Metade dos brasileiros já comprou diretamente pelas redes sociais, aponta pesquisa
Instagram, WhatsApp, TikTok e outras plataformas deixaram de ser apenas vitrines e passaram a integrar, de fato, o carrinho de compras do brasileiro
17 de março de 2026
As redes sociais atravessaram mais uma fronteira no comportamento de consumo do brasileiro. Se antes funcionavam principalmente como espaço de descoberta, inspiração e influência, hoje elas também se consolidam como canal direto de compra. O consumidor não apenas vê o produto no feed — ele compra ali mesmo.
De acordo com a pesquisa “Compras por aplicativos e redes sociais — 2025”, realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas, 49% dos consumidores afirmam ter realizado compras diretamente pelas redes sociais nos últimos 12 meses. Na prática, isso significa que um em cada dois brasileiros já transformou o feed em ponto de venda.
Do conteúdo à conversão, sem sair da rede
A consolidação das redes sociais como canal de compra está diretamente ligada à simplificação da jornada. O consumidor vê um produto, recebe informações básicas, confere comentários e, muitas vezes, finaliza a compra sem sair do aplicativo, seja por links integrados, mensagens no WhatsApp ou redirecionamento rápido para checkout simplificado.
Entre os principais motivos apontados para comprar pelas redes estão rapidez e praticidade (35%), melhores preços e ofertas (31%) e acesso a novidades (26%). O padrão é claro: quanto menor o esforço entre ver e comprar, maior a chance de conversão.
As redes passaram a competir não apenas com buscadores, mas também com marketplaces e aplicativos de lojas, principalmente em categorias de compra mais emocional e visual.
Moda, beleza e casa puxam as vendas
As categorias mais compradas via redes sociais refletem esse apelo visual e aspiracional. Roupas, sapatos e acessórios lideram (50%), seguidos por cosméticos, perfumes e produtos para cabelo (41%), itens para casa (36%) e eletrônicos e informática (29%).
São produtos que se beneficiam de imagens, vídeos curtos, demonstrações práticas e comparação estética, formatos nos quais as redes sociais operam com vantagem em relação a canais mais tradicionais.
O papel central da validação social
Mesmo comprando direto pelas redes, o consumidor não age por impulso puro. A pesquisa mostra que 99% pesquisam produtos nesses ambientes, e fazem isso buscando principalmente preço, comentários de outros consumidores, fotos reais e detalhes do produto.
Isso reforça que o social commerce cresce sustentado pela prova social, não apenas pela publicidade. A confiança vem menos do discurso da marca e mais da experiência compartilhada por outros usuários.
Esse comportamento explica por que, apesar do alto volume de cliques em anúncios, apenas uma parte dos consumidores compra com frequência após vê-los. A decisão passa por uma checagem rápida de reputação e as redes oferecem esse termômetro em tempo real.
O que muda para o varejo
O avanço das compras diretas pelas redes sociais exige uma mudança estratégica do varejo. Não basta mais usar esses canais apenas para comunicação institucional ou campanhas de awareness. As redes passaram a integrar o funil de vendas e, em muitos casos, substituem etapas tradicionais da jornada.
Marcas que investem em conteúdo claro, informações objetivas, respostas rápidas e integração com meios de pagamento e logística saem na frente. Já aquelas que tratam o social apenas como vitrine perdem conversão para concorrentes mais ágeis.
O feed virou caixa
O dado de que metade dos consumidores já compra diretamente pelas redes sociais confirma uma transformação estrutural no consumo digital brasileiro. O feed deixou de ser apenas espaço de influência e passou a funcionar como balcão, vitrine e caixa ao mesmo tempo.
Para o consumidor, é conveniência. Para o varejo, é oportunidade, mas também responsabilidade. Afinal, quando a compra acontece ali, a experiência precisa funcionar do início ao fim, sem ruído, sem surpresa e com confiança.
Fonte: CNDL