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Foto: Divulgação

Nordeste acelera e redesenha mapa das startups no Brasil, aponta Sebrae

Região já concentra 25,2% das empresas inovadoras do país e cresce acima da média nacional, segundo o Sebrae Startups Report Brasil 2025

24 de fevereiro de 2026

O eixo da inovação brasileira está se deslocando: embora o Sudeste ainda concentre a maior fatia das startups do país, o Nordeste se consolida como a segunda principal região em número de empresas inovadoras e lidera o crescimento proporcional, segundo o Sebrae Startups Report Brasil 2025.

O levantamento analisou 22.869 startups mapeadas pelo Sebrae em todo o Brasil até dezembro de 2025, alta de 26,7% em relação ao ano anterior. Em 2023, eram 11.336 empresas; em 2024, 18.056; agora, o ecossistema se aproxima de 23 mil negócios, evidenciando expansão acelerada e maior capilaridade regional.

 

O Sudeste responde por 36% das startups brasileiras. O Nordeste já reúne 25,2%, à frente do Sul (20,3%), Centro-Oeste (9,7%) e Norte (8,8%). O avanço nordestino consolida um modelo mais distribuído de inovação no país — menos concentrado no eixo tradicional Rio-São Paulo.
Pernambuco lidera expansão entre os estados

No recorte estadual, São Paulo (5.119 startups), Santa Catarina (2.239) e Minas Gerais (1.385) permanecem como os maiores polos, representando juntos 38,3% do total mapeado.

 

O dado que chama atenção, porém, está no ritmo de crescimento. Pernambuco registrou alta de 72,2%, o maior avanço percentual entre os estados líderes. O desempenho reforça o fortalecimento do ecossistema local, ancorado por universidades, parques tecnológicos e programas de fomento. Outros estados nordestinos também aparecem em trajetória de expansão, consolidando a região como novo vetor de crescimento do ecossistema nacional.

 

O ranking municipal confirma a descentralização. A cidade de São Paulo concentra 10,6% das startups do país (2.416 empresas, crescimento de 26,4% no ano), mas capitais fora do eixo tradicional se destacam cada vez mais entre as startups mapeadas e que participam de iniciativas do Sebrae. Recife soma 640 startups e cresceu 46,1% no período. Fortaleza reúne 571 empresas, alta de 40,6%. Teresina aparece entre as dez cidades com maior número absoluto de startups (440), com crescimento de 19,2%.

 

O Top 10 municipal inclui ainda Florianópolis (921; +18,1%), Rio de Janeiro (724; +24,6%), Brasília (541; +20,8%), Belo Horizonte (490; +22,8%), Curitiba (481; +15,9%) e Porto Alegre (450; +27,8%). A presença de múltiplas capitais médias entre as que mais crescem sugere amadurecimento do modelo multi-hub, no qual diferentes regiões passam a desenvolver especializações próprias.

 

Ecossistema nacional cresce e se diversifica

Além da nova geografia, o relatório mostra um ecossistema nacional que se expande mantendo forte orientação ao mercado corporativo. Mais de 70% das startups mapeadas pelo Sebrae em todo o Brasil operam nos modelos B2B ou B2B2C, atuando como fornecedoras de tecnologia para empresas. O setor de Tecnologia da Informação lidera (14,5%), seguido por Saúde e Bem-Estar (11,8%), Educação (8,5%), Agronegócio (7,5%) e Impacto Socioambiental (6,1%).

 

O modelo de receita predominante é o SaaS, adotado por 39,1% das startups, enquanto software (39,3%) e serviços (35,8%) concentram a maior parte dos produtos ofertados. A digitalização crescente das economias regionais contribui para essa expansão fora do eixo tradicional, ao reduzir barreiras geográficas e permitir que empresas nasçam com alcance nacional desde o início.

 

Pipeline jovem e desafios de escala

O estudo mostra ainda que o ecossistema nacional de startups permanece majoritariamente jovem: 37,7% das startups estão na fase de validação e 25,1% em ideação. A concentração em estágios iniciais indica renovação constante da base empreendedora.

 

Mais da metade das startups do Brasil ainda não gera receita, dado compatível com o estágio de maturidade. Ao mesmo tempo, a alta adoção de tecnologias como Inteligência Artificial (51,8%), APIs (26,7%) e computação em nuvem (22,6%) demonstra que as empresas já nascem digitais e orientadas a dados. O desafio do próximo ciclo será transformar crescimento em escala, ampliar acesso a mercados maiores e aumentar a complexidade tecnológica, hoje concentrada em software e serviços, com baixa presença de hardware e deep tech.

 

Sebrae amplia atuação nacional

O relatório também evidencia o papel institucional no fortalecimento do ecossistema. Em 2025, o Sebrae realizou 93.288 atendimentos a startups em todo o Brasil, crescimento de 17,2% em relação ao ano anterior. A maior parte das interações ocorre por meio de orientação (39,87%), ferramentas digitais (13%), palestras (12,67%). e consultorias (11,47%). A busca por gestão da inovação (39,85%) lidera a demanda.

 

“O Nordeste é o segundo polo de startups do Brasil. Isso mostra o potencial que é a região”, afirma o presidente do Sebrae, Décio Lima. “O crescimento inclusive da economia. O crescimento dos estados da região supera o do PIB nacional. E o Sebrae precisa apoiar na construção dos marcos regulatórios e com isso permitir que esses negócios continuem ampliando as oportunidades.”

 

“A plataforma Sebrae Startups, juntamente com o Observatório Sebrae Startups, tem permitido uma atuação qualificada e focada do Sebrae e de seus parceiros para o desenvolvimento de iniciativas em prol dos empreendedores brasileiros”, completa Bruno Quick, Diretor Técnico do Sebrae Nacional. “São duas ferramentas fundamentais para que o Sebrae possa ser referência na promoção do empreendedorismo e na geração de valor para os pequenos negócios, nossa visão de futuro.”

Fonte: Assessoria