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Foto: Sebrae-PB

Práticas sustentáveis fortalecem fruticultura e impulsionam retomada de produção no sertão

ecuperação da fruticultura é impulsionada por águas do São Francisco, capacitação do Sebrae e trabalho de 484 famílias

27 de fevereiro de 2026

Com uma produção diária estimada em 32 mil unidades de coco anão e 200 mil frutas de bananas pacovan e casca verde, o perímetro irrigado do Distrito de São Gonçalo, localizado no município de Sousa, no território sertanejo da Paraíba, tem demonstrado crescimento em sua retomada no segmento da economia na fruticultura. A recuperação de áreas com novos plantios ocorre, principalmente, pelo estudo de técnicas sustentáveis e a busca constante de capacitações com a participação dos produtores, a partir da atuação do Sebrae/PB e outras instituições parceiras.

De acordo com o presidente da Junta de Usuários de Água do Perímetro Irrigado de São Gonçalo (JUSG), Francisco Bernardino, entre os anos de 2012 e 2018 a prática da fruticultura na região sofreu forte impacto de queda em seu resultado de produção por causa da estiagem.

“Perdemos praticamente todo o plantio da fruticultura naquele período e hoje estamos restituindo essa produção de forma estratégica e com práticas mais sustentáveis. O coco anão e a banana são exemplos que refletem esse trabalho, e existe ainda, plantio do arroz vermelho, que semestralmente ocupa uma área de até 500 hectares, contribuindo como uma alternativa de renda”, explica.

Em toda área do perímetro, o cultivo da fruticultura ganha ação com o trabalho de 484 famílias. No local, existem aproximadamente 2,5 mil hectares com sistema de irrigação. Parte da produção, segundo Francisco Bernardino, é atendida pela distribuição da água por inundação, que se caracteriza pelo método de superfície onde o solo é coberto por uma lâmina de água, e o restante, com uso de rede por gravidade.

Para o futuro, o presidente da JUSG pontua que o objetivo é ampliar o território com irrigação e viabilizar recursos para ampliar e diversificar a fruticultura incluindo produtos como a uva.

“Queremos ampliar esse trabalho para uma área de 4,5 mil hectares, aumentando ainda mais nossa capacidade produtiva. A irrigação pressurizada é outra causa que estamos lutando, pois, através desse sistema se produz mais com menos uso da água, garantindo eficiência. A banana e o coco verde são o carro-chefe da nossa economia, mas pensamos em uma fruticultura diversificada, e por essa razão estudamos outras culturas como a uva, manga, maracujá e pera, que podem contribuir para um crescimento maior da economia”, completou Francisco Bernardino.

Águas do Velho Chico

A mudança de realidade no território do perímetro irrigado do Distrito de São Gonçalo ganhou novos horizontes depois da chegada das águas do Projeto de Integração do Rio São Francisco. O destino das águas ganha direção pelas adutoras e canais do eixo norte e se expande até o reservatório do açude de São Gonçalo, proporcionando segurança hídrica para a região.

Para o consultor técnico do Sebrae/PB, Levi Silva de Menezes, o momento de produção é positivo e reflete o resultado do trabalho conjunto realizado pelas entidades representativas após a chegada das águas do Rio São Francisco. “Foi necessário regulamentar o uso das águas e fazer todo um processo de organização para retomar essa produção. O empenho da JUSG foi determinante para isso e o que existe hoje é a manutenção das culturas do coco anão como atividade primária e da banana como atividade secundária É uma prática consorciada, porque a venda da banana funciona como um suporte para o fluxo de caixa enquanto a colheita do coco não chega”, revela.

Francisco da Silva é um dos produtores que sofreu no passado com a perda do plantio. Hoje, ele celebra a retomada da produção e comenta que o cultivo do coco verde e da banana é sua principal atividade como fonte de renda no campo. “Saímos de uma realidade de perda total e o recomeço exige paciência e muito trabalho. Graças a Deus esse ano alcançamos a colheita de três mil unidades de coco e a expectativa é de produzir seis mil bananas quando chegar o tempo da colheita”, pontuou.

O trabalho do produtor é executado em uma área de quase quatro hectares e conta com o auxílio de outros dois irmãos para realizar todas as etapas de manejo, cultivo e colheita.

Busca pelo conhecimento

O analista técnico do Sebrae/PB, Fabrício Vitorino, enfatiza que a instituição contribui com o desenvolvimento da produção no território com a oferta de consultorias e eventos voltados à qualificação dos produtores. “É uma relação de busca constante para manter os pequenos produtores capacitados com suas culturas e incentivar o estudo de manejos em uma visão cada vez mais sustentável da atividade. Neste sentido, o Sebrae, em parceria com a JUSG, atua pelo protagonismo dessa cadeia produtiva e viabiliza eventos, missões técnicas para conhecimento de outras realidades, assim como possibilita o acesso de consultorias”, disse.

Ainda sobre o contexto da fruticultura, Fabrício Vitorino ressalta o uso das novas tecnologias como uma estratégia para fomentar cada vez mais o desenvolvimento sustentável. “Precisamos estar antenados com as novas tecnologias de manejo da produção, beneficiamento e comercialização dos frutos. O uso racional das águas em áreas de irrigação de plantios atualmente é uma necessidade que gera eficiência e significa mais sustentabilidade. O perímetro irrigado de São Gonçalo é um dos maiores destaques da agricultura irrigada da Paraíba e tem tudo para se consolidar como uma das principais zonas de produção do estado, contribuindo significativamente para o desenvolvimento econômico regional”, concluiu.

AgroFrut

Em 2025, o Sebrae/PB e a Junta de Usuários de Água do Perímetro Irrigado de São Gonçalo (JUSG), promoveram no Distrito de São Gonçalo o AgroFRUT – Encontro Regional de Fruticultura do Sertão Paraibano. O evento teve o propósito de discutir as tendências, os desafios e as oportunidades da fruticultura no território sertanejo e contou com a participação de técnicos, produtores e especialistas de várias regiões do Nordeste.

A programação tratou temas como o “Potencial do semiárido paraibano para fruticultura tropical – desafios e perspectivas”, as “Fruteiras de clima subtropical e temperado: uma oportunidade para os perímetros irrigados de São Gonçalo e Várzeas de Sousa, além de questões como “O poder de transformação dos perímetros públicos de irrigação” e a “Discussão sobre o novo modelo de gestão das águas do PISG”.

Fonte: Sebrae-PB