação em participar dessa campanha. “ Infelizmente, o feminicídio na Paraíba está crescente e estamos sempre fazendo campanhas de conscientização para que haja uma diminuição de violência de gênero. Agradecemos sempre a participação da sociedade civil organizada, neste caso, do Sintur-JP, que cedeu o espaço dos ônibus para a campanha ”.

A procuradora do MPC-PB, Elvira Samara, também destacou o simbolismo da campanha e a importância de manter o debate sobre a violência de gênero presente na sociedade. “ Sabemos que o feminicídio ainda é uma realidade dolorosa no nosso país e representa a forma mais extrema da violência de gênero. Cada mulher que perde a vida dessa forma deixa não apenas uma família devastada, mas também uma ausência que marca profundamente toda a sociedade.O símbolo escolhido para esta campanha é um banco vermelho vazio, é justamente um lembrete dessa ausência. Ele representa o lugar que deveria estar ocupado por uma mulher que teve sua vida interrompida pela violência. É um convite à reflexão e, ao mesmo tempo, um chamado à responsabilidade coletiva para que possamos mudar essa realidade ”, disse Elvira.

Sobre o projeto Banco Vermelho

De acordo com o MPF, o Projeto Banco Vermelho surgiu na Itália, em 2016, e foi trazido para o Brasil no final de 2023. A iniciativa consiste na instalação de bancos vermelhos em espaços públicos, com frases que promovem a reflexão sobre a violência de gênero, além de informações sobre canais de ajuda.

A ação também é fruto da Lei 14.942/2024, cujo objetivo é sensibilizar a população, promover a reflexão e divulgar canais de denúncia e apoio às vítimas.

Fonte: Assessoria