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Foto: Arquivo Pessoal/ Paulo Nascimento

Jampa Gastronomia: unindo literatura, café e gastronomia, conheça a tradicional Livraria do Luiz em João Pessoa

Paulo Nascimento fala sobre espaço comandado por Janaína Pinheiro que inovou em 2015 com Café Literário e hoje é ponto de encontro de leitores, turistas e amantes da boa mesa

5 de março de 2026

No coração do Centro Histórico de João Pessoa, entre passos apressados e memórias arquitetônicas, o Jampa Gastronomia atravessou as portas da Livraria do Luiz para descobrir que, ali, literatura e café dividem a mesma mesa.

Fundada em 1972 por Luiz Carvalho da Costa, a livraria nasceu na Galeria Caxias, na Rua Duque de Caxias, e desde 1980 ocupa seu endereço atual na Galeria Poeta Augusto dos Anjos, próxima à Praça dos Três Poderes. São 53 anos de história atravessando gerações e um legado que passou de pai para filho. Hoje, quem conduz essa tradição ao lado do esposo Ricardo é Janaína Pinheiro, que fala da livraria com muito carinho.

Em 2015, a casa decidiu inovar: nasceu o Café Literário. A proposta era ousada para a época em João Pessoa: unir livros e cafeteria em um mesmo espaço. “O mercado do livro é difícil. Precisávamos inovar para continuar relevantes”, conta Janaína. E a combinação não poderia ser mais simbólica: café e livros compartilham o mesmo sentimento de pausa.

Janaína nos contou que, no período da pandemia, eles acabaram fechando. Mas foi também ali que a livraria descobriu a força da divulgação digital e passou a dialogar com um novo público. Hoje, o espaço é frequentado por leitores assíduos, intelectuais, turistas e jovens em busca de um bom café, mesmo que alguns ainda estejam descobrindo seus gostos literários. O café ajuda a atrair esse público e, como consequência, acabam conhecendo os livros e, quem sabe, levando um, ou ao menos tirando uma foto para buscá-lo depois.

Gastronomia que conversa com a literatura

Se a proposta é unir arte e sabor, o cardápio cumpre seu papel com personalidade. Cerca de 70% dos produtos são de produção própria, reforçando o caráter artesanal e familiar do espaço.

Entre os clássicos regionais, não faltam tapioca, cuscuz e bolos tradicionais. Para os amantes de cafeteria contemporânea, há cafés gelados, croissants, brownies e pão de queijo. Mas dois protagonistas roubam a cena.

O primeiro é a “Baronesa do Café”, o verdadeiro carro-chefe da casa. A receita começa com uma base de biscoito, cacau, amendoim, manteiga e açúcar de confeiteiro. Sobre ela, um caramelo sedoso feito de açúcar caramelizado, creme de leite, leite e amido. Em seguida, castanhas torradas trazem crocância, antes de receber uma mousse de chocolate com café, então misturada com espresso e café solúvel, finalizada com chantilly aromatizado e raspas de chocolate.

O resultado é de um doce intenso, equilibrado pelo café sem açúcar, criando uma experiência que passeia entre o amargo elegante e a doçura envolvente.

A novidade da casa é o pudim de café, que já começa a conquistar espaço entre os pedidos mais frequentes, uma prova de que inovação também pode ser delicada.

Um espaço de transformação

Mais do que vender livros ou servir café, a Livraria do Luiz cultiva encontros. Janaína reforça que muitos turistas já chegam sabendo da existência do espaço, enquanto moradores da própria cidade ainda se surpreendem ao descobri-lo.

A livraria recebe nomes importantes da cena intelectual paraibana e se mantém como ponto de resistência cultural. “O livro transforma vidas”, diz ela. E complementa que investir em leitura é investir em inteligência emocional e desenvolvimento intelectual, algo que ultrapassa modismos e tendências passageiras.

Ao final da visita, entre goles de café e conversas sobre cultura, levei comigo um exemplar de Eu, de Augusto dos Anjos. Um gesto simbólico que traduz exatamente o que o espaço promove: ampliar repertório e paladar na mesma medida.

Na Livraria do Luiz, ler é tão essencial quanto saborear. E talvez seja essa a grande receita da casa: transformar cada xícara em pausa e cada página em permanência.

 

Fonte: Paulo Nascimento